A COVID Longa é uma condição de saúde que se carateriza pela persistência de sintomas durante pelo menos três meses após a infeção inicial. Os sintomas mais frequentes, que são relatados, são de fadiga extrema, dificuldades de memória e concentração, dores musculares e articulares e alterações neurológicas.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam para um número estimado de 65 milhões de pessoas em todo o mundo a sofrer de COVID Longa.
Entre as pessoas afetadas, as mulheres com COVID Longa apresentam diferenças no funcionamento do sistema imunitário que ajudam a explicar as razões de sofrerem sintomas mais incapacitantes do que nos homens após a infeção por SARS-CoV-2. A conclusão é de um estudo liderado por Helena Soares, professora e investigadora principal da NOVA Medical School.
O estudo envolveu a participação de 34 pessoas com COVID Longa, com sintomas persistentes entre 9 meses e 5 anos após a infeção, além de outros 26 indivíduos também infetados, mas sem sintomas.
Os resultados do estudo mostram que “as mulheres apresentam uma carga de sintomas mais elevada do que os homens, sobretudo fadiga persistente, dificuldades de concentração e problemas de memória. Estes sintomas tendem também a agravar-se com a idade e com a duração da doença. As mulheres apresentaram também mais doenças associadas, em particular relacionadas com metabolismo, sistema neurológico e circulação, o que pode contribuir para a persistência dos sintomas. As queixas nos homens são, sobretudo, músculo-esqueléticas e algumas gastrointestinais.”
A NOVA Medical School refere em comunicado que “ao nível do sistema imunitário, as mulheres revelaram alterações em células imunitárias responsáveis pelo combate ao vírus, o que pode explicar a persistência dos sintomas e uma maior vulnerabilidade a problemas neurológicos, enquanto os homens apresentaram níveis mais elevados de inflamação generalizada”.
“A COVID Longa não afeta homens e mulheres da mesma forma. Identificar estas diferenças é um passo importante para compreender os mecanismos da doença e desenvolver abordagens mais eficazes e adaptadas ao perfil de cada doente”, afirmou, citada em comunicado, Helena Soares, líder do grupo de investigação em Imunopatologia Humana da NOVA Medical School.
Mais de metade dos participantes no estudo relataram dificuldades nas atividades do dia-a-dia e no trabalho. Para os investigadores os resultados do estudo mostram que a COVID Longa afeta as pessoas de forma diferente consoante o sexo, a duração da doença e o historial de saúde, o que mostra “a necessidade de abordagens terapêuticas mais personalizadas, de um melhor conhecimento da doença e de estratégias que apoiem o funcionamento diário e a qualidade de vida das pessoas afetadas.”














