Cardo para biodiesel, celulose e fitoquímicos, em condições mediterrâneas

Cardo é uma planta adequada para cultivo em terras secas da região do Mediterrâneo, e com potencial para a produção de energia, celulose e fitoquímicos, concluiu estudo coordenado pelo Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia.

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Cardo para biodiesel, celulose e fitoquímicos, em condições mediterrâneas
Cardo para biodiesel, celulose e fitoquímicos, em condições mediterrâneas.

As sementes do cardo são ricas em óleo que pode servir de matéria-prima para a obtenção de biodiesel com propriedades similares a um diesel comercial, é um dos resultados de um estudo coordenado pelo Centro de Estudos Florestais (CEF) do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e que envolveu também investigadores da Universidade Politécnica de Madrid (UPM).

O estudo, já publicado na revista Biomass and Bioenergy, com o título, “Cynara cardunculus L. as a biomass and multi-purpose crop: A review of 30 years of research”, faz uma revisão da investigação produzida nos últimos 30 anos sobre o cardo (Cynara cardunculus L., nome científico).

O cardo é uma planta perene adaptada às condições climáticas do Mediterrâneo, ou seja, a elevadas temperaturas e a baixa pluviosidades, com verões quentes e secos. O potencial como cultivo agrícola não alimentar em terras já retiradas de produção da agrícola alimentar e a excelente produção de biomassa tem vindo a motivar o interesse da comunidade científica pelo cardo.

O estudo começou por uma revisão sobre “a morfologia, ecologia e desenvolvimento da planta”, e de seguida pelos “aspetos agrícolas relacionados ao estabelecimento e colheita de culturas”, o que permitiu fornecer “os dados disponíveis sobre os rendimentos de produção por componente de biomassa, desde pequenas parcelas” até “plantações em grande escala.”

O CEF indicou que “atualmente um dos desafios societais da política Horizonte 2020 da União Europeia (UE) é a implementação de medidas ambientais baseadas em energias renováveis para as quais a biomassa constitui um dos pilares fundamentais.” E que nessa linha “a UE tem vindo a promover a investigação de espécies não lenhosas com produtividade elevada para fins não alimentares que podem ser cultivadas como plantas agrícolas usando os solos em ‘set-aside’ e maquinaria tradicional, tais como, o sorgo, o miscanthus, o kenaf ou o cardo.”

O Centro do ISA lembrou ainda que “tem participado nos últimos 25 anos em diferentes projetos nacionais e internacionais dedicados ao estudo do cardo.”

No recente estudo sobre o cardo foram caraterizadas as diferentes frações biomássicas “quanto às propriedades anatómicas, químicas e físicas tendo em vista a sua utilização como matéria-prima para diferentes utilizações.”

Os investigadores avaliaram “o uso da biomassa de cardo para energia” tendo em conta “as suas propriedades combustíveis e desempenho nos vários processos de conversão, como combustão, gaseificação e pirólise”, e estudada a “produção de biometano e de etanol”, e os investigadores indicaram que os resultados foram “promissores.”

Outra das avaliações do cardo, feita pelos investigadores, foi a aptidão como fonte de fibra para produção de celulose e papel com a utilização de diferentes processos de deslignificação (kraft, soda, ASAM e organosolvs), tendo os resultados indicado que o cardo apresenta “bons rendimentos em pasta e propriedades físicas e mecânicas adequadas.”

As atividades fitoquímicas e farmacológicas de diferentes compostos extraídos da biomassa de cardo foram também investigadas.

O estudo de que são autores: Helena Pereira, Ana Lourenço e Jorge Gominho, do ISA, e Jesús Fernandez e Maria Dolores Curt da UPM, concluí que o cardo “é um bom candidato a ser cultivado nas terras secas da região do Mediterrâneo como uma cultura de campo perene para propósitos múltiplos e usos não convencionais.”

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