Organizações de saúde apelam ao reconhecimento da vacinação para prevenção cardiovascular

As doenças cardiovasculares matam cerca de 1,7 milhões de pessoas por ano na União Europeia e custam mais de 282 mil milhões de euros. A vacinação contra vírus respiratórios reduz hospitalizações, internamentos em cuidados intensivos e mortes.

Organizações de saúde apelam ao reconhecimento da vacinação para prevenção cardiovascular
Organizações de saúde apelam ao reconhecimento da vacinação para prevenção cardiovascular

Uma infeção respiratória pode parecer, para muitos, um problema menor, mas para quem vive com uma doença cardíaca, pode ser fatal. A mensagem faz parte de uma Declaração Conjunta da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Associação Respira, Associação Asma Grave (AAG) e do Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA), no âmbito de “Maio – Mês do Coração”.

Na declaração as organizações ligadas à saúde indicam que as doenças cardiovasculares roubam, todos os anos, cerca de 1,7 milhões de vidas na União Europeia e custam mais de 282 mil milhões de euros à economia europeia, com as projeções a apontarem para um agravamento nas próximas décadas. Dados considerados suficientes para motivar à ação, pois em parte o impacto poderia ser evitado.

É sabido que vírus como o da gripe, da COVID-19 e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) desencadeiam respostas inflamatórias no organismo e que, como refere a declaração conjunta, podem precipitar enfartes, acidentes vasculares cerebrais e internamentos por descompensação cardíaca, sendo os doentes com insuficiência cardíaca ou doença arterial coronária os mais vulneráveis. Mas as organizações subscritoras da declaração lembram que para as infeções existe prevenção, através da vacinação.

No entanto, indicam que apesar da evidência disponível, a vacinação continua a não ser encarada como uma medida de prevenção cardiovascular. As organizações alinhadas com o Safe Hearts Plan da Comissão Europeia e com a Declaração de Consenso da Sociedade Europeia de Cardiologia apontam a vacinação como forma essencial de prevenção. Assim como com as Recomendações da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da Sociedade Portuguesa de Pneumologia para a Vacinação contra o VSR na população adulta em Portugal. As organizações defendem que a vacina contra o VSR, e outras vacinas contra infeções respiratórias, deve passar a integrar formalmente as estratégias nacionais de prevenção das doenças do coração.

Para as organizações que subscrevem a declaração este argumento ganha novo peso com a recente publicação do Livro Azul de Vacinas, o novo referencial técnico do Programa Nacional de Vacinação. O documento reforça precisamente o valor da vacinação ao longo de toda a vida, em especial no adulto, como medida preventiva, segura, eficaz e sustentável.

O Livro Azul de Vacinas representa, no entender das organizações, um sinal claro de que Portugal está a caminhar na direção certa, e que é chegado o momento de dar o passo seguinte: reconhecer a vacinação contra o VSR como componente integrante das estratégias de prevenção cardiovascular, alinhando as políticas nacionais às recomendações do Safe Hearts Plan da Comissão Europeia, à Declaração de Consenso Clínico da Sociedade Europeia de Cardiologia e às Recomendações Científicas para a Vacinação contra o VSR na população adulta em Portugal;

Um apelo que também é dirigido ao sistema de saúde, que necessita de melhorar o acesso à vacinação contra o VSR na população adulta e grupos de risco, através de políticas públicas que respondam às necessidades dos mais vulneráveis, bem como, um apelo às autoridades de saúde, para a realização de campanhas de literacia em saúde que esclareçam a relação entre infeções respiratórias na idade adulta, nomeadamente o VSR, e risco cardiovascular.

Os dados disponíveis revelam que, neste caso, o investimento compensa, como mostram vários estudos que concluem que a vacinação reduz hospitalizações, internamentos em cuidados intensivos e mortes evitáveis, com um custo muito inferior ao tratamento das complicações que previne.

No Mês do Coração, a mensagem destas organizações é clara: proteger o coração passa também pela vacinação, uma das formas mais eficazes e mais acessíveis de o fazer.