Fibrilhação auricular e a medicina interna – Dia Mundial do Ritmo Cardíaco

Fibrilhação auricular é a arritmia mais frequente. Doença que aumenta risco de AVC isquémico e fator independente para mortalidade de causa cardíaca. O internista Rogério Ferreira alerta, neste seu artigo, para a necessidade de diagnóstico e seguimento da terapêutica.

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Rogério Ferreira, Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra / Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular da SPMI
Rogério Ferreira, Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra / Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular da SPMI. Foto: DR

A importância do ritmo certo é transversal a tudo no nosso dia-a-dia: seja no trabalho, na música, ou no coração. Ao celebrarmos dia 13 de junho o Dia Mundial do Ritmo Cardíaco, temos presente a importância de trazer para o conhecimento público o enorme impacto que as arritmias têm na saúde dos portugueses.

A fibrilhação auricular, a arritmia mais frequente na prática clínica, aumenta 3 a 5 vezes o risco de ter um acidente vascular cerebral (AVC) isquémico e constitui um fator de risco independente para a mortalidade de causa cardíaca.

Como a sua frequência aumenta com a idade, o envelhecimento da população portuguesa vai inevitavelmente levar a que ela também se torne cada vez mais frequente. Mesmo assim, em Portugal, estima-se que 1 em cada 3 pessoas que tem fibrilhação auricular não sabe que a tem.

Além das suas consequências diretas e indiretas que custam milhões de euros por ano, estima-se que mais de 3% das mortes em Portugal possam ser atribuídas à fibrilhação auricular.

A complexidade desta doença implica, cada vez mais, a constituição de equipas multidisciplinares de profissionais que, de forma proactiva, aproveitem cada contacto com o doente (seja em contexto de urgência, internamento ou consulta) para o diagnóstico, e que possam discutir as melhores estratégias terapêuticas para cada doente.

É importante percebermos que é uma doença heterogénea, que em alguns casos pode ser possível diagnosticar com um simples electrocardiograma, mas noutros casos pode necessitar de realização de monitorizações electrocardiográficas mais prolongadas para chegar ao diagnóstico.

Para maior sucesso na prevenção de eventos vasculares é indispensável que a população esteja bem informada acerca dos potenciais riscos da doença e dos ganhos que terá ao aderir cuidadosamente à terapêutica: tomar a medicação não é um fim em si, mas o caminho para prevenir AVC, incapacidade, morte.

Diariamente, continuamos a admitir pessoas em serviços de urgência portugueses com complicações causadas por terem deixado de tomar a medicação prescrita. Percebemos assim que temos ainda um longo caminho a percorrer.

A Medicina Interna, integrada numa ampla rede de profissionais a trabalhar em articulação, de onde se destaca o papel crucial das especialidades de Medicina Geral e Familiar, Neurologia e Cardiologia, manterá a sua atividade diária a diagnosticar, esclarecer e tratar um problema de saúde que é uma preocupação comum de todos. Acreditamos, contudo, que ano após ano, melhorando a comunicação e articulação entre profissionais de saúde empenhados e uma população bem informada, poderemos melhorar a nossa realidade nacional.

Autor: Rogério Ferreira, Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra / Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular da SPMI

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