Imunoterapia combinada melhora tratamento contra o cancro

Nova combinação de tratamento de imunoterapia contra o cancro pode melhorar as taxas de sobrevivência dos pacientes concluíram cientistas da Universidade de Southampton. Estão em curso ensaios clínicos para testar a combinação em pacientes.

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Trabalhos de laboratório
Trabalhos de laboratório. Foto: DR

Um estudo pré-clínico, já publicado na revista ‘Clinical Cancer Research’, e desenvolvido por uma equipa de cientistas da Universidade de Southampton, liderada por Sarah Buchan, combinou anticorpos para o alvo PD-1 / PD-L1, um tipo de imunoterapia conhecida como bloqueio do ponto de controlo que diminui a resistência das células cancerosas ao sistema imunológico, com outro anticorpo contra o CD27, que aciona o sistema imunológico para encontrar e matar as células cancerosas.

Os resultados mostraram que o tratamento combinado produzia até 60% de proteção contra o cancro, em comparação com 10% de proteção quando apenas é administrado um único tratamento.

Os anticorpos PD-1 (pembrolizumab) / PD-L1 (atezolizumab) já são administrados a pessoas com cancro, como melanoma e cancro do pulmão, mas o benefício desses anticorpos só é observado num pequeno número de pacientes. Os cientistas de Southampton sugerem que a combinação com o anti-CD27 levará a uma melhor taxa de resposta.

Aymen Al-Shamkhani, que dirige o laboratório onde foi realizado o estudo referiu: “Usar o bloqueio de ponto de controlo revolucionou o campo da imunoterapia do cancro, mas não é simplesmente suficiente impedir que o cancro evite o sistema imunológico, precisamos de impulsionar o sistema imunológico para combater o cancro. Combinando o bloqueio do ponto de verificação com um anticorpo anti-CD27, pudemos mostrar que as duas abordagens podem ser aproveitadas para melhorar potencialmente as opções atuais de tratamento.”

O estudo, que foi financiado pela Celldex Therapeutics e pela Cancer Research UK, também revelou que o tratamento combinado ativou caminhos diferentes, mas sinérgicos, que culminaram em respostas imunológicas mais fortes contra o cancro. A equipa de investigação referiu que este trabalho pré-clínico apoia os ensaios clínicos em curso que já estão a testar a combinação em pacientes.

Catherine Pickworth, do Cancer Research UK, referiu: “Os tratamentos de imunoterapia já estão a mostrar grandes sucessos em vários tipos de cancro, mas os tratamentos não funcionam para todos os cancros.”

O trabalho desenvolvido em ratos “sugere que o uso de dois tipos de imunoterapia pode ser uma maneira eficaz de resolver este problema”, e a cientista acrescentou: “Agora precisamos verificar se esta abordagem específica funciona nos pacientes. A Cancer Research UK está financiar vários estudos, que procuram combinar diferentes tipos de imunoterapia para que possamos oferecer mais opções de tratamento e ajudar mais pessoas a vencer o cancro. ”

Com base no Hospital Universitário de Southampton, o novo Centro de Imunologia do Cancro reúne cientistas do cancro de renome mundial e vai permitir que equipas interdisciplinares expandam os testes clínicos e desenvolvam mais medicamentos para salvar vidas. A criação do Centro envolveu um financiamento superior a 28,5 milhões de euros inteiramente suportados por doações filantrópicas.

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