Acidentes com peões e ciclistas podem ser previstos

Prever acidentes com peões e ciclistas é possível com recurso a modelo matemático desenvolvido por investigadores da Universidade de Aveiro. Uma ferramenta que pode ajudar as autoridades a planear novas medidas para diminuir riscos.

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Nélia Silva, Eloísa Macedo, Nargarida Coelho e Mariana Coelho, investigadoras da UA, envolvidas no desenvolvimento de um modelo matemático que prevê acidentes com ciclistas e peões.
Nélia Silva, Eloísa Macedo, Nargarida Coelho e Mariana Coelho, investigadoras da UA, envolvidas no desenvolvimento de um modelo matemático que prevê acidentes com ciclistas e peões. Foto: DR

Cientistas do grupo de investigação em tecnologia dos transportes do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Universidade de Aveiro analisaram ao detalhe os mais de 4400 acidentes que envolveram peões e ciclistas entre 2012 e 2015, nas cidades Lisboa, Porto e Aveiro, e desenvolveram um modelo matemático para prever os acidentes.

Atualmente nas cidades está na “moda” andar a pé ou de bicicleta, uma mobilidade considerada saudável e ecológico, mas as atuais vias e muitos outros fatores levam a que o perigo para peões e ciclistas espreite a qualquer momento, esta condição levou uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) a desenvolver um inédito modelo matemático que calcula a probabilidade dos acidentes envolverem peões ou ciclistas, um trabalho que foi pensado para Lisboa, Porto e Aveiro.

O modelo matemático, desenvolvido a partir de dados fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) pode vir a ser “uma ferramenta útil para entidades e autoridades locais e regionais, no sentido em que permite planear o reforço de medidas de segurança rodoviárias consoante as especificidades de cada cidade”.

A UA indicou que dos 4439 acidentes com peões e ciclistas analisados pelos investigadores, 7% ocorreram em Aveiro, 29% no Porto e 64% em Lisboa. Se em Aveiro, cerca de 50% dos acidentes com utentes vulneráveis envolveu ciclistas e a restante percentagem peões, esta realidade é diferente para o Porto e Lisboa. A norte cerca de 9% dos acidentes com utentes vulneráveis envolveram ciclistas. Mais a sul, foram cerca de 10% a envolver os adeptos das duas rodas.

Ferramenta para autoridades planearem medidas

Margarida Coelho, professora e coordenadora do grupo de investigação em tecnologia dos transportes, referiu: “A maior parte dos acidentes ocorreram em espaços de grande atratividade de pessoas, como estações ferroviárias, zonas comerciais e espaços turísticos localizados nos centros históricos das três cidades.”

A investigadora acrescentou: “Em consequência dos acidentes, 90 a 97% dos feridos foram ligeiros, 2 a 8% feridos graves e 1 a 2% resultaram em vítimas mortais.”

Com a utilização do modelo matemático é possível prevenir a repetição dos números de sinistros e sinistrados. O modelo matemático foi desenvolvido através de “uma regressão logística multinomial que tem em conta o histórico de acidentes e cujo resultado final indica a probabilidade de ocorrer um acidente envolvendo peões ou ciclistas para cada uma das três cidades como também toda uma análise espacial e temporal que permite encontrar padrões de risco.”

Para prever os acidentes entram diversas variáveis tais como “o género do peão ou do ciclista, a faixa etária, o nível de gravidade dos ferimentos, o dia da semana, o período do dia e as condições meteorológicas.”

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