O BMW 116d

Um BMW de tração dianteira? Sim é verdade! Mas para Jorge Farromba este facto nada retira a este BMW Série 1 os elogios dos condutores. O BMW 116d apresenta caraterísticas e comportamentos que surpreenderam o experiente autor deste artigo.

0
O BMW 116d
O BMW 116d. Foto: DR

Sendo sempre subjetiva esta análise, mas o BMW Série 1 não foi, para mim, um modelo que me seduziu imenso quando foi lançado. O desenho exterior era diferente mas não o suficiente para ser diferenciador. A qualidade de construção era boa mas sempre considerei que a BMW podia ter ido mais longe neste modelo – situação que era transversal a outras marcas que vieram para este segmento de mercado como a Audi e a Mercedes. Era a primeira incursão num segmento novo onde é difícil criar um conceito e mantê-lo. Que o diga a Mercedes com o Classe A que agora o reposiciona como um normal 2 volumes ou a Audi com o A2.

O mercado automóvel hoje está substancialmente diferente e este segmento é um dos mais importantes para as marcas, não somente em volume de vendas mas também como entrada do cliente na marca para, posteriormente, o fidelizar ao longo da sua vida para os outros segmentos da marca. E nunca, como hoje, o foco das marcas no cliente (em qualquer área) tanto se fez sentir.

O BMW 116d
O BMW 116d. Foto: DR

Assim, quando a CAETANO BAVIERA do Parque das Nações me atribuiu este modelo e com a relevância que a comunicação da BMW lhe atribui, fico curioso daquilo que a marca vai oferecer ao mercado. Dito isto, as expectativas são altas ainda por cima porque a BMW colocou este modelo …. com tração dianteira.

20h00 de sexta-feira e aguardo pela entrega do modelo. Primeira impressão vai para a estética. O duplo rim que identifica a grelha BMW está maior, mais encorpado, “com relevo” monopolizando toda a zona frontal (esteticamente muito apelativa). As duas nervuras no capô contribuem também para um desenho do BMW que cativa. O capô já não é tão longo uma vez que o motor em posição transversal não ocupa tanto espaço. Lateralmente desaparece aquele formato não retilíneo, abaixo das portas, para surgir um desenho equilibrado q.b. reforçando a desportividade que a BMW incorpora nos seus modelos e que, aqui, termina com o discreto relevo nas cavas das rodas posteriores. Também não surge neste modelo a saída lateral cromada junto às cavas das rodas dianteiras.

Na zona posterior surge um desenho novamente muito interessante onde assume uma “layout” desportivo, robusto e “musculado”, onde o kit M presente na carroçaria ajuda a esta contação desportiva do modelo.

Tanto à frente como atrás a M coloca para-choques encorpados, entradas de ar para arrefecer travões e direcionar vento frontal, spoilers e airelons e finaliza com ponteira de escape pronunciada.

Sendo justo mas obviamente factual este novo Série 1 suplantou todas as expectativas. A estética cativa e queiramos ou não, é ela a primeira “porta de acesso” para qualquer cliente se interessar por um modelo.

O BMW 116d
O BMW 116d. Foto: DR

Faltava o interior!!

Assim que se abre a porta, o logotipo BMW acende projetando uma luz no chão. As baquets em alcântara, totalmente parametrizáveis – comprimento, largura, altura, zona lombar; o volante com uma pega perfeita – em dimensão, conforto e volumetria do aro – e (subjetivamente) bonito. O painel de instrumentos digital completo mas “clean” – seguindo o bom exemplo da Apple, com uma leitura muito boa. Pormenor interessante, para o sensor de aproximação da viatura da frente com mudança do painel para vermelho, aviso sonoro e logotipo de uma viatura a vermelho. Simples, eficaz e muito relevante (testei várias vezes e o modo como os programadores o conceberam e depois os designers implementaram é deveras um fator de segurança adicional e relevante).

O BMW 116d
O BMW 116d. Foto: DR

Interiormente não esperava encontrar o tipo de acabamento e a qualidade dos materiais existentes, pelo menos no modelo de entrada da BMW. Mas deriva exatamente da importância dada pela marca a este segmento. Senão vejamos, o tablier é todo ele em materiais moles (todo! até em zonas não visíveis), os painéis das portas idem. O ecrã central – na altura certa para o condutor para não desviar a atenção da estrada e sempre ligeiramente voltado para o mesmo com os vários botões na consola muito apelativos.

O “casamento” entre banco, pedais e volante está perto da perfeição e esse “detalhe” é relevante para quem conduz, pela ergonomia na condução e pelo acréscimo em termos de segurança.

O BMW 116d
O BMW 116d. Foto: DR

Com tantos elogios – factuais e comprovados – ao interior e exterior – faltava a derradeira prova – a estrada!

E como, por regra, faço – parte do trajeto com a viatura tem cidade, autoestrada e estrada nacional. E porque quando comparamos algo, temos de ter um critério, a maior parte deste percurso é igual. E não é um acaso. É porque quando dizemos que o carro A se comporta “assim” e outro “assim”, sendo rigorosos na nossa análise, temos de o fazer, nas mesmas condições. E a análise não pode basear-se nunca em gostos pessoais mas em dados objetivos e mensuráveis, pois somente assim concebo a análise de uma viatura.

O motor para ensaio foi um 116d com caixa automática com 116cv -competente – sem ser um poço de força principalmente em baixa rotação – ajudado por uma caixa de velocidades automática sem reparos. Motor que em cidade responde a contento e que, na estrada, a baixa velocidade e rotação demora mais tempo a atingir a velocidade de cruzeiro ideal.

A primeira impressão que retenho da condução é que “caminha sobre carris”. A direção muito direta, o chassis muito equilibrado (sobredimensionado para este modelo), suspensões fechadas (aquele compromisso entre rigidez e conforto que aprecio nos alemães) e um rigor na entrada em curva de assinalar. Novamente e comparando com o modelo anterior, este suplanta-o. Como o ensaio decorreu também com chuva era interessante perceber o comportamento nesse campo. E, para não ser maçador na análise, o 1 manteve-se sobre carris. Não é fácil fazê-lo perder a eficácia! Tudo se resume a prazer de condução – na eficácia do chassis, do comportamento em curva onde parece teleguiado.

Nem mesmo o facto de a tração ser dianteira incomoda o Serie 1. Existe de facto mérito da marca que, por norma, utiliza a tração traseira. Para quem conhece a BMW, este não perde o comportamento e feeling que o caracteriza, pelo facto de usar tração dianteira.

E quando se une um pacote com um posto de condução exemplar, uma dinâmica de condução deste nível – volto a frisar que não é expectável neste segmento – temos as bases para longas horas de puro prazer ao volante.

Ah! É verdade, fui ver o espaço para os passageiros la atrás. Uma das ressalvas do anterior modelo, agora bem resolvidas, ajudadas com a nova plataforma e a tração dianteira, com maior espaço para passageiros.

Em resumo, a BMW pelo que já perceberam deste artigo, colocou todo o seu know-how neste modelo, de modo exemplar e, se já o Serie 3 surpreendeu, neste fui totalmente surpreendido. O patamar foi colocado bem alto.

Valeu a pena esperar!

Valor de entrada de gama 31.914,50€

Valor viatura ensaiada – 47.318,00€

Para enviar uma sugestão, por favor faça ou .

Deixe um comentário

Ainda sem comentários!