Faixa de Gaza tem cada vez menos espaço e condições para se viver

Faixa de Gaza tem cada vez menos espaço e condições para se viver
Faixa de Gaza tem cada vez menos espaço e condições para se viver. Foto: ©OMS/arquivo

O último relatório sobre a situação na Faixa de Gaza, do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, indica que os palestinianos, incluindo os trabalhadores humanitários, continuam expostos a ataques aéreos e a outras atividades militares israelitas.

Para os palestinianos em Gaza, a deslocalização, a superlotação devido ao aumento de áreas interditas, e o acesso limitado a serviços básicos continuam a comprometer a segurança, a dignidade e a aumentar os riscos para a saúde.

Dados do Ministério da Saúde em Gaza indicam que entre 24 e 30 de junho foram mortos 23 palestinianos, um corpo foi recuperado, um morreu em consequência de ferimentos e 112 outras pessoas ficaram feridas. Assim, o número total de vítimas relatado desde o anúncio do acordo de cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, será de 1.053 mortos e 3.406 feridos.

Em 29 de junho, uma mãe e filha bebé terão sido mortas num ataque aéreo na área de Al Mawasi, em Khan Younis. O ataque também terá destruído as tendas de mais de 150 famílias e danificado as de outras 250. Os afetados estão a receber assistência da ONU e dos parceiros humanitários.

No dia 27 de junho, uma criança de cinco anos morreu devido a ferimentos sofridos durante um ataque aéreo no dia 23 de junho. A criança estava próxima de um espaço de aprendizagem temporário. Noutro incidente uma jovem de 17 anos – uma das Jovens Embaixadoras do UNICEF – foi morta quando caminhava para fazer uma prova do ensino.

Entre 26 e 27 de junho, mais de 20 famílias foram deslocadas da província de Deir al-Balah, no leste do país, e mais de uma dúzia da cidade de Gaza, também no leste. Os recém-deslocados relataram que receberam ordens para deixar suas casas através de ordens feitas por drones ou fugiram à medida que as forças israelitas avançavam em direção às suas residências, lançando munições explosivas do ar.

Na província de Deir al-Balah foram instalados novos blocos de cimento amarelo sinalizando uma expansão maior das áreas agora interditadas. No dia 1 de julho, a Equipa Humanitária do País – que reúne os chefes das entidades da ONU e ONGs que atuam nos Territórios Palestinos Ocupados – alertou que a contínua expansão das áreas sob controlo israelita coloca em risco as pessoas e os esforços da ajuda humanitária.

As agências humanitárias de apoio à saúde alertaram para um aumento nos casos de varicela na Faixa de Gaza. Em apenas duas semanas, foram registados quase 9.300 casos em mais de 130 unidades de saúde. Mais da metade dos casos ocorreu em Khan Younis.

O surgimento da varicela é atribuída ao aumento da deterioração das condições ambientais, à superlotação, às deficiências de saneamento e higiene, bem como à chegada do verão. As agências humanitárias estão a fornecer anti-histamínicos, antibióticos, medicamentos para baixar a febre e outros medicamentos essenciais.

Os riscos para a saúde são ainda agravados pela infestação generalizada de ratos e ectoparasitas, bem como esgotos nas ruas, acumular de lixo sólido, água parada e condições sanitárias precárias.