Os cigarros eletrónicos ou vapes podem libertar vapor em nuvens aromáticas. Os riscos para a saúde da inalação ativa ou passiva do vapor a não são totalmente compreendidos. Por isso, investigadores que publicaram um estudo preliminar na revista “Environmental Science & Technology“, da Sociedade Americana de Química.
O estudo sobre a persistência de vapores de vape em ambientes interiores mostrou que o vapor envelhecido continha partículas finas com diversos metais e compostos altamente reativos, que, juntos, produzem radicais que podem danificar o tecido pulmonar se forem inalados.
“Nosso estudo revela que o coquetel químico de nanopartículas metálicas e peróxidos reativos em aerossóis de cigarros eletrónicos envelhecidos cria um perfil único de riscos à saúde respiratória, destacando que o vapor passivo é algo que as pessoas ao redor não deveriam ter que respirar”, afirmou Ying-Hsuan Lin, da Universidade da Califórnia, Riverside.
Ao contrário dos cigarros tradicionais, os cigarros eletrónicos não produzem fumo; criam vapores que podem expor pessoas que não os utilizam a substâncias nocivas. Estudos iniciais mostraram que esses aerossóis de vaporização passivos contêm compostos orgânicos voláteis que reagem com o ozónio em ambientes fechados, criando novos compostos, como peróxidos. Além disso, os líquidos e as vaporizações geralmente contêm metais pesados, bem como outros metais que podem reagir facilmente com peróxidos para produzir compostos potencialmente danosos, como radicais livres.
Para compreender os potenciais efeitos na saúde das nuvens de vapores dos cigarros eletrônicos, Ying-Hsuan Lin e os outros investigadores envolvidos no estudo examinaram como o ozónio em ambientes fechados impacta a composição de metais e peróxidos dos aerossóis desses produtos. Eles também queriam observar o que acontece quando essas substâncias reagem em ambientes húmidos, simulando o que poderia ocorrer dentro dos pulmões.
Para as experiências, os investigadores criaram um líquido para vaporizador simplificado com um único ingrediente aromatizante (um terpeno com aroma floral) e sem nicotina, carregaram-no em duas diferentes canetas vaporizadoras com cartuchos recarregáveis e vaporizaram-no numa câmara com ozónio no ar. Após 90 minutos recolheram os aerossóis envelhecidos para análise. As partículas de ambas as canetas continham íons de ferro, alumínio e zinco, bem como traços de metais pesados como chumbo, arsênio e estanho. Os dois conjuntos de aerossóis envelhecidos apresentaram níveis semelhantes de peróxidos. As partículas menores, classificadas como partículas ultrafinas, continham percentagens mais altas de metais e compostos de peróxido, em comparação com os aerossóis maiores.
Para entender como os aerossóis envelhecidos reagem com os fluidos pulmonares, os investigadores colocaram as amostras em uma solução aquosa. Os aerossóis envelhecidos criaram radicais livres, sendo que as partículas ultrafinas produziram 100 vezes mais radicais em relação ao seu peso, quando comparadas às partículas maiores. Como as partículas ultrafinas podem penetrar profundamente nos pulmões humanos e atingir os alvéolos, estruturas sensíveis revestidas por fluido, os investigadores afirmaram que os resultados indicam o potencial dessas partículas para danificar o tecido pulmonar e reduzir a função respiratória.
Os investigadores reconhecem que o estudo foi realizado em condições controladas de laboratório e que mais são precisos mais estudos utilizando ambientes internos reais e líquidos para os cigarros eletrónicos disponíveis comercialmente.
Mas, os resultados sugerem que a exposição repetida a vapores de cigarros eletrónicos envelhecidos pode impactar negativamente a saúde pulmonar, especialmente em indivíduos com doenças pulmonares preexistentes, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).














