Na Europa como nos EUA, os últimos dias têm sido de muito calor. Se na Europa a situação de calor já poderá ter levado à morte pessoas em França. Quando de disputa o Mundial de futebol 2026 em locais com condições climáticas muito diferentes entre si, em algumas cidades do México e dos Estados Unidos, os jogadores podem enfrentar temperaturas elevadas, forte exposição solar e, em certos casos, humidade intensa.
Num contexto de Mundial de Futebol o calor é um fator desportivo e sanitário importante, pois também interfere na forma como o organismo responde aos esforços repetidos ao longo de 90 minutos de jogo.
No futebol de alto nível, o desempenho depende de ações breves e muito exigentes: sprints, mudanças de direção, saltos, acelerações e recuperações incompletas entre jogadas.
Especialistas de saúde da Blua de Sanitas explicam que quando a temperatura ambiente é elevada, o corpo tem de dedicar parte dos seus recursos à dissipação do calor. Para tal, aumenta a transpiração e desvia mais fluxo sanguíneo para a pele e, consequentemente, o músculo dispõe de menos margem para sustentar esforços intensos, obrigando o coração a trabalhar com uma carga adicional.
“Num jogo com calor, o futebolista não se cansa apenas por correr muito, mas porque o seu organismo está a competir simultaneamente contra o adversário e contra a temperatura. A frequência cardíaca sobe mais rapidamente, perde-se mais líquidos e cada sprint tem um impacto maior na ação seguinte. Isto pode fazer com que o jogador chegue atrasado a uma marcação, reduza a velocidade máxima que consegue manter ou precise de mais tempo para recuperar após um esforço intenso”, explicou, citado em comunicado, Alejandro Maroto, treinador da Blua de Sanitas, empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa.
O impacto também é visível na tomada de decisões. Em desportos como o futebol, onde muitas jogadas se decidem em segundos, a fadiga térmica afeta a clareza mental, a coordenação e a precisão técnica. Um jogador desidratado ou com temperatura corporal elevada pode fazer uma escolha menos acertada no passe, calcular mal uma entrada ou cometer erros que normalmente não ocorreriam em condições ambientais mais habituais, explicam as especialistas da Blua de Sanitas.
Mas o calor não afeta apenas os profissionais na jogo de futebol. Durante o verão, muitas pessoas tentam manter a mesma rotina de exercício físico que nos outros meses, praticando atividades como padel, ciclismo ou corrida, sem ajustar os horários, a intensidade ou os períodos de descanso. No entanto, um treino habitual pode tornar-se um esforço excessivo quando realizado com calor, especialmente em desportos de alta intensidade, sessões longas ou atividades ao ar livre.
Perante esta situação, os especialistas da Sanitas recomendam que se tenham em conta algumas orientações para praticar desporto com segurança nos dias de calor, nomeadamente:
■ Reduzir a intensidade desde o primeiro bloco de treino. Em dias de calor intenso, não é aconselhável começar ao ritmo habitual. A sessão deve ser planeada de forma adaptada, com menos séries, mais tempo de recuperação entre os esforços e objetivos de intensidade mais moderados. Na corrida, pode ser útil diminuir o ritmo previsto em 15 a 30 segundos por quilómetro se a sensação térmica for elevada.
■ Hidratar-se antes de sentir sede. A sede costuma surgir quando já existe um certo grau de desidratação. Em treinos com duração superior a 45-60 minutos ou em que se transpira muito, a água pode não ser suficiente, sendo aconselhável considerar bebidas com eletrólitos. Uma dica prática é observar a cor da urina antes de sair, pois, se estiver muito escura, é preferível adiar ou reduzir a intensidade da sessão.
■ Evitar treinos de alta intensidade nas horas do meio do dia. As sessões de séries, treino em subida, HIIT ou jogos intensos devem ser reservadas para o início da manhã ou o final da tarde. Se só for possível treinar com calor, é mais seguro optar por exercícios de mobilidade, técnica, força controlada ou exercícios de baixa intensidade.
■ Escolher bem o terreno e a exposição solar. Não é a mesma coisa correr no asfalto sob o sol forte do que num parque com sombra. As superfícies duras acumulam calor e aumentam a sensação térmica. Em desportos como o padel, o ténis ou o futebol, é aconselhável dar preferência a recintos cobertos ou fazer pausas programadas a cada poucos minutos.
■Verificar a roupa e o equipamento. As peças de roupa escuras, justas ou pouco respiráveis dificultam a dissipação do calor. É preferível usar roupa leve, um boné em caso de exposição solar direta e também protetor solar para a pele. Em percursos longos, é indispensável levar bebida.
■ Interromper a atividade ao primeiro sinal de alerta. Tonturas, calafrios, náuseas, dor de cabeça intensa, cãibras persistentes, confusão ou perda de coordenação são motivos para interromper a atividade imediatamente. Nesses casos, é necessário procurar sombra, refrescar o corpo, beber líquidos gradualmente e pedir ajuda se os sintomas não melhorarem.
“Treinar com calor exige uma mudança de mentalidade. Não se trata de demonstrar resistência, mas sim de ajustar a intensidade para que o exercício continue a ser saudável. No verão, uma sessão inteligente pode consistir em fazer menos volume, descansar mais e terminar com boas sensações. Forçar quando o corpo já não regula bem a temperatura aumenta o risco de esgotamento, lesão ou insolação”, conclui o treinador pessoal da Blua de Sanitas.















