Exposição a radiação de radiofrequência ligada a tumores em ratos

Investigadores estabeleceram ligação entre níveis elevados de exposição a radiação de radiofrequência e o desenvolvimento de tumores. O estudo desenvolvido nos EUA pelo Programa Nacional de Toxicologia mostrou que ratos machos desenvolveram tumores.

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Exposição a radiação de radiofrequência ligada a tumores em ratos
Exposição a radiação de radiofrequência ligada a tumores em ratos. Foto: Rosa Pinto

Roedores submetidos a níveis elevados de exposição a radiação de radiofrequência (RRF) desenvolveram tumores nos tecidos que cercam os nervos em redor do coração. Isto ocorreu em ratos machos, mas não em ratos fêmeas nem na espécie de ratos domésticos, indica estudo desenvolvido pelo Programa Nacional de Toxicologia (PNT) do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental, dos Estados Unidos da América.

Os investigadores indicaram que os níveis de exposição utilizados nos estudos foram iguais e superiores ao nível mais alto permitido para a exposição local dos tecidos nas emissões dos atuais telemóveis. Os telemóveis emitem níveis mais baixos de RRF do que o nível máximo permitido.

As conclusões preliminares da PNT foram divulgadas em dois relatórios técnicos, um dos estudos sobre ratos e um outro sobre a espécie de ratos domésticos. Agora o PNT indica que pretende que especialistas externos ao PNT possam analisar as conclusões dos estudos sobre os roedores.

A incidência de tumores, chamados neuromas malignos, foram observados no coração, em ratos machos, depois de terem sido expostos a níveis de radiação de radiofrequência para além das emissões permitidas para os telemóveis. Os investigadores também observaram aumentos incomuns de cardiomiopatia, ou danos no tecido cardíaco, nos ratos machos e fêmeas expostos. Para os investigadores tem havido pouca informação sobre de problemas de saúde em ratos relacionados com a radiação de radiofrequência.

Os relatórios do Programa Nacional de Toxicologia também indicam aumentos estatisticamente significativos, em ratos e na espécie ratos domésticos, de tumores noutros órgãos quando submetidos a níveis mais elevados de exposição, incluindo tumores no cérebro, próstata, glândula pituitária, glândula adrenal, fígado e pâncreas. No entanto, os investigadores são cautelosos e indicam que estas descobertas não possuem a solidez bastante para determinar se algum dos tumores está relacionado à RRF.

John Bucher, cientista sénior da NTP, referiu: “Os níveis e a duração da exposição à RRF foram muito maiores do que as pessoas experimentam, mesmo com o maior nível de utilização do telemóvel, e acresce que no caso em estudo todo o corpo dos roedores foi exposto. Por isso, os resultados não devem ser diretamente extrapolados para humanos pelo uso de telemóveis.”

O cientista acrescentou: “Observamos, no entanto, que os tumores que vimos nestes estudos são semelhantes aos tumores relatados em alguns estudos anteriores de utilizadores frequentes de telemóveis”.

Para realizar os estudos, a PNT construiu câmaras especiais que expuseram ratos e os ratos domésticos a diferentes níveis de RRF durante dois anos. Os níveis de exposição variaram de 1,5 a 6 watts por quilograma (W / kg) em ratos e 2,5 a 10 W / kg em ratos domésticos.

O nível mais baixo usado na experiência com os ratos foi igual ao nível mais alto permitido para exposições locais de tecido às emissões atuais dos telemóveis. Os animais foram expostos por 10 minutos, com incrementos de 10 minutos, totalizando um pouco mais de 9 horas por dia. Os estudos utilizaram frequências e modulações 2G e 3G, que são ainda usadas nas comunicações de voz e de texto nos Estados Unidos, e em muitos outros países.

As redes 4G, 4G-LTE e 5G mais recentes para transmissão de vídeo e download de dados usam frequências e modulações do sinal de telemóvel diferentes das usadas no estudo.

Os estudos do PNT também procuraram uma série de efeitos não permanentes sobre a saúde em ratos e em ratos domésticos, incluindo alterações no peso corporal, evidências de danos nos tecidos causados ​​por aquecimento gerado pela RRF e danos genéticos.

Os investigadores verificaram que os ratos recém-nascidos tinham peso inferior, especialmente quando as mães foram expostas a altos níveis de RRF durante a gravidez e a aleitação. No entanto, estes animais atingiram o tamanho normal.

John Bucher referiu: “Esses estudos foram complexos e tecnicamente desafiadores, e fornecem uma avaliação mais abrangente, do que tinha sido feita anteriormente, sobre os efeitos na saúde em ratos e ratos domésticos submetidos a exposição a RRF.”

O especialista acrescentou: “As tecnologias dos telemóveis estão em constante mudança, e estas descobertas fornecem informações valiosas para ajudar a orientar futuros estudos sobre segurança dos telemóveis”.

A Food and Drug Administration (FDA) indicou a NTP para o estudo da radiação de radiofrequência dos telemóveis, dado o uso generalizado dos mesmos. A FDA e a Comissão Federal de Comunicações são as entidades responsáveis ​​pela regulação dos dispositivos de comunicação sem fio, nos EUA.

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