Hyundai Kauai elétrico

Uma viagem de Lisboa à Serra da Estrela permitiu a Jorge Farromba avaliar o Hyundai Kauai elétrico e verificar as questões de abastecimento elétrico, bem como aspetos ligados à conceção de um modelo orientado para o mundo urbano e para outras paisagens.

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Hyundai Kauai elétrico
Hyundai Kauai elétrico. Foto: © António Fidalgo

Parece não haver dia que não surjam notícias sobre viaturas elétricas. Nunca como agora, o elétrico e os motores a gasolina foram notícia constante, muito em detrimento dos diesel. Desde novas baterias, investigação, novos modelos.

E, o Kauai elétrico surge nestas notícias como sendo capaz de efetuar o registo de mais de 300kms (432kms) sem ser preciso “reabastecer”.

E nada melhor que um tira-teimas em condições reais de utilização – Lisboa à Serra da Estrela, 4 pessoas a bordo, velocidade não constante, ar condicionado ligado.

Trajeto: Lisboa Santarém por AE, Santarém até ao Entroncamento por estrada nacional e municipal, A23 até ao Fratel e Estrada nacional até à Serra da Estrela (Piornos).

A primeira situação que importa registar é que o Kauai tem pouca concorrência neste domínio dos elétricos, fundamentalmente pela autonomia. Num modelo bem desenhado e esteticamente futurista, as suas linhas cativam (sendo esta uma nota bem pessoal). Esta irreverência tenta captar um público cada vez mais urbano e consciente da componente ambiental.

No interior, percebe-se o cuidado da marca em oferecer um produto bem construído (mesmo com vários plásticos rijos características nesta gama de SUV), elegante (um decalque do futurismo exterior com uma consola central estilizada e um fundo com espaço para mais objetos (não muito prático de utilizar). A caixa de velocidades tem 4… botões (N, D, P e R) – simples e prático de interiorizar.

O espaço interior é o habitual nesta gama e serve perfeitamente para 4 ocupantes + 1. A bagageira perde um pouco da sua capacidade em virtude da presença das baterias mas serve perfeitamente para uma família moderna (332 litros). Bateria de 64kwh (arrefecida por água através da ligação ao sistema de AC para uma eficiência superior e uma extensão da vida da bateria), velocidade máxima 167km/horas e 204CV

A qualidade de construção e de montagem mantém-se já como uma das imagens da marca a par da fiabilidade do produto (5 anos sem limite de kms) e, portanto, neste ponto, nada a acrescentar.

Travagem regenerativa através de patilhas desde o nível 1 (mais simples) ao 3, sendo que é possível utilizar a patilha para travar o veículo até 0km/hora sem pressionar o pedal de travagem.

É pois o momento de fazer o percurso e num banco (alto) confortável, ergonómico e com apoio lateral de bom nível, torna-se depois fácil encontrar a melhor posição de condução, com um painel de instrumentos de boa leitura e com boa leitura de todos os instrumentos.

Entre as várias opções de condução, temos o Eco+, Eco, Standard e Sport. Optámos pelo ECO de forma ao AC não ficar desligado no ECO+.

Numa condução descontraída e tentando sempre cumprir os limites de velocidade conseguimos fazer o percurso até Abrantes sempre com o AC ligado e neste ponto (cerca de 150km desde Lisboa) com autonomia mais que suficiente para chegar à Serra da Estrela. As notas de condução revelam uma viatura fácil de conduzir, intuitiva, subviragem mínima (mas os pneus condicionam um pouco o comportamento do modelo), conforto de bom nível, travagem de bom nível e potente. O Kauai cativa nesta sua faceta elétrica e o software que está disponível para aviso de faixa de rodagem; deteção de obstáculos e sinais está bem calibrado. A usabilidade de todos os instrumentos pareceu-nos equilibrada.

Em Abrantes, o primeiro contratempo que passou pela não aceitação do cartão de carregamento. E da estação de serviço obtivemos a resposta que não podem fazer nada nem dar-nos carga. Utilizando o intercomunicador do posto elétrico para a Mobi.e, questionámos, caso não tivesse carga se podiam ativar manualmente o sistema para “não ficar apeado”. A solução parece não ser possível devido a uma diretiva recente e, nesses casos (ficar sem carga) devo “chamar a assistência” . Mesmo sabendo que tenho carga suficiente para a Serra da Estrela, opto por desligar o AC e poupar aqui um pouco pois sei que a subida da serra consome muita bateria. Mesmo utilizando a refrigeração, o ambiente a bordo era mais quente mas totalmente suportável. A chegada ao Fundão deu-se rapidamente e aqui dirijo-me ao posto de combustível e, novo problema, sendo que desta vez obtenho como resposta que provavelmente é um problema de comunicação do posto de combustível para não detetar o cartão. Sabendo que possuo autonomia para mais 123km, opto por subir a Serra mas não sem antes ligar para a Pousada da Juventude da Serra da Estrela que possui uma viatura elétrica para utilização diária e com posto de carregamento que prontamente se ofereceram para poder carregar a viatura em caso de necessidade. E, desse modo, cheguei aos Piornos (mais de 330km) com 8% autonomia, tendo depois colocado a viatura a carregar na Pousada, a quem agradeço o gesto e disponibilidade.

É certo que estamos a falar de uma viatura que custa mais de 43.000€ com argumentos mais que suficientes para competir com qualquer familiar mas cujo sistema de carregamentos disponível ainda não se encontra o suficientemente desenvolvido para acompanhar estas novas viaturas elétricas, o que se lamenta. As imagens que suportam o artigo demonstram essa sã convivência que o elétrico quer fazer com a Natureza e a Hyundai está de parabéns pois tentou aproximar o seu modelo do público alvo que hoje se identifica com a natureza, as mudanças climáticas, o respeito pelo planeta, a par de algumas instituições como foi exemplo a Pousada da Juventude.

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