As semelhanças entre a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Rainha Santa Isabel da Hungria
Há histórias que atravessam fronteiras, vencem séculos e parecem repetir-se como se a História, de vez em quando, gostasse de esconder nas suas páginas os mesmos símbolos, à espera de alguém que os descubra. A lenda do milagre das rosas é uma dessas histórias, associada a duas mulheres que viveram em cortes medievais europeias, conheceram de perto o poder, fizeram da caridade uma missão e acabaram por ser veneradas como santas. Uma foi Isabel da Hungria, princesa da dinastia dos Árpades, que viveu no século XIII; a outra, Isabel de Aragão, rainha de Portugal, que a memória coletiva consagrou como Rainha Santa Isabel. Entre ambas existe uma proximidade histórica e espiritual que merece ser explorada, mas também um pormenor fascinante que importa esclarecer desde o início: o milagre das rosas está associado às duas santas, embora as versões da lenda não tenham exatamente a mesma origem nem a mesma solidez documental.
É precisamente aqui que começa a viagem, porque, quando duas figuras separadas por centenas de quilómetros partilham um nome, uma vocação religiosa, uma condição régia e uma narrativa lendária tão semelhante, vale a pena perguntar o que as aproxima, como se formou essa tradição e de que maneira a memória de ambas transformou a caridade numa das imagens mais duradouras da santidade medieval.
Duas Isabeles, uma mesma Europa medieval
Para compreender esta aproximação, temos de recuar ao século XIII, uma época em que a Europa era atravessada por rivalidades dinásticas, alianças matrimoniais, conflitos entre monarquias e poderes senhoriais, mas também por uma profunda religiosidade, na qual a assistência aos pobres, a proteção dos doentes e a fundação de hospitais constituíam expressões concretas da fé cristã. Foi neste mundo, muito diferente do nosso, que nasceram duas mulheres destinadas a ficar na memória coletiva não apenas pelo sangue régio que lhes corria nas veias, mas sobretudo pela maneira como procuraram colocar a riqueza e a posição social ao serviço dos mais desfavorecidos.
Isabel da Hungria nasceu em 1207, filha do rei André II da Hungria, e foi ainda muito jovem enviada para a Turíngia, no território da atual Alemanha, onde casou com Luís IV, landgrave da Turíngia. A sua vida, porém, não correspondeu ao modelo de existência faustosa que tantas vezes associamos às princesas medievais, pois Isabel desenvolveu uma relação muito próxima com os pobres, os doentes e aqueles que viviam à margem da sociedade, promovendo obras de assistência e participando pessoalmente em atos de caridade. Depois da morte prematura do marido, em 1227, dedicou-se ainda mais intensamente à assistência aos necessitados, tendo vivido os últimos anos em Marburgo, onde morreu em 1231, com apenas 24 anos. A sua fama de santidade espalhou-se rapidamente e foi canonizada pelo papa Gregório IX em 1235, apenas quatro anos depois da sua morte, num processo que demonstra a extraordinária repercussão que a sua vida alcançou no mundo cristão.
Quase quatro décadas depois do nascimento de Isabel da Hungria, veio ao mundo, em 1271, Isabel de Aragão, filha do rei Pedro III de Aragão, que viria a casar com D. Dinis, sexto rei de Portugal, em 1282. E é aqui que a História nos oferece uma ligação que torna esta comparação ainda mais fascinante: Santa Isabel da Hungria era tia-avó da Rainha Santa Isabel de Portugal, uma relação de parentesco que aproxima duas mulheres da mesma família alargada, ligadas pelas complexas redes dinásticas que uniam as casas reinantes da Europa medieval. A rainha portuguesa era descendente da linhagem familiar em que se integrava a santa húngara, pelo que a semelhança entre as duas não se limita à coincidência de nomes ou à partilha de uma tradição religiosa.
A princesa aragonesa chegou a Portugal ainda adolescente e encontrou uma corte onde o exercício do poder, a administração do reino e a vida religiosa coexistiam num equilíbrio nem sempre simples, mas viria a construir uma identidade própria, marcada pela assistência aos pobres, pelo apoio a instituições religiosas e hospitalares e pela intervenção em conflitos que ameaçavam a paz do reino. A sua ação ficou ligada à proteção dos mais vulneráveis e à capacidade de intervir em momentos de tensão política, incluindo as disputas entre D. Dinis e o seu filho, o futuro D. Afonso IV. Morreu em Estremoz, em 1336, e foi canonizada pelo papa Urbano VIII em 1625.
Temos, assim, duas mulheres de sangue régio, pertencentes à mesma família alargada e separadas por várias décadas, que viveram em contextos políticos diferentes, mas partilharam uma conceção da fé que não se esgotava na oração, nos rituais ou na magnificência das cerimónias da corte. Para ambas, a devoção religiosa exigia consequências práticas, significando alimentar quem tinha fome, amparar quem estava doente e reconhecer dignidade a quem a sociedade medieval frequentemente relegava para os lugares mais baixos da hierarquia social. É precisamente nesta convergência entre linhagem, poder e caridade que encontramos a primeira grande semelhança entre as duas Isabeles, antes mesmo de chegarmos às rosas que haveriam de as unir na imaginação popular.
O pão escondido debaixo do manto
Imaginemos agora uma cena de Inverno, um castelo medieval, os corredores de pedra e uma mulher que abandona a segurança da corte levando consigo alimentos destinados a quem pouco ou nada tem para comer. O gesto parece simples, quase banal aos olhos de quem vive num mundo onde a caridade é frequentemente reduzida a uma transferência bancária ou a uma campanha de recolha de alimentos, mas, na sociedade medieval, a distribuição de pão aos pobres podia adquirir uma dimensão social e religiosa extraordinária, sobretudo quando praticada por alguém que ocupava uma posição tão elevada na hierarquia política.
É neste cenário que surge a narrativa que tornou célebres as duas santas. Na versão associada a Isabel da Hungria, a princesa transportaria alimentos para os pobres, escondidos nas dobras do manto, quando se cruzou com o marido, Luís da Turíngia, ou, segundo algumas variantes, com outros membros da família senhorial. Questionada sobre o que levava, teria respondido que eram rosas; ao abrir o manto, em vez do pão que transportava, surgiriam flores, num acontecimento interpretado como sinal da proteção divina sobre a sua caridade. Na versão portuguesa, a cena ganhou uma expressão verbal que se tornou inseparável da identidade nacional da Rainha Santa: Isabel de Portugal levava pães no regaço para os distribuir aos necessitados quando D. Dinis a surpreendeu e lhe perguntou o que escondia. A resposta, segundo a tradição, foi imediata: «São rosas, meu Senhor». O rei, estranhando a existência de rosas em pleno Inverno, terá insistido, e a rainha abriu o regaço, revelando as flores onde deveriam estar os pães.
A semelhança é evidente e não se limita à presença das rosas. Nas duas histórias encontramos uma mulher de sangue real, alimentos destinados aos pobres, um gesto de caridade que suscita uma pergunta e uma resposta que transforma uma situação potencialmente embaraçosa num episódio de significado sobrenatural. O manto ou o regaço funciona como o lugar do segredo, o pão representa a necessidade material e as rosas constituem o sinal visível de uma realidade que ultrapassa a simples troca de objetos. A própria estação do ano, frequentemente apresentada como Inverno, reforça o carácter extraordinário do acontecimento, porque a flor aparece quando a natureza parece negar a sua existência, fazendo da rosa não apenas uma planta, mas uma imagem de esperança, pureza e abundância inesperada.
Há, contudo, uma diferença importante que merece ser sublinhada. Na tradição portuguesa, a pergunta atribuída a D. Dinis e a resposta da rainha ganharam uma formulação particularmente memorável, repetida de geração em geração, ao ponto de a expressão «São rosas, meu Senhor» se ter convertido numa espécie de senha cultural, imediatamente reconhecida mesmo por quem pouco sabe sobre a vida da soberana. No caso húngaro, a narrativa também apresenta o marido a interrogar Isabel, mas as versões variam nos pormenores, na identidade de quem a surpreende e no próprio desenvolvimento do episódio. A tradição popular aproximou as duas histórias até quase as tornar gémeas, mas o historiador tem de resistir à tentação de as tratar como relatos documentais de acontecimentos comprovados, distinguindo a memória religiosa daquilo que as fontes permitem efectivamente demonstrar.
O que nos dizem, afinal, os documentos históricos?
É aqui que a investigação histórica se torna particularmente interessante, porque a semelhança entre as duas lendas não significa que estejamos perante dois acontecimentos comprovados, nem permite concluir, sem mais provas, que uma narrativa foi simplesmente copiada da outra. A hagiografia, isto é, a escrita das vidas dos santos, obedecia a convenções próprias, valorizando virtudes, episódios exemplares e sinais extraordinários que permitissem transmitir aos fiéis uma imagem concreta da santidade. Ao longo da Idade Média, estas narrativas circularam entre mosteiros, ordens religiosas, cortes e comunidades de peregrinos, sendo adaptadas a diferentes contextos e adquirindo novos pormenores à medida que os cultos se desenvolviam.
No caso de Isabel da Hungria, dispomos de documentação muito próxima da sua morte, incluindo testemunhos de mulheres que conviveram com ela e registos associados ao seu processo de canonização, iniciado pouco depois de 1231. Esses documentos permitem conhecer aspetos importantes da sua caridade e da sua espiritualidade, mas a célebre cena dos pães transformados em rosas não aparece nos primeiros testemunhos conhecidos com a mesma configuração que alcançaria nas versões posteriores da lenda. A investigação historiográfica tem, por isso, chamado a atenção para a distância entre a documentação inicial e a tradição popular que se consolidou mais tarde.
