Qualidade de vida e cidades inteligentes

Internet das coisas para a Internet das coisas ‘significativas’, pode dar sentido aos indicadores de qualidade de vida nas cidades inteligentes. E a partir daí criado um termômetro da perceção do bem-estar dos cidadãos.

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Cidade
Foto de Rosa Pinto

São conhecidos os níveis de poluição, número de acidentes de trânsito, os espaços públicos seguros e o aquecimento mais eficiente em edifícios, mas em que medida pode a inteligência de uma cidade ser quantificada? E é possível medir a qualidade de vida para uma área urbana através de parâmetros numéricos?

As respostas podem ter reflexo ao ser considerada a recolha de dados fiáveis e que posteriormente resultem em números que façam sentido. “Se os números não falarem, indicadores como a penetração de smartphones, geração de energia renovável e acesso à Internet, em casa, permanecem simplesmente estéreis”, indicam investigadores do projeto europeu Remourban. Diferentes organizações europeias estão a tentar identificar os melhores índices de inteligência urbana, mas Philippe Compère, do projeto europeu Remourban, indica que “as estatísticas estão geralmente em falta”.

“Algumas vilas e cidades carecem de informação”, por isso torna-se urgente a recolha de dados para todas as cidades europeias. Dados, que devem estar disponíveis para poderem ser analisados, consideram os investigadores envolvidos no projeto europeu para o desenvolvimento de um modelo de regeneração urbana replicável para cidades de médio porte, ou Remourban.

Os especialistas verificaram que nas cidades “há surpreendentemente mais lacunas no sector da energia do que em mobilidade ou tecnologia de informação, apesar de a energia ser uma prioridade estratégica em todos os países”. Uma realidade que é confrontada com o conceito de cidade inteligente.

Cidades inteligentes devem significar melhores serviços para os cidadãos, administrações mais responsáveis e menor impacto no meio ambiente. Neste contexto, é também possível medir o bem-estar das pessoas? Questionam os investigadores.

Nos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), e, desde 2014, “foram recolhidos dados e feitas comparações usando nove critérios”. Os dados incluem o acesso a serviços, relacionamento cívico, meio ambiente, rendimento individual, emprego e educação.

Mas, como referem os investigadores “não é fácil assegurar comparações internacionais para produzir um índice de satisfação de vida”. Para o economista da OCDE, Paolo Veneri, “este é um sinal da riqueza e diversidade dos vários lugares”.

Miimu Airaksinen, investigadora do Finnish Technical Research Centre, citada em comunicado, refere que “hoje estamos a falar muito sobre a Internet das coisas, mas devemos concentrar-nos mais sobre a Internet das coisas significativas”. Neste sentido, “os valores do indicador têm de ser flexíveis”.

Roberto Masiero, da Universidade IUAV de Veneza, exemplifica que “não é sobre o comprimento dos ciclos, mas sim o que eles significam para as pessoas”, e acrescenta que “isto pode referir-se a questões de segurança das crianças, aos aspetos culturais e de como as pessoas usam os espaços públicos”. Para este investigador “o foco não é quantos de nós são inteligentes, mas como”.

“Inteligência não é tecnologia”, diz Roberto Masiero. A inteligência passa pelos cidadãos e administração pública e pela relação que constroem, ou seja, uma cidade inteligente é “a capacidade e a oportunidade para que cada um possa ser um cidadão ativo”.

Por outro lado, Miimu Airaksinen acrescenta que “a qualidade de vida percecionada está dependente de relações familiares e de contexto”. Informação “que não está incluída na maioria dos sistemas, os quais levam apenas em conta as coisas quantificáveis​​”.

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