Antídotos para cianeto e diagnóstico de exposição a gás mostarda

Antídotos para cianeto possuem graves limitações e não há antídoto para gás mostarda. Investigadores estão a utilizar métodos analíticos para avaliar um novo antídoto para cianeto, e biomarcadores para diagnóstico de exposição a gás de mostarda.

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Antídotos para cianeto e diagnóstico de exposição a gás mostarda
Antídotos para cianeto e diagnóstico de exposição a gás mostarda, investigação de Erica Manandhar. Foto: Emily Weber

O desenvolvimento de antídotos para agentes químicos, como o cianeto e o gás mostarda, necessita de métodos analíticos que acompanhem não só o nível de exposição, mas também a forma como o medicamento neutraliza os efeitos do produto químico, este é um trabalho que a investigadora Erica Manandhar, da Universidade da Dakota do Sul, tem vindo a desenvolver e que agora é divulgado.

Erica Manandhar explicou que há vários antídotos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos da América (EUA), e que estão disponíveis para a desintoxicação por cianeto, mas que os mesmos possuem graves limitações.

A investigadora desenvolveu o primeiro método analítico para avaliar um novo antídoto para o cianeto, o trissulfureto de dimetilo (DMTS) e um método para detetar rapidamente uma substância associada à exposição à mostarda de enxofre.

Brian Logue, que vem desenvolvendo contramedidas para enfrentar a exposição ao cianeto e outras possíveis armas químicas, há mais de uma década, com o apoio do Departamento de Defesa e dos Institutos Nacionais de Saúde norte americanos, e que apoiou Erica Manandhar na investigação, desenvolveu um método para detetar a exposição ao cianeto em 60 segundos a partir de uma amostra de sangue, e agora está trabalhar para obter a aprovação da FDA, para um dispositivo portátil designado cianalizador.

“Sempre me interessei pela ciência para resolver problemas que afetem a vida das pessoas. Pelo que ao trabalhar com o Brian Logue sobre agentes de cianeto e guerra química, posso ajudar a encontrar respostas para questões de grande preocupação do mundo moderno”, referiu Erica Manandhar.

Teste do novo antídoto para cianeto

“DMTS não depende de outras enzimas do corpo para atuar, o antídoto pode penetrar facilmente na membrana celular e na barreira hematoencefálica e pode ser administrado por via intramuscular, isso é importante quando se está em presença de um grande número de vítimas”, esclareceu Erica Manandhar.

Para avaliar um antídoto em modelos animais, os cientistas devem entender que taxa de antídoto entra no corpo, como neutraliza o cianeto e como o corpo o excreta ou o metaboliza. “Os cientistas precisam saber o que o medicamento faz no corpo”, referiu a investigadora, e para isso, desenvolveu um método analítico que determina os níveis de DMTS no sangue.

Os investigadores que trabalham no DMTS como novo antídoto para cianeto enviaram amostras para análise dos estudos em animais para Erica Manandhar, dado que os investigadores pretendem ver o medicamento aprovado pela FDA. O estudo colaborativo tem vindo a ser financiado através do Programa Nacional de Contramedidas Contra a Ameaças Químicas (CounterACT, sigla do inglês) do Instituto Nacional de Saúde (NIH, sigla do inglês), dos EUA, que apoia o desenvolvimento de novas terapêuticas para prevenir e tratar lesões por produtos químicos tóxicos, que podem ser libertados através de um acidente industrial ou como por ataque terrorista.

Deteção de exposição ao gás de mostarda

Quase um século após a mostarda de enxofre, vulgarmente conhecida como gás de mostarda, ter sido usado pela primeira vez como agente de guerra química na Primeira Guerra Mundial, ainda não se possuiu um antídoto. A exposição ao gás mostarda, seja na forma líquida ou em gás, provoca bolhas na pele e mucosas, indicam os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. As vítimas podem não saber, durante horas ou mesmo dias, se foram expostas e o gás de mostarda pode ser transportado pelo vento.

“O principal efeito do gás de mostarda que leva à morte é os danos que causa no sistema respiratório”, referiu Erica Manandhar, e indicou que a mostarda de enxofre foi usada na década de 1980 durante a Guerra Irão-Iraque e, mais recentemente, na Síria. “Os investigadores estão a tentar entender como ocorre a toxicidade, e o que é possível fazer para minimizar o efeito, e quais os medicamentos que têm potencial para contrariar essa toxidade.”

O objetivo dos investigadores é desenvolver antídotos, mas para isso, os cientistas precisam determinar o nível de exposição para conhecer a eficácia do tratamento, e é nesta questão que Brian Logue trabalha com Erica Manandhar.

Erica Manandhar explicou que “determinar a dosagem inalatória é difícil porque a taxa de respiração e o volume pulmonar diferem” de animal para animal, como demonstram amostras de estudos em animais realizados na Universidade de Denver. Uma investigação também apoiada pelo Programa CounterACT do NIH.

“Procuramos biomarcadores, em que o gás mostarda se converte, para desenvolver estudos precisos de toxicidade por inalação”, referiu a investigadora. Para isso desenvolveu um método de deteção de óxido de mostarda de enxofre, um biomarcador de exposição à mostarda de enxofre, no plasma. “Aparece no corpo imediatamente após a exposição e o método analítico de Erica identifica o biomarcador em 15 minutos”, explicou Brian Logue.

O plano de investigação é “usar os biomarcadores como diagnóstico de gás de mostarda”, mas o investigador acrescentou que o número de estudos até agora feito é pequeno, pelo que é necessário confirmar que os biomarcadores que identificaram se correlacionam com a dose inalada real.

Os cientistas continuam a fazer progressos para o desenvolvimento de um antídoto para um agente de guerra química que vem ameando as populações mundiais há várias décadas.

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