A situação portuguesa oferece uma pista igualmente reveladora. Num estudo académico publicado em 2015 no Boletim de Estudos Clássicos, Helena Maria Ribeiro Almeida Costa Toipa analisou a narrativa do milagre das rosas na biografia latina da Rainha Santa Isabel escrita pelo jesuíta Pedro João Perpinhão entre 1557 e 1561. A autora salienta que, segundo o próprio Perpinhão, o episódio não figurava nos documentos escritos anteriores relativos à vida da rainha, sendo conhecido através da tradição oral. O relato escrito que hoje associamos tão intimamente à soberana portuguesa terá, portanto, adquirido forma literária num contexto bastante posterior à sua morte, embora isso não permita determinar com exatidão quando nasceu a lenda ou como circulou nas suas primeiras versões.
Este pormenor altera a maneira como devemos olhar para a história. Não estamos obrigados a escolher entre acreditar ingenuamente em todos os detalhes da narrativa ou rejeitar a importância da tradição por não dispormos de provas documentais suficientes para confirmar o milagre. O trabalho do historiador consiste precisamente em distinguir planos diferentes: a existência histórica das duas mulheres, a documentação das suas práticas de caridade, a evolução dos respetivos cultos e a construção de uma memória religiosa que encontrou nas rosas uma das suas imagens mais poderosas.
E há um aspeto que merece especial atenção: a lenda das rosas não pertence exclusivamente a estas duas Isabeles. Narrativas semelhantes foram também associadas a outras figuras veneradas, entre as quais Santa Zita de Lucca e Santa Cacilda, o que demonstra a capacidade de determinados motivos religiosos para circularem entre diferentes tradições hagiográficas. A investigação de Liliana Sousa, publicada em 2021 na revista Via Spiritus, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, estuda precisamente os paralelismos entre as vidas e os milagres de Isabel da Hungria e Isabel de Aragão, mostrando como a imagem de ambas foi sendo construída e transmitida ao longo dos séculos.
Não seria, por isso, rigoroso afirmar que o milagre aconteceu exatamente da mesma forma às duas santas, nem que uma delas foi necessariamente a primeira a protagonizá-lo na tradição que chegou até nós. O que podemos afirmar é que a associação das duas mulheres à mesma narrativa constitui um fenómeno histórico e cultural digno de estudo, sobretudo porque ambas partilhavam laços de parentesco e um modelo de santidade profundamente marcado pela caridade.
A herança franciscana: quando a santidade desce do castelo
Existe ainda uma dimensão que aproxima estas duas mulheres e que ajuda a compreender por que razão a sua memória atravessou os séculos com tamanha força: a ligação à espiritualidade franciscana, centrada na pobreza, na humildade e no reconhecimento de Cristo nos mais pobres. Não se trata de afirmar que as duas seguiram percursos religiosos rigorosamente idênticos, mas de reconhecer que a sua imagem de santidade se desenvolveu num ambiente espiritual em que as obras de misericórdia e a proximidade aos mais necessitados assumiam uma importância crescente.
Isabel da Hungria tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da espiritualidade franciscana feminina, sendo particularmente relevante para a difusão do ideal de santidade entre mulheres que, apesar de casadas e pertencentes à aristocracia, procuravam viver a fé através da assistência aos pobres, da renúncia ao luxo e do serviço aos doentes. Isabel de Portugal, por seu lado, ficou associada à tradição franciscana e à fundação e proteção de instituições religiosas, tendo terminado a vida junto do mosteiro de Santa Clara de Coimbra, onde aprofundou a sua dedicação religiosa depois da morte de D. Dinis. A aproximação entre ambas não reside apenas na lenda das rosas, mas também na maneira como a tradição cristã passou a representar a mulher de sangue real que utiliza a sua posição para servir aqueles que não dispõem de poder ou riqueza.
A imagem é particularmente expressiva quando pensamos na sociedade medieval, onde o nascimento determinava grande parte do destino individual e a distância entre a corte e os mais pobres podia ser enorme. Uma princesa ou uma rainha que atravessava essa distância para levar alimento a quem tinha fome oferecia, por si só, um exemplo suficientemente forte para alimentar a memória coletiva. A rosa acrescentava-lhe uma dimensão simbólica: aquilo que poderia ser visto como uma simples distribuição de pão passava a representar a transformação da realidade pela caridade, fazendo do gesto quotidiano uma imagem duradoura de santidade.
