
Estudo mostra que jovens adultos com idade média de 19 anos que vivenciaram quatro ou mais experiências adversas na infância apresentaram taxas substancialmente mais elevadas de depressão, pensamento suicida, uso de drogas pesadas e violência interpessoal do que os jovens que não vivenciaram (que acordo com os seus relatos) nenhuma adversidade na infância.
A equipa do estudo referiu que ter sofrido abuso emocional, abuso sexual, discriminação e presenciar violência doméstica foram os fatores que apresentaram as associações mais fortes e consistentes com problemas de saúde e outros resultados negativos, como é indicado no estudo já publicado no “JAMA Network Open”.
Para Jeff Temple, da Escola de Ciências da Saúde Comportamental do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston, e primeiro autor do estudo as descobertas são notáveis, porque, diferentemente de muitos estudos anteriores, os participantes foram avaliados relativamente perto do momento em que sofreram adversidades na infância. O investigador explicou que outros estudos têm sido normalmente conduzidos com adultos que já se passaram várias décadas desde a infância.
“Existem poucas transições na vida – da pré-adolescência para a adolescência e depois da adolescência para a vida adulta jovem – que realmente definem quem somos em termos de desenvolvimento da identidade e comportamento de risco”, referiu Jeff Temple.
“A transição para a vida adulta é um período de desenvolvimento particularmente importante, e o que acontece durante esses anos pode ter implicações para a saúde, os relacionamentos e a educação até a vida adulta”, acrescentou o investigador.
Mas o estudo de Jeff Temple também pode ser considerado singular por avaliar tanto as experiências adversas convencionais na infância quanto as adversidades na infância ao nível comunitário.
A equipa de estudo avaliou experiências adversas na infância em 1.850 jovens adultos usando a pesquisa Philadelphia ACEs, uma escala de 21 itens que abrange tanto a adversidade infantil convencional quanto a adversidade infantil em nível comunitário.
Os eventos convencionais incluídos no estudo abrangem abuso emocional ou físico, abuso sexual, negligência emocional ou física, presenciar violência doméstica, abuso de substâncias no domicílio, doença mental no domicílio ou ter um membro da família na prisão. Os eventos em nível comunitário incluem presenciar violência, sofrer discriminação, ser vítima de bullying ou sentir-se sem segurança na vizinhança.
“Os jovens adultos que ainda estão relativamente próximos no tempo dessas experiências já apresentam diferenças substanciais em saúde mental, relacionamentos, uso de substâncias e resultados educacionais”, esclareceu o investigador, e acrescentou: “E havia um padrão claro: à medida que o número de experiências adversas na infância aumentava, os resultados geralmente pioravam.”
Como referiu Jeff Temple, os resultados do estudo apontam para a importância prevenir adversidades na infância como de intervir durante o início da vida adulta.
“Obviamente, queremos evitar que essas experiências aconteçam em primeiro lugar, mas o início da vida adulta também nos oferece uma janela importante para intervir antes que esses padrões se tornem mais arraigados”, disse Jeff Temple. “Isto significa identificar jovens que vivenciaram adversidades significativas e liga-los a serviços de apoio com foco em trauma, além de abordar fatores mais amplos, como segurança no bairro e discriminação, que contribuem para o risco.”














