Cancro: Estudo da Universidade de Coimbra distinguido por Laboratório do Reino Unido

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra foram distinguidos com o “Society Impact Award”, atribuído por laboratório do Reino Unido, pelo estudo para o desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento de cancro.

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Cancro: Estudo da Universidade de Coimbra distinguido por Laboratório do Reino Unido
Cancro: Estudo da Universidade de Coimbra distinguido por Laboratório do Reino Unido. Na imagem: Da esquerda para a direita Luís Batista Carvalho, Adriana Mamede, Ana Batista de Carvalho e Maria Paula Marques. Foto: DR

Um estudo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra que avaliou, pela primeira vez, o impacto de fármacos anticancerígenos na água do interior das células foi distinguido com o “Society Impact Award” 2019, pelo “ISIS Neutron and Muon Source”. Um laboratório que possui um dos mais potentes feixes de neutrões e muões do mundo, localizado no Reino Unido.

Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Unidade de I & D “Química-Física Molecular” (QFM) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), lideraram o estudo que pretende o desenvolvimento de novos fármacos antitumorais com múltiplos locais de ação, ou seja, a quimioterapia multialvo. O objetivo é aumentar a eficácia do tratamento de doentes com cancro, principalmente em casos de prognóstico muito baixo.

Aumentar a eficácia do tratamento do cancro

Em geral “os medicamentos de combate ao cancro têm um único alvo (uma molécula recetora, que pode ser o ADN, uma proteína específica, a membrana da célula, etc.)”, mas os investigadores referiram: “Se conseguirmos um fármaco que atue simultaneamente em vários locais da célula, a eficácia do tratamento será maior, e terá menos efeitos tóxicos para o paciente”.

Os investigadores estudaram o comportamento dos diferentes tipos de água intracelular na presença de fármacos anticancerígenos, dado que a água é a substância mais abundante dentro da célula, e é essencial para o seu bom funcionamento.

“Só conhecendo todas as mudanças que os medicamentos desencadeiam na estrutura da água no interior da célula é possível avaliar de que forma esta água pode ser usada como um alvo terapêutico. É a primeira vez que se tenta perceber o efeito de fármacos na água intracelular”, indicam os investigadores, citados pela Universidade de Coimbra.

O estudo no interior da célula

A equipa de investigadores, que trabalha no desenvolvimento de novos fármacos contra o cancro há cerca de duas décadas, inovou também na realização das experiências, já que foi a primeira vez que se colocaram células cancerígenas humanas sob a ação de um feixe de neutrões. Para isso os investigadores cultivaram e incubaram com o fármaco um número extremamente elevado de células cancerígenas humanas imediatamente antes da aquisição dos dados. Trata-se de “experiências muito complexas, que exigem a utilização de milhões de células vivas”, esclareceu Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.

Cancro: Estudo da Universidade de Coimbra distinguido por Laboratório do Reino Unido
Cancro: Estudo da Universidade de Coimbra distinguido por Laboratório do Reino Unido

Estudo em cancro da mama metastático e cancro do osso

No estudo foram testados dois fármacos, em dois tipos de cancro muito agressivos: carcinoma de mama metastático (triplo-negativo) e osteossarcoma (cancro de osso, que afeta particularmente crianças e adolescentes). Os investigadores avaliaram primeiro o efeito de um medicamento conhecido, a cisplatina, e numa segunda fase foi testado um fármaco desenvolvido pela equipa da QFM-UC. Ambos os compostos têm como alvo principal o ADN da célula.

A equipa do estudo verificou que os resultados foram bastante promissores. “No seu conjunto, verificou-se que os dois fármacos afetam a água intracelular nos tipos de cancro agora estudados. Mais, observaram-se diferenças significativas no modo de ação dos dois medicamentos, dependentes ainda do tipo de cancro”, esclareceram os investigadores.

O estudo permitiu observar um duplo efeito dos fármacos na dinâmica da água intracelular. A água do citoplasma tornou-se mais rígida enquanto a água de hidratação das biomoléculas que se encontram no interior da célula (que funciona como uma capa protetora) tornou-se mais flexível. Para os investigadores, este efeito duplo é “muito positivo porque significa que provavelmente as biomoléculas não irão funcionar normalmente, levando à morte celular, que é o que se pretende numa célula doente”.

O ISIS Impact Award

O “ISIS Impact Award” agora atribuído, lançado em 2018, reconhece o impacto científico, social e económico do trabalho desenvolvido pela comunidade de utilizadores das instalações do centro “ISIS Neutron and Muon Source”, que é de cerca de um milhar de cientistas por ano. Cientistas de todo o mundo.

Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho referiram que foi com “surpresa e satisfação que recebemos a notícia, já que concorremos com centenas de cientistas de todo o mundo. É uma honra muito grande ver reconhecida a qualidade do trabalho desenvolvido na nossa unidade de investigação” com o “Society Impact Award”.

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