A escalada do conflito no Iémen com deslocação em massa da população estão aumentar o risco de surtos de doenças infeciosas, para o que contribui a superlotação, o acesso inadequado à água potável e a interrupção dos serviços de saúde que expõem um número crescente de pessoas à cólera, ao sarampo e a outras doenças evitáveis, indicou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados indicados pela OMS apontam que desde 6 de agosto, quando aumentou a escalada da violência, o número de pessoas deslocadas é superior 200 mil o que coincide com um aumento acentuado na transmissão da cólera.
Os casos suspeitos de cólera triplicaram em três semanas, passando de 217 na semana epidemiológica 36 para 647 na semana 39. O Iémen reportou 8.034 casos suspeitos e 27 mortes em 2026, com um quarto dos casos a ocorrer nas últimas quatro semanas.
A OMS indicou que as crianças enfrentam sérios riscos de sarampo, com mais de 22.800 casos suspeitos e 128 mortes relatadas já em 2026. A cobertura vacinal, estimada em 45% para cada uma das duas doses recomendadas, é criticamente baixa, o que aumenta o risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação.
O crescente número de casos de doenças está exercer um aumento de pressão sobre os serviços de saúde que tratam milhares de pessoas feridas nos combates. Aproximadamente 500 unidades de saúde em nove províncias afetadas não contam com o apoio de parceiros.
A OMS indicou que está a apoiar o Ministério da Saúde Pública e População para fortalecer a vigilância e a resposta a surtos. As intervenções financiadas incluem 18 equipes de resposta rápida, dez centros de tratamento de diarreia, kits para cólera e sarampo e testes de diagnóstico. A OMS também entregou medicamentos essenciais, fluidos intravenosos, antibióticos e suprimentos para prevenção de infeções em Aden.
Entretanto, a OMS indicou que precisa urgentemente de mais financiamