Ao longo das últimas décadas, a diáspora portuguesa tem afirmado, de forma consistente, um notável espírito de solidariedade — um dos mais elevados valores que enobrecem a condição humana e conferem sentido à vida em comunidade. Este desígnio manifesta-se tanto no apoio aos compatriotas radicados no estrangeiro como na permanente ligação solidária a Portugal, numa demonstração inequívoca de coesão e responsabilidade coletiva.
Entre os múltiplos exemplos que ilustram esta vocação solidária, destaca-se, de forma particularmente expressiva, a ação desenvolvida pela Fundação Nova Era Jean Pina. Constituída em 2019 pelo empresário português João Pina, radicado na região de Paris, esta instituição tem vindo a afirmar-se como um dos mais relevantes agentes de intervenção social no seio da comunidade luso-francesa — a mais numerosa comunidade portuguesa na Europa.
Natural de Trinta, no concelho da Guarda, João Pina emigrou para França na década de 1980, então com apenas 19 anos, acompanhando o fluxo de milhares de portugueses que procuravam melhores condições de vida na pátria gaulesa. Apesar das dificuldades iniciais inerentes ao processo migratório, construiu um percurso empresarial sólido e bem-sucedido na área da construção civil. Hoje, enquanto administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, lidera um conjunto diversificado de empresas com atividade nos setores da construção, limpeza e reciclagem de resíduos.
Todavia, o seu percurso não se esgota no sucesso empresarial. Reconhecido em França como Jean Pina, tem desenvolvido, de forma contínua e empenhada, uma intervenção solidária de grande alcance, colocando os recursos e a capacidade organizativa ao serviço dos mais vulneráveis. É precisamente nesta dimensão que se destaca o papel estruturante da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão assenta no lema “Solidariedade em Movimento”. Sob a liderança direta do seu presidente, a instituição tem promovido uma relevante cooperação entre França e Portugal, através da conceção, financiamento integral e concretização de projetos dirigidos a públicos particularmente fragilizados, como idosos, crianças institucionalizadas e pessoas em situação de desemprego.
Neste enquadramento, assume especial relevo o projeto “Sonhos sem Idade”, lançado no ano passado pela Fundação. Trata-se de uma iniciativa pioneira, de elevado alcance humano e simbólico, que visa concretizar o sonho de cidadãos seniores portugueses, com baixos rendimentos e beneficiários de apoio social, de viajarem de avião pela primeira vez e visitarem Paris — uma das cidades mais emblemáticas do mundo.
Em 2026, a Fundação deu continuidade a este projeto através da sua segunda edição, integralmente suportada do ponto de vista financeiro pela própria instituição, reafirmando o seu compromisso inequívoco com a solidariedade ativa. Entre os dias 19 e 22 de março, quatro seniores beneficiários de apoio domiciliário da Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe deslocaram-se à capital francesa, numa experiência transformadora e profundamente marcante. Esta instituição, de reconhecida relevância na sub-região do Douro, distrito de Viseu, tem desempenhado, desde a segunda metade do século XX, um papel essencial nas áreas da saúde e do apoio social, num território particularmente afetado pelo envelhecimento demográfico.
Acompanhados pelo provedor Romeu Santos, pela diretora técnica Andreia Fonseca e pela enfermeira Maria Rodrigues, os participantes tiveram oportunidade de visitar alguns dos mais icónicos locais de Paris, como a Torre Eiffel, a Basílica do Sacré-Cœur, o bairro de Montmartre e o Palácio de Versalhes, culminando com um cruzeiro no rio Sena. Ao longo desta jornada, estiveram permanentemente acompanhados pelo presidente da Fundação e pela vice-presidente, Marie Morgado, num gesto que evidencia proximidade, compromisso e uma liderança ativa e humanizada.
A iniciativa contou ainda com a participação de diversos membros da comunidade luso-francesa, destacando-se o envolvimento de voluntários da associação Soleils de Paris, presidida pela lusodescendente Eleonor Patrício, que tem desenvolvido um meritório trabalho junto de populações vulneráveis na capital francesa. Este encontro intergeracional constituiu um momento de elevado valor simbólico, evidenciando o papel fundamental dos lusodescendentes na preservação e transmissão de valores culturais, onde os mais idosos assumem um papel insubstituível.

A experiência vivida por estes quatro seniores representa, assim, muito mais do que uma viagem: constitui a materialização de um compromisso ético e social que dignifica a diáspora portuguesa. Ao promover o envelhecimento ativo e saudável — um imperativo crescente nas sociedades contemporâneas —, a Fundação Nova Era Jean Pina afirma-se como um exemplo paradigmático da capacidade transformadora das comunidades portuguesas no mundo.
Num tempo marcado por desafios sociais complexos, iniciativas desta natureza demonstram que a diáspora não é apenas memória ou identidade: é também ação, responsabilidade e solidariedade concreta. E, neste domínio, o trabalho desenvolvido pela Fundação Nova Era Jean Pina, sob a liderança do seu presidente, constitui um testemunho maior do que de melhor Portugal projeta além-fronteiras.
Autor: Daniel Bastos, Historiador e Escritor













