Diagnóstico e acompanhamento especializado é relevante para doente de mastocitoses e síndrome de ativação mastocitária

Diagnóstico e acompanhamento especializado é relevante para doente de mastocitoses e síndrome de ativação mastocitária
Diagnóstico e acompanhamento especializado é relevante para doente de mastocitoses e síndrome de ativação mastocitária

A importância do diagnóstico atempado, do acompanhamento especializado e da valorização do impacto das mastocitoses na qualidade de vida, é relevado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), quando se assinala o Dia Internacional da Consciencialização para as Mastocitoses e Patologias Mastocitárias.

As mastocitoses são doenças raras caraterizadas pela acumulação anormal de mastócitos, células do sistema imunitário que participam, entre outras funções, nas reações alérgicas. A apresentação clínica e a evolução são variáveis, pelo que cada doente necessita de uma avaliação individualizada, indica a SPAIC.

A Sociedade de clínicos acrescenta que as manifestações podem incluir manchas na pele, comichão, episódios de vermelhidão da pele, dor abdominal e diarreia. Alguns doentes apresentam também osteoporose ou reações alérgicas graves (anafilaxias), que podem provocar queda da tensão arterial e desmaio, designadamente após picadas por abelhas ou vespas.

Entre as patologias mastocitárias inclui-se também a síndrome de ativação mastocitária, caraterizada por episódios recorrentes e graves de manifestações que afetam simultaneamente diferentes órgãos e sistemas, podendo traduzir-se em anafilaxia. Esta síndrome pode ocorrer em pessoas com ou sem mastocitose. O seu diagnóstico exige, além de manifestações clínicas compatíveis, evidência laboratorial de ativação dos mastócitos durante os episódios e resposta ao tratamento dirigido à ação dessas substâncias.

“A maioria dos doentes com mastocitose apresenta evolução favorável do ponto de vista da esperança de vida, mas isso não significa que a doença tenha pouco impacto. Os sintomas, a imprevisibilidade das reações e as limitações que daí resultam podem impactar a vida pessoal, familiar e profissional”, referiu, citado em comunicado, Tiago Azenha Rama, coordenador do Grupo de Trabalho de Patologia Mastocitária da SPAIC.

Como explicou a SPAIC, o diagnóstico exige a integração da história clínica com exames específicos. A diversidade das manifestações e o desconhecimento sobre estas doenças podem dificultar o seu reconhecimento. O tratamento é adaptado à doença e às necessidades de cada pessoa, procurando controlar os sintomas, prevenir reações graves e tratar as complicações. O acompanhamento pode exigir a articulação entre Imunoalergologia, Hematologia, Dermatologia, Pediatria e outras especialidades.

“Precisamos de melhorar a formação médica nesta área, facilitar a referenciação e assegurar o acesso aos exames e tratamentos adequados. É igualmente importante ouvir os doentes e avaliar de forma sistemática como a doença afeta o seu dia-a-dia”, acrescentou Tiago Azenha Rama.

No Dia Internacional da Consciencialização para as Mastocitoses e Patologias Mastocitárias, 20 de outubro, a SPAIC reforça a importância da colaboração entre os profissionais de saúde das diferentes áreas e instituições, e as associações de doentes, para melhorar o conhecimento sobre estas doenças e a resposta às necessidades de quem com elas vive.