É também por isso que não devemos reduzir a Rainha Santa Isabel à sua famosa resposta ao marido, como se toda a sua existência coubesse num episódio ocorrido numa manhã de Inverno. A soberana portuguesa desempenhou um papel relevante na mediação de conflitos políticos e familiares, incluindo a tensão entre D. Dinis e o futuro D. Afonso IV, e a sua memória ficou ligada a práticas de assistência e a instituições religiosas que ultrapassaram largamente os limites da lenda. De igual modo, a importância histórica de Isabel da Hungria não se resume às rosas, pois a sua dedicação aos pobres e aos doentes, documentada por testemunhos próximos da sua vida, ajuda a explicar a rapidez com que o seu culto se difundiu pela Europa.
As duas Isabeles foram, portanto, muito mais do que personagens de uma narrativa piedosa. Foram mulheres que viveram numa época em que a religião ocupava um lugar central na organização da sociedade e que, cada uma à sua maneira, contribuíram para consolidar um modelo de santidade em que a compaixão pelos mais vulneráveis se tornava uma forma de intervenção no mundo.
São rosas, meu Senhor
Voltemos, por fim, à frase que dá título a este artigo, porque poucas expressões da tradição portuguesa conseguiram condensar tanta memória histórica e religiosa em tão poucas palavras. «São rosas, meu Senhor» tornou-se uma das respostas mais reconhecidas da nossa cultura popular, repetida em sermões, pinturas, procissões, representações teatrais e conversas familiares, quase sempre acompanhada pela imagem da rainha que, perante a pergunta do marido, revela flores onde deveriam estar os alimentos destinados aos pobres.
Mas a força desta expressão reside também naquilo que nos permite descobrir quando ultrapassamos a fronteira nacional. A mesma imagem encontra-se associada a Isabel da Hungria, tia-avó da rainha portuguesa, mostrando como a memória dos santos não respeita necessariamente as fronteiras que hoje separam os países e como as tradições religiosas europeias partilharam narrativas, símbolos e modelos de virtude. Portugal apropriou-se desta história e fez dela uma das imagens mais queridas da sua identidade religiosa, mas o episódio pertence a um universo cultural muito mais vasto, no qual a caridade, o pão e as rosas constituem elementos de uma linguagem simbólica comum.
Como historiador, considero essencial manter a distinção entre o que os documentos demonstram e aquilo que a tradição transmitiu, porque a História não perde interesse quando reconhecemos as incertezas das suas fontes; pelo contrário, torna-se mais fascinante quando descobrimos como uma narrativa nasceu, se transformou e conquistou o imaginário de diferentes gerações. Não dispomos de provas suficientes para confirmar o milagre das rosas como acontecimento literal, mas dispomos de elementos que permitem compreender a existência histórica das duas mulheres, a sua dedicação aos pobres e a extraordinária vitalidade dos cultos que se desenvolveram em torno delas.
Talvez seja essa a verdadeira razão pela qual as duas Isabeles continuam a falar-nos tantos séculos depois. Numa Europa medieval marcada por hierarquias rígidas, em que o pão representava a sobrevivência e a riqueza se concentrava nas mãos de poucos, a imagem de uma rainha que escondia alimentos para os distribuir aos necessitados tornou-se uma forma de recordar que a grandeza não se mede apenas pelo poder que se possui, mas também pela maneira como esse poder é colocado ao serviço dos outros.
E assim, entre a Hungria e Portugal, entre o século XIII e a memória dos nossos dias, duas mulheres ligadas pelo sangue e pela tradição religiosa continuam a encontrar-se no mesmo símbolo, como se a História tivesse escolhido uma flor para nos recordar que a caridade não conhece fronteiras e que, por vezes, uma lenda pode revelar tanto sobre os valores de uma sociedade como os documentos mais solenes dos seus reis.
Porque, no fim, as rosas não são apenas rosas. São a memória de duas Isabeles, de uma Europa que reconheceu na caridade um caminho para a santidade e de uma frase que Portugal guardou com particular carinho, como se ainda hoje esperasse ouvir, diante de um mundo tantas vezes indiferente à pobreza, a resposta que atravessou os séculos: «São rosas, meu Senhor».
Autor: Paulo Freitas do Amaral, Professor, Historiador e Autor
Fontes e leituras para aprofundamento
Liliana Sousa, «As vidas e os milagres de Isabel da Hungria e Isabel de Aragão: estudo de duas Santas dos séculos XIII-XIV», Via Spiritus, n.º 28, 2021, pp. 165–191. Consultar o estudo académico.
Helena M. R. A. Costa Toipa, «O milagre das rosas em De Vita et Moribus Beatae Elisabethae Lusitaniae Reginae de Pedro João Perpinhão», Boletim de Estudos Clássicos, n.º 60, 2015, pp. 131–141. Consultar o artigo.
Bento XVI, audiência geral de 20 de Outubro de 2010, dedicada a Santa Isabel da Hungria. Consultar o texto do Vaticano.














