
O Regulamento europeu de informações eletrónicas sobre transporte de carga (eFTI, na sigla em inglês), que deverá entrar em vigor a partir de julho de 2027, vai ser debatido em Lisboa, entre os dias 11 e 13 de maio de 2026, por líderes europeus, decisores públicos e representantes do setor dos transportes e da logística.
O Regulamento europeu eFTI vai permitir às empresas de transporte e logística substituir a documentação em papel por informação eletrónica, e assim, reduzirem os custos administrativos e aumentando a eficiência das operações. Uma redução de custos que a Comissão Europeia estima em cerca de mil milhões de euros por ano, com reduções que podem atingir os 30% dos custos operacionais das empresas.
O regulamento eFTI que, irá ser aplicado em todos os Estados-Membros, criará um quadro comum para a troca eletrónica de informações no transporte de mercadorias. Assim, a partir de 9 de julho de 2027, as autoridades de fiscalização do setor de todos os Estados-Membros da União Europeia (UE) ficam obrigadas a aceitar dados eletrónicos quando partilhados pelas empresas através de plataformas eFTI certificadas.
Com a implementação do eFTI é esperado que facilitar também a partilha de informações entre empresas, tornando os processos logísticos mais eficientes e resilientes, permitindo que a informação seja mais segura, atualizada e padronizada.
No entender do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), em Portugal, a implementação do regulamento eFTI representa uma oportunidade estratégica para modernizar o setor dos transportes e reforçar a competitividade das empresas nacionais, em particular num contexto de forte concorrência internacional, crescente pressão sobre custos operacionais e incerteza geopolítica.
O IMT anunciou que Portugal vai acolher uma reunião técnica internacional sobre eFTI de 11 a 13 de maio de 2026, no âmbito do projeto eFTI4EU, financiado pela União Europeia, onde é esperado um debate sobre os impactos económicos e operacionais do novo Regulamento. A reunião irá decorrer nas instalações do IMT em Lisboa.
O encontro vai reunir representantes de vários Estados-Membros e da Comissão Europeia, assumindo o IMT um papel central na transição para a troca eletrónica de informações, em alinhamento com as orientações europeias e, consequentemente, na modernização do setor do transporte de mercadorias.
Da agenda da faz também parte, no dia 13 de maio, um Dia Aberto dedicado ao eFTI e à digitalização do transporte de mercadorias que terá lugar no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). A iniciativa irá contar com especialistas nacionais e internacionais, decisores públicos e representantes empresariais, para debater os principais avanços, desafios e oportunidades associados à digitalização do transporte de mercadorias.
Para o IMT a substituição dos processos em papel pela digitalização da documentação de transporte representa uma mudança estrutural com impacto direto na competitividade das empresas. Para além da redução de custos com impressão, arquivo e gestão manual de documentos, os operadores passam a beneficiar de:
- Operações mais rápidas, com envio e disponibilização digital de informação às autoridades competentes em tempo real;
- Menos erros administrativos, através da eliminação de tarefas redundantes e duplicação de dados;
- Maior produtividade, com melhor gestão de recursos e ganhos operacionais:
- Redução de atrasos, com menos paragens e tempos de inspeção mais curtos.
No atual cenário de crescente volatilidade internacional, o IMT considera que o Regulamento eFTI é um instrumento estratégico para reforçar a continuidade e a resiliência das cadeias de abastecimento ao aumentar a visibilidade do transporte de mercadorias e permitir respostas mais rápidas a crises como pandemias, conflitos ou disrupções energéticas.
Para o IMT a simplificação das operações transfronteiriças e a redução de barreiras administrativas irão promover um mercado europeu mais equitativo, que poderá beneficiar especialmente as pequenas e médias empresas no acesso ao comércio internacional.













