ESA confirma destruição do módulo Schiaparelli em Marte

Imagens recolhidas pelas câmaras da sonda ‘Mars Reconnaissance Orbiter’ da NASA mostram que o módulo Schiaparelli da missão ExoMars 2016 ficou destruído depois do impacto com a superfície de Marte.

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ESA confirma destruição do módulo Schiaparelli em Marte
ESA confirma destruição do módulo Schiaparelli em Marte. Imagem:© ESA/ATG medialab

A Agência Espacial Europeia (ESA) indicou em comunicado que a sonda ‘Mars Reconnaissance Orbiter’ da NASA identificou marcas na superfície do Planeta Vermelho, que se acredita estarem relacionadas com o módulo Schiaparelli da Missão ExoMars 2016.

“O módulo Schiaparelli entrou na atmosfera de Marte às 14h42 TMG de 19 de Outubro. A descida até à superfície do planeta deveria durar 6 minutos, mas o módulo deixou de comunicar um pouco antes do previsto. Os dados gravados pela nave-mãe, a ‘Trace Gas Orbiter’, estão atualmente a ser analisados para entender o que aconteceu durante a sequência de descida”, indicou a ESA.

Em 20 de outubro, a câmara CTX a bordo da sonda ‘Mars Reconnaissance Orbiter’ captou imagens do local de amartagem (pouso), em Meridiani Planum (região de Marte junto ao equador), no âmbito da campanha planeada de captura de imagens.

ESA confirma destruição do módulo Schiaparelli em Marte
ESA confirma destruição do módulo Schiaparelli em Marte. Imagem: © NASA/JPL-Caltech/MSSS, Arizona State University

A imagem foi divulgada em 21 de outubro. Com uma resolução de 6 metros por pixel mostra duas novas marcas na superfície em comparação com uma imagem da mesma câmara captada em maio deste ano, do mesmo local.

Segundo a ESA “uma das características das marcas é serem brilhantes, podendo estar associadas ao paraquedas com 12 metros de diâmetro, usado na segunda fase da descida do Schiaparelli, depois da entrada inicial com o escudo térmico”. A ESA acrescenta que “o paraquedas, bem como o escudo térmico, foram libertados pelo módulo Schiaparelli antes da fase final. Uma fase em que os nove propulsores deveriam ter abrandado a descida do módulo e desligando apenas já quase em cima da superfície de Marte”.

A outra novidade que aparece na imagem, indicou a ESA, “é uma mancha escura difusa de aproximadamente 15 x 40 metros de tamanho a cerca de 1 km a norte do local do paraquedas”. Esta mancha “é interpretada como decorrente do impacto do módulo Schiaparelli na superfície, na sequência de uma descida em queda livre e mais rápida do que previsto, depois dos propulsores se terem desligado prematuramente”.

A ESA estima que o módulo Schiaparelli tenha caído livremente de uma altura entre os 2 e os 4 km, atingindo uma velocidade de impacto superior a 300 km por hora. O tamanho relativamente grande da marca na imagem sugere um grande impacto do módulo na superfície. “É também possível que o Schiaparelli tenha explodido com o impacto, e como os seus tanques de propelente provavelmente ainda completos”.

Os cientistas vão durante a próxima semana estudar as marcas recorrendo a imagens da câmara HiRISE de alta resolução a bordo da sonda ‘Mars Reconnaissance Orbiter’. Com essas imagens os cientistas também esperam poder localizar o escudo térmico.

A trajetória de descida do módulo foi observada a partir de três locais diferentes, pelo que os cientistas estão confiantes de que serão capazes de reconstruir a cadeia de eventos com grande precisão. O que motivou a anomalia do Schiaparelli ainda está sob investigação, indicou a ESA.

As duas marcas localizadas em Marte encontram-se a 353,79 graus de longitude leste, 2,07 graus de latitude sul. A posição da marca escura mostra que Schiaparelli colidiu aproximadamente a 5,4 km a oeste do ponto de amartagem previsto, e portanto muito dentro da elipse de 100 x 15 km esperada para pousar.

Equipas de cientistas continuam a descodificar os dados extraídos a partir da gravação de sinais de descida do Schiaparelli gravados pelo ‘ExoMars Trace Gas Orbiter’, a fim de estabelecer correlações com as medições feitas pelo ‘Grand Metrewave Radio Telescope’, e o ‘Mars Express’ da ESA em órbita.

A ESA indicou que uma quantidade substancial de dados de engenharia extremamente valiosos do módulo Schiaparelli foram transmitidas à ‘Trace Gas Orbiter’ durante a descida e estão a ser analisados pelos engenheiros.

A sonda ‘ExoMars Trace Gas Orbiter’ está atualmente numa órbita de 101.000 km x 3.691 km (em relação ao centro do planeta), com um período de 4,2 dias, assim dentro da órbita inicial prevista. A sonda está a funcionar muito bem e serão feitos exames de calibração durante duas órbitas em novembro de 2016, e conforme o que está planeado a partir de março de 2017 a orbita passará a circular a uma altitude de 400 km de Marte.

A ESA esclareceu que a ‘ExoMars Trace Gas Orbiter’ começará, a partir de março de 2017, a missão científica primária de estudar a atmosfera de Marte em busca de possíveis indícios de vida abaixo da superfície, e a atuar como uma estação de retransmissão de telecomunicações para o ‘ExoMars Rover 2020’.

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