Cancro do pulmão: nova técnica cirúrgica torna recuperação mais rápida

Estudo clínico de grande escala mostrou que a cirurgia toracoscópica assistida por vídeo, combinada com a selagem da artéria pulmonar com dispositivo de energia ultrassónica reduz o risco de hemorragia, complicações e dor no pós-operatório.

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Cancro do pulmão: nova técnica cirúrgica torna recuperação mais rápida
Cancro do pulmão: nova técnica cirúrgica torna recuperação mais rápida.

Alguns dos doentes com cancro do pulmão são submetidos a uma toracotomia para remoção de um dos lobos de um pulmão. A toracotomia é um procedimento cirúrgico comum, mas arriscado, que requer meses de recuperação. No entanto, existe uma técnica cirúrgica menos invasiva e segura e pode ser usada de forma mais ampla.

Moishe Liberman, cirurgião torácico e investigador do Centro de Investigação Hospitalar da Universidade de Montreal, mostrou que a lobectomia toracoscópica, a cirurgia toracoscópica assistida por vídeo, combinada com a selagem da artéria pulmonar utilizando um dispositivo de energia ultrassónica reduziu o risco de hemorragia, complicações e dor no pós-operatório.

Ao contrário da cirurgia com toracotomia, que envolve fazer uma incisão de 25 cm no tórax do paciente e cortar as costelas, um procedimento de Moishe Liberman requer pequenas incisões. Uma minúscula câmara de vídeo é inserida através de uma das incisões. Em ambos os tipos de intervenções cirúrgicas, há risco de hemorragia porque os ramos da artéria pulmonar são muito finos, frágeis e estão diretamente ligados ao coração.

O estudo clínico, apresentado na 99ª Reunião Anual da Associação Americana de Cirurgia Torácica, “conduzido em hospitais canadianos, americanos e britânicos, mostra que é possível selar com segurança os vasos sanguíneos pulmonares através de vedação ultrassônica e controlar efetivamente possíveis hemorragias durante um procedimento de cirurgia toracoscópica assistida por vídeo”, explicou Moishe Liberman.

Os investigadores indicam que atualmente, apenas 15% das lobectomias, em todo o mundo, são realizadas por cirurgia toracoscópica assistida por vídeo, principalmente devido aos riscos reais de hemorragia grave ou à perceção dos cirurgiões sobre esses riscos.

Moishe Liberman indicou que espera que os resultados do estudo clínico assegurem aos cirurgiões a viabilidade técnica e a segurança da operação e que os encoraje a adotá-la, e acrescentou: “Um grande número de pacientes poderia beneficiar e recuperaria mais rápido, e com menos sofrimento”.

Dispositivo de próxima geração para vedação de vasos sanguíneos pulmonares

Após cinco anos de investigação pré-clínica no Centro de Investigação Hospitalar da Universidade de Montreal, foram realizados ensaios em animais, ensaios clínicos de fase 1 e fase 2 que mostraram a segurança da intervenção cirúrgica. A equipa de Moishe Liberman completou recentemente um grande ensaio clínico internacional de fase 2 lançado em 2016.

O estudo avaliou a eficácia da nova técnica em 150 pacientes em oito hospitais no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, tendo 139 pacientes sido submetidos a uma lobectomia, enquanto os restantes 11 foram submetidos a uma segmentectomia (remoção de uma pequena parte do pulmão).

No conjunto foram selados 424 ramos da artéria pulmonar: 181 com grampeadores cirúrgicos, 4 com clipes endoscópicos e 239 com o instrumento HARMONIC ACE + 7 Shears, desenvolvido pela empresa Ethicon (Johnson & Johnson). Com uma mandíbula de 3 milímetros na ponta, esta “pistola” de alta tecnologia permite ao cirurgião selar os vasos sanguíneos, através de energia ultrassônica.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o cancro do pulmão mata quase 1,69 milhão de pessoas em todo o mundo, por cada ano, sendo que, só no Canadá, 78 canadianos recebem diariamente um diagnóstico de cancro do pulmão, a forma mais mortal de cancro no país.

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