Miguel Monjardino no Dia de Portugal: “Uma nação livre não deve ter medo” mas “deve é estar prevenida e preparada”

Miguel Monjardino no Dia de Portugal: “Uma nação livre não deve ter medo” mas “deve é estar prevenida e preparada”
Miguel Monjardino no Dia de Portugal: “Uma nação livre não deve ter medo” mas “deve é estar prevenida e preparada”

No Açores onde decorem este ano de 2026 as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Presidente da Comissão Organizadora, Miguel Monjardino, começa por citar o hino nacional “Heróis do mar” e referir para não ser esquecido, e que “há duas formas de contemplarmos a história do nosso país: olhar para o mar a partir da terra ou olhar para a terra a partir do mar.

Depois de lembrar a referência a Camões pelo reconhecimento da grandeza, universalidade e modernidade da sua obra, “Os Lusíadas”, Miguel Monjardino traça a importância histórica e presente de Angra do Heroísmo onde têm lugar as celebrações do 10 de junho, em 2026, e a importância como Património Mundial pela UNESCO.

Sobre as ilhas e sobre o mar, Miguel Monjardino lembra que “este será um século marítimo”, e por isso, “devemos olhar para a terra novamente a partir do mar.” Ora, se “os Açores e a Madeira continuarão a fazer a ligação entre a Europa, as Américas e África”, então “precisamos de ter as pessoas e os recursos para garantir a soberania nacional no território português no Atlântico.”

No entanto, para Miguel Monjardino “uma cortina de medo tem vindo a descer sobre Portugal”, e a justificação desse facto e do “nosso pessimismo”, é “provavelmente a consciência de que um longo ciclo histórico iniciado em 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial, chegou ao fim nos últimos anos.

Agora, “o futuro será, muito naturalmente, diferente”, pois “um mundo multilateral e apoiado em instituições internacionais que nos foi altamente benéfico está a desaparecer e a ser substituído por um mundo muito mais hierárquico, complexo e fragmentado.”

Para Miguel Monjardino “a Grande Rutura está em curso” e está a ser criado “um novo ciclo histórico”, em que vai dando origem “a três tipos de respostas”, e referiu que “a primeira é a invocação do poder e da força para defender interesses e privilégios.”

Mas, acrescenta que “o seu uso descontrolado provoca sempre uma reação adversa nos outros”, e numa alusão as palavras usados pelo Presidente da maior potência mundial, afirma que “os menos fortes podem não ter muitas cartas. Mas os mais fortes, também não têm todas as cartas. E, algumas vezes, esquecem-se disto.

Outra das respostas, a segunda “é a defesa do multilateralismo”. No entanto, lembra que “o multilateralismo só é possível e credível quando é capaz de se afirmar face a outros poderes”, mas que atualmente “o mundo não é um terreno da moral, mas sim político em que o poder é importante”.

Mas para Miguel Monjardino “só é possível impor ou manter o que é aceite por muitos. Mas a alteração na distribuição do poder mudará o multilateralismo. O nosso não será necessariamente o dos outros.”

No entanto, “até 2030, viveremos tempos de urgência”, em que “a desordem e a ignorância são os nossos principais inimigos”. Miguel Monjardino conclui que para além dos aliados com quem se partilha valores, interesses e memórias históricas, “dependeremos primeiro de nós”. O Presidente da Comissão Organizadora conclui afirmando: “Teremos de estar atentos aos nossos aliados e adversários. Uma nação livre não deve ter medo. Não deve. Deve é estar prevenida e preparada”.