Medicamento Entrectinib mostra-se eficaz contra cancro do pulmão

Entrectinib é um medicamento eficaz e bem tolerado no tratamento do cancro do pulmão ROS1 e NTRK, especialmente com metástases cerebrais. A conclusão é de um estudo de três ensaios clínicos. O medicamento já foi aprovado pela FDA e EMA.

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Medicamento Entrectinib mostra-se eficaz contra cancro do pulmão
Medicamento Entrectinib mostra-se eficaz contra cancro do pulmão. Robert C. Doebele. Foto: Centro do Cancro da Universidade do Colorado, EUA

O resultado conjunto de três ensaios clínicos de fase 1 e 2 mostra que o medicamento entrectinib é eficaz e bem tolerado no tratamento do Cancro do Pulmão de Células Não Pequenas (CPCNP), positivo para fusão ROS1 e NTRK. Os resultados dos ensaios mostram uma taxa de resposta de 77% ao entrectinib em 53 pacientes com CPCNP +ROS1, com uma sobrevida mediana livre de progressão de 19 meses e duração mediana de resposta de 24,6 meses.

Em 54 pacientes com CPCNP +NTRK, 57% responderam ao entrectinib, com sobrevida mediana livre de progressão de 11,2 meses e duração mediana da resposta de 10,4 meses.

Aprovação do entrectinib pela FDA e EMA

O medicamento entrectinib recebeu aprovação, em agosto de 2019, pela Food and Drug Administration (FDA), dos EUA, e pela Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla do inglês) para o tratamento CPCNP +ROS1 metastático e para tumores avançados em todos os tipos de cancro definidos pela fusão NTRK.

“Para um medicamento obter aprovação para uso simultânea contra dois alvos diferentes, é algo único. Eu não sei de outro caso que tenha acontecido antes”, referiu Robert C. Doebele, diretor do Centro de Oncologia Torácica da Universidade do Colorado, e autor sénior do estudo para o ROS1 e primeiro autor do estudo para o NTRK.

O crizotinib não resolve cancros mestatizados para o cérebro

Cerca de 2% dos cancros do pulmão são causados ​​pela fusão imprópria do gene ROS1 com um dos poucos possíveis parceiros genéticos, resultando num gene de fusão ROS1 causador de cancro. Cerca de 1% de todos os tumores sólidos, mas não se limitando ao cancro do pulmão, são igualmente causados ​​por genes de fusão NTRK. O medicamento crizotinib, aprovado pela FDA e EMA, pode, em alguns casos, silenciar a ação dos genes de fusão ROS1, mas não pode alcançar cancros que tenham sido metastizados para o cérebro. E, infelizmente, 36% dos pacientes com CPCNP +ROS1 já apresentam metástases cerebrais no momento do diagnóstico da doença e muitos outros desenvolvem metástases cerebrais durante o tratamento.

O entrectinib é eficaz nos cancros de pulmão mestatizados

“Para o cancro do pulmão ROS1 +, o entrectinib representa um novo e melhor standard de tratamento devido à sua eficácia contra o ROS1 no organismo e, principalmente, devido à sua atividade contra as metástases cerebrais do +ROS1”, referiu Robert C. Doebele, e acrescentou: “Para os cancros NTRK, o quadro é um pouco mais complexo e acho que depende da possibilidade de um cancro +NTRK desenvolver metástases cerebrais. Pessoalmente, se eu fosse um paciente e sentisse que havia alguma hipótese de eu ter metástases cerebrais eu seria favorável a tomar o medicamento”.

Nos ensaios clínicos de fase 1 ou 2 para adultos com CPCNP +ROS1 ou +NTRK localmente avançado ou metastizado que receberam tratamento anterior sem incluir outros inibidores da ROS1. Os pacientes receberam entrectinib pelo menos 600 mg por via oral uma vez ao dia, durante pelo menos 12 meses. Robert C. Doebele descreveu o medicamento como “bem tolerado com um perfil de segurança administrável”, tendo sido verificados efeitos colaterais como aumento de peso em 8% e neutropenia em 4%, e 11% dos pacientes apresentaram eventos adversos graves relacionados ao tratamento, sendo os mais comuns os distúrbios do sistema nervoso em 3% e cardíacos em 2%. Não ocorreram mortes relacionadas com o tratamento.

“Os genes ROS1 e NTRK estão numa lista crescente de fatores genéticos conhecidos de cancro do pulmão de células não pequenas. Além de mostrar o benefício do entrectinib contra cancros causados ​​por esses genes de fusão, esses resultados destacam a importância do teste genético do cancro do pulmão de células não pequenas, especialmente quando os pacientes são diagnosticados com a doença na ausência de outros fatores de risco”, referiu Robert C. Doebele.

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