Investigação portuguesa pode garantir sustentabilidade da castanha

Investigadores portugueses do ITQB NOVA e do INIAV desvendaram mecanismo de defesa do castanheiro à doença da tinta. Este conhecimento vai permitir o melhoramento do castanheiro e a sustentabilidade da produção de castanha em Portugal.

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Castanheiros. Foto: Rosa Pinto

Investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) NOVA e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) desvendaram o mecanismo molecular da resistência do castanheiro asiático à doença da tinta, provocada pelo fungo Phytophthora cinnamomi. Uma doença que está a matar milhares de castanheiros por toda a Europa.

Em Portugal houve uma diminuição de 27,3% na área de distribuição de castanheiros entre 2002 e 2004, devido à doença da tinta. Em todo mundo o impacto da doença pode vir a ser devastador nos ecossistemas naturais, na agricultura, na horticultura, na silvicultura e na indústria de viveiro.

A doença da tinta é provocada por um microorganismo que vive no solo e que ataca as raízes da árvore, impedindo a absorção de nutrientes e água levando à degradação e morte de milhares de castanheiros. No entanto, o castanheiro asiático é mais resistente que as outras variedades a estes ataques.

As espécies do Leste Asiático têm sido utilizadas, desde o século passado, em programas de melhoramento de castanheiros europeus dada a sua resistência à doença radicular.

Investigadores do ITQB NOVA e do INIAV procederam ao estudo sobre a resistência do castanheiro asiático à doença e verificaram que “a primeira linha de defesa é determinante para a resistência à doença. Quando atacado pelo microrganismo, o castanheiro asiático produz proteínas que conseguem proteger as raízes e espessar a parede das células, inibindo e reduzindo a sua virulência.”

Para Pedro Fevereiro, investigador líder da equipa do ITQB NOVA, com os resultados da investigação vai ser possível “o desenvolvimento de marcadores moleculares para apoiar o programa de melhoramento do castanheiro”, ou seja, vão permitir “selecionar híbridos e variedades de castanheiro que sejam resistentes à doença, para garantir a sustentabilidade da produção de castanha em Portugal”.

O trabalho, que já foi publicado na revista ‘Frontiers in Plant Science’, e de que são autores Carmen Santos, Sofia Duarte, Sara Tedesco, Pedro Fevereiro e Rita Costa, faz parte no programa de melhoramento do castanheiro europeu, que venceu recentemente o Prémio Floresta e Sustentabilidade na categoria de Projetos de I&D.

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