
As redes sociais estão cheias de vídeos sobre como branquear os dentes, corrigir os espaços entre os dentes ou aliviar o bruxismo com um exercício simples. Vídeos que que prometem melhorar a saúde e a estética da boca com remédios caseiros, desde o limão com bicarbonato até ao óleo de coco ou aos elásticos.
Uma variedade de vídeos, em que uns apresentam conselhos sem grandes consequências, outros, como indicam os especialistas da Sanitas Dental – empresa ibérica pertencente à seguradora Bupa – levam que, parecendo truques simples e acessíveis, provocam danos reais nos dentes, nas gengivas e na articulação mandibular.
O Barómetro da Saúde Oral da Ordem dos Médicos Dentistas aponta que as patologias orais e a perda dentária afetam 64,6% dos portugueses, com 23,1% a afirmarem que já se sentiram envergonhados devido à aparência dos dentes. Quando a estética dentária leva a mal-estar, a probabilidade da pessoa procurar remédios rápidos e aparentemente simples aumenta, como aumentam de riscos para a saúde da boca e dentes.
“Um dos principais riscos destes conselhos é converterem problemas clínicos em desafios caseiros. Uma alteração na cor, um espaço entre os dentes, dor mandibular ou um incómodo nas gengivas podem ter causas muito diferentes. Sem uma consulta prévia, é possível que se realize um procedimento inadequado que piore o problema e atrase um tratamento de que realmente se necessitava”, explicou, citada em comunicado, Lorena Trinidad, médica dentista da equipa Assistência e Inovação Clínica da Sanitas Dental.
Nas redes sociais, entre os conteúdos mais habituais, encontram-se os remédios caseiros para branquear os dentes. Destacam-se o carvão ativo, o bicarbonato misturado com limão ou a água oxigenada de uso doméstico, que se popularizaram para suposto branqueamento. “O problema é que alguns destes produtos podem ser abrasivos ou demasiado ácidos para o esmalte. Quando a superfície dentária se desgasta, a sensibilidade aumenta e o dente ganha um tom mais amarelado, já que a dentina fica mais exposta”, acrescentou a médica dentista da Sanitas Dental.
Para as cáries ou para a inflamação das gengivas circulam alegadas soluções, como os bochechos prolongados com óleo de coco, a curcuma ou o cravinho. Algumas práticas podem gerar uma sensação temporária de alívio, mas não eliminam uma cárie já formada nem substituem uma avaliação por um médico dentista.
Com indicam os especialistas da Sanitas Dental, a cárie é um processo de destruição progressiva do tecido dentário e necessita de diagnóstico, acompanhamento e tratamento adaptado à sua evolução.
Massagens, exercícios de mandíbula ou técnicas de relaxamento são apresentadas como a “cura definitiva” para o bruxismo. No entanto, nem sempre respondem à origem do problema. Apesar de muitas vezes o ranger de dentes ou a sensação de dor mandibular estarem relacionados com o stress, o bruxismo também pode estar associado a alterações do sono, problemas musculares ou fatores dentários, pelo que o médico dentista avaliará cada caso.
Para juntar dentes ou fechar espaços surgem diversos vídeos com soluções, como: uso de elásticos, bandas compradas online ou alinhadores sem supervisão. Os especialistas referem que mover um dente afeta o osso, a gengiva, a raíz e o ligamento periodontal. Assim, uma força mal aplicada pode gerar retração das gengivas, mobilidade dentária, alterações na mordida ou perda de suporte.
“Nas redes sociais circulam com muita facilidade os remédios que prometem mudanças em poucos dias porque reduzem a sensação de espera e de esforço. Quando uma pessoa está há algum tempo preocupada com o seu sorriso, um vídeo deste tipo pode parecer mais convincente do que uma explicação clínica mais prudente. Por isso, é importante educar também para o pensamento crítico: o facto de algo ter muitas visualizações não significa que seja seguro, nem eficaz”, indicou, citado em comunicado, Pablo Ramos, psicólogo da Blua de Sanitas.
Perante esta situação, os especialistas da Sanitas Dental recomendam algumas diretrizes para proteger a saúde oral e evitar danos:
■ Distanciar-se de promessas de resultados imediatos. Uma mudança muito rápida na cor, na forma ou na posição dos dentes nem sempre é um bom sinal. Por vezes, o que parece eficaz pode dever-se a uma agressão ao esmalte, a uma irritação da gengiva ou a uma força mal aplicada.
■ Ter cuidado com a aplicação de produtos quotidianos nos dentes e nas gengivas. Limão, vinagre, carvão ativo, bicarbonato utilizado de forma repetida, ou água oxigenada de uso doméstico, alteram a superfície dentária e irritam a mucosa. O facto de um produto estar presente em casa não significa que seja seguro para modificar a cor dos dentes sem supervisão profissional.
■ Os dentes não devem ser movidos com métodos caseiros. Fechar espaços, corrigir apinhamentos ou modificar a mordida requer diagnóstico e acompanhamento. Os elásticos, as bandas não indicadas ou os alinhadores sem controlo profissional podem deslocar os dentes de forma inadequada e afetar gengivas, raízes e osso.
■ Avaliar a dor mandibular, o desgaste dentário ou a sensibilidade persistente. Estes sintomas costumam estar relacionados com bruxismo, cáries, inflamação das gengivas ou outros problemas. Tentar compensá-los com exercícios vistos nas redes sociais contribui para atrasar o diagnóstico.
■ A prevenção continua a residir nos hábitos básicos. A escovagem com pasta fluoretada, a higiene interdentária e as consultas de rotina periódicas, continuam a ser as medidas mais eficazes para prevenir problemas frequentes. Antes de experimentar um remédio viral, convém consultar um profissional para saber se faz sentido e se pode ser prejudicial no seu caso específico.














