O grupo farmacêutico Recordati lembra, em comunicado, no âmbito do mês de sensibilização para o Cancro da Próstata, que o alerta vai para as barreiras psicológicas e sociais que levam os homens a adiar a ida ao urologista, e para as consequências críticas de um diagnóstico tardio.
Dados da Agência Internacional para a investigação em Cancro da Organização Mundial da Saúde (OMS), citados pela Recordati indicam que o cancro da próstata é atualmente o segundo tumor mais diagnosticado entre os homens a nível mundial, com mais de 1,4 milhões de novos casos por ano. Em Portugal o número de novos casos por ano é estimado em 7.500.
No entanto, os dados de projeções da OMS apontam que o número global de diagnósticos da patologia poderá duplicar até 2040, e atingir a barreira dos 2,9 milhões de casos. Um aumento que a OMS indica ser impulsionado, em grande parte, pelo envelhecimento populacional e pelo aumento da esperança média de vida.
Dados da Liga Portuguesa Contra o Cancro, referidos pela Recordati, indicam que em média, é estimado que 1 em cada 6 homens venha a ter um diagnosticado de cancro da próstata ao longo da vida.
Tendo em consideração os dados e as projeções, a Recordati indicou que os especialistas reforçam que a prevenção, o acompanhamento regular e o diagnóstico precoce continuam a ser fundamentais para reduzir o impacto da doença e aumentar as hipóteses de tratamento eficaz.
Estigma do silêncio e sinais de alerta
Em comunicado o grupo farmacêutico Recordati refere que apesar da elevada prevalência e dos avisos claros de que a deteção atempada oferece taxas de sobrevivência e de cura muito elevadas, adiar a avaliação médica continua a ser um comportamento comum, que bem se enquadra no mote do mês de sensibilização “A consulta que ficou para depois”.
Um silêncio masculino que é alimentado por barreiras psicológicas profundas, onde se encontram: a tendência para desvalorizar os sintomas, o desconforto em falar sobre a saúde masculina, o receio do diagnóstico ou o estigma e vergonha associados a possíveis alterações da função sexual ou urinária.
Mas, os especialistas vêm reforçar que procurar ajuda pode fazer toda a diferença no prognóstico da doença, e que adiar é comum, mas ignorar é perigoso.
A Recordati lembra, no comunicado, que muitos homens continuam também a interpretar sintomas urinários como uma consequência inevitável do envelhecimento, o que leva ao atraso na procura de ajuda médica e contribui para diagnósticos mais tardios. Mas, para além do impacto clínico, alterações persistentes podem afetar significativamente o sono, a autoestima, a vida profissional e as relações pessoais, comprometendo progressivamente a qualidade de vida.
A idade média de diagnóstico situa-se nos 65 anos, sendo os casos mais prevalentes a partir dos 50 anos, como indica o Instituto da Próstata, citado pela Recordati. Nesta linha, o grupo farmacêutico considera ser necessário trabalhar para aumentar a consciencialização para uma patologia que, em muitos casos, evolui silenciosamente de forma assintomática durante anos, surgindo as queixas frequentemente já em fases mais avançadas.
Para além da idade, existem outros fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença, como o histórico familiar de cancro da próstata, excesso de peso, sedentarismo ou determinadas alterações genéticas hereditárias. Por isso, os especialistas recomendam maior vigilância sobretudo a partir dos 50 anos ou mais cedo em homens com antecedentes familiares.
A Recordati também lembra que embora a doença possa não apresentar sinais numa fase inicial, existem sintomas aos quais os homens devem estar atentos, sobretudo quando persistem no tempo, e que de acordo com o Instituto da Próstata, os sinais mais frequentes incluem:
- Necessidade frequente de urinar, especialmente durante a noite;
- Dificuldade em iniciar ou interromper a micção;
- Jato urinário fraco ou interrompido;
- Sensação de não esvaziar completamente a bexiga;
- Ardor ou dor ao urinar;
- Presença de sangue na urina;
- Dor lombar ou pélvica persistente;
- Cansaço inexplicável e perda de peso em fases mais avançadas.
Os sintomas podem também estar associados a outras condições benignas que afetam significativamente o bem-estar e a qualidade de vida, como a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP), no entanto, os especialistas alertam para a importância de não ignorar alterações persistentes. O mais importante é agir atempadamente e procurar acompanhamento médico perante sintomas que persistem ou interferem com a qualidade de vida.
É sabido que se identificado precocemente, o Cancro da Próstata apresenta taxas de sobrevivência muito elevadas, pelo que a importância do acompanhamento regular e da valorização dos sinais de alerta.
“A ideia de que os homens evitam ir ao médico por desleixo não corresponde totalmente à realidade. Muitas vezes existe medo, vergonha ou dificuldade em reconhecer que determinados sintomas justificam avaliação médica. O maior desafio que enfrentamos no consultório é o timing. Recebemos demasiados doentes que atrasaram a avaliação por acreditarem que a ausência de dor significava ausência de doença. O toque retal (palpação da próstata para detetar a existência de nódulos ou áreas irregulares, com consistência dura) e a análise do PSA (antígeno específico da próstata) são dois exames essenciais para a avaliação clínica. O diagnóstico precoce continua a ser o fator mais importante para melhorar o prognóstico: quanto mais cedo houver avaliação, maiores serão as opções terapêuticas e menor o impacto na qualidade de vida”, explicou, citado em comunicado da Recordati, José Santos Dias, médico urologista e Diretor Clínico do Instituto da Próstata.
A Associação Portuguesa dos Doentes da Próstata (APDP) tem vindo a alertar para a necessidade de combater o estigma associado às doenças da próstata.
“O cancro da próstata tem hoje uma taxa de sobrevivência elevada quando diagnosticado precocemente. No entanto, muitos homens evitam procurar ajuda médica por receio de falar sobre sintomas urológicos, tais como a incontinência urinária, e pela possível alteração da função sexual. Precisamos de promover uma literacia em saúde mais robusta e diminuir o estigma que existe em relação à doença. Ir ao urologista não é um sinal de vulnerabilidade; é um ato de responsabilidade. Não podemos deixar para depois a consulta que nos pode salvar a vida”, referiu, citado pela Recordati, José Graça, Vice-Presidente da APDP.
Quebrar o silêncio sobre a saúde da próstata
Para contribuir com informada sobre saúde masculina, a plataforma digital prostata-hbp.pt, promovida pela Recordati Portugal, disponibiliza conteúdos claros e acessíveis sobre as patologias da próstata, sintomas urinários e sinais de alerta. Um recurso que ajuda a clarificar mitos e a preparar a conversa com o médico assistente, incentivando os homens a procurarem acompanhamento sem receio ou constrangimento.
A Recordati conclui que prevenir e acompanhar a saúde da próstata deve deixar de ser um tabu partilhado em silêncio. No Cancro da Próstata, a literacia em saúde assume-se como o primeiro passo para que “a consulta que ficou para depois” passe a ser a prioridade de hoje e possa fazer toda a diferença no momento do diagnóstico.















