Ambiente de fumo de tabaco tem efeitos prejudiciais nas crianças

Crianças submetidas a ambientes de fumo de tabaco estão em risco aumentado para a saúde. Teresa Bandeira, médica pediatra, descreve, neste seu artigo, os diversos efeitos prejudiciais para uma criança num ambiente onde há fumadores.

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Teresa Bandeira, médica pediátrica, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia Pediátrica
Teresa Bandeira, médica pediátrica, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia Pediátrica. Foto: DR

O tabaco é lesivo para quem fuma e para todos os que partilham o espaço poluído do fumo de tabaco, aumentando igualmente nos expostos o risco de cancro, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias.

As crianças são particularmente suscetíveis aos efeitos prejudiciais do fumo ambiental de tabaco, uma vez que respiram mais rápido, têm maior área relativa de superfície do pulmão e os seus sistemas respiratório e imunológico são ainda imaturos.

Existem um conjunto de substâncias químicas presentes no fumo de tabaco que se depositam nas superfícies, persistindo durante muito tempo depois de ter sido fumado um cigarro, e que depois se vão formar em substâncias tóxicas no ar ambiente p.ex. nas casas e nos carros onde se fuma.

As crianças estão especialmente em risco, pelo contacto com a pele, inalação e ingestão destas substâncias tóxicas. Adicionalmente as crianças são incapazes de controlar o seu ambiente e, por isso, não podem tomar medidas para evitar a exposição.

Recentemente, surgiram novas formas de consumo de tabaco e nicotina, como o tabaco aquecido ou os cigarros electrónicos, publicitados pela indústria como tendo “risco reduzido”. Contudo, atualmente, não existe evidência suficiente que demonstre que estes produtos sejam menos prejudiciais ou tóxicos do que o cigarro convencional tanto para o consumidor como para quem o rodeia.

Por outro lado, ao permitir imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, corre-se o risco de alteração de consumo para estes novos produtos, em alternativa à cessação tabágica, e a uma re-normalização do consumo de tabaco em público.

Adicionalmente, estes novos produtos constituem uma tentação para não fumadores e induzem os adolescentes a iniciarem hábitos tabágicos de forma precoce e com uma falsa sensação de segurança, aumentando o risco de iniciação também no cigarro convencional.

O Grupo de Trabalho para o Controlo de Exposição ao Tabagismo – Prevenção em Idade Pediátrica, da Sociedade Portuguesa de Pediatria – grupo sTOPPagE, pretende reforçar o direito que todas as crianças têm a um ambiente seguro e saudável para o seu pleno crescimento e desenvolvimento, completamente livre dos produtos exalados a partir de qualquer forma de tabaco ou nicotina.

Todos Nós, Profissionais de Saúde, Pais, Mães, Cuidadores e População em Geral, temos a obrigação de promover um Mundo livre de qualquer forma de tabaco para as futuras Gerações!

Autora: Teresa Bandeira, médica pediátrica, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia Pediátrica

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