Atual vacinação contra hepatite A não garante resistência ao vírus

Pessoas vacinadas contra a hepatite A podem não estar seguras da doença. Investigadores descobriram variantes do vírus da hepatite A em pessoas que tinham sido vacinadas, e propõem alterações ao atual protocolo de vacinação.

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Atual vacinação contra hepatite A não garante resistência ao vírus
Atual vacinação contra hepatite A não garante resistência ao vírus. Equipa de investigadores da Universidade de Barcelona. Foto: DR

Estudo da evolução do vírus da hepatite A mostrou a presença de variantes do vírus que poderiam ter escapado aos efeitos da vacina. Os investigadores da Universidade de Barcelona (UB) analisaram pela primeira vez, com técnicas de sequenciação massivas, a evolução do vírus da hepatite A em amostras de pacientes.

Os resultados, já publicados na revista EBioMedicine, mostram a presença de variantes do vírus da hepatite A em pessoas que tomaram a vacina. Este resultado do estudo liderado pelo Grupo de investigação sobre Vírus Entérico, da UB, em colaboração com o Instituto de Investigação Vall d’Hebron e a Agência de Saúde Pública de Barcelona, pode ter implicações nas políticas de vacinação contra a doença.

Variantes antigénicas do vírus da hepatite A

A hepatite A é uma inflamação do fígado causada por um vírus. A sintomatologia é relativamente leve e geralmente desaparece depois de algumas semanas, mas em alguns casos a doença pode durar meses. Entre os grupos mais afetados pela doença estão os homens que relações sexuais de risco com outros homens (MSM, em inglês men-having-sex-with-men).

No estudo foram analisadas amostras de MSM, não vacinados e vacinados para a hepatite A, que foram infetados durante um surto de hepatite A em Barcelona (2016-2018). O objetivo foi estudar a evolução do vírus e verificar se houve variantes do vírus que escapam aos efeitos da vacina.

“Nós identificamos variantes antigénicas em pacientes vacinados e não vacinados, mas somente no primeiro, essas variantes aumentam em número, uma circunstância que sugere sua seleção positiva”, explicou Rosa Maria Pintó.

O surgimento de variantes antigénicas do vírus da hepatite A pode tornar-se uma ameaça à saúde pública e ter consequências para a utilidade futura das vacinas atualmente disponíveis. “Se uma variante que escapa da vacina for selecionada, ela deixaria de ser eficaz. O estudo mostra que, em situações como a causada pela falta de vacinas, isso pode acontecer ”, esclareceu a investigadora.

A hepatite A é uma inflamação do fígado causada por um vírus. A sintomatologia é relativamente leve e geralmente desaparece depois de algumas semanas, mas em alguns casos a doença pode durar meses. Entre os grupos mais afetados por esta doença estão os homens que têm sexo de risco com outros homens (HSH, homens-do-sexo-com-homens).

Rever a prática de vacinação

Em alguns países, o controlo de recentes surtos de hepatite A tem sido dificultada pela baixa cobertura de vacinação e por uma vacinação deficiente, em que as administrações implementar restrições sobre o número de doses fornecidas.

Durante o surto, essas restrições afetaram especialmente as pessoas do grupo MSM. “Se são dadas poucas doses de vacina, ou se as duas doses habituais foram dadas há muito tempo, ou se são vacinados pacientes que foram infetados há semanas, podem existir variantes do vírus que escapam ao efeito da vacina. Isto é especialmente relevante no grupo MSM, uma vez que a dose de vírus que é transmitido através de relações sexuais sem proteção são muito elevadas, e os anticorpos circulantes não são suficientes para neutralizar o inoculo ou o primeiro vírus produzido”, explicou Rosa Maria Pintó

Em face dos resultados do estudo os investigadores recomendam que se devam administrar duas doses da vacina e, em algumas situações definidas no estudo, dar uma dose suplementar adicional.

Mas para além de especificar o protocolo de vacinação, o especialista salientou que de deve “trabalhar de forma a ser mais fácil de obter vacinas para que não haja falhas de abastecimento e não haja necessidade de reduzir o número de doses.”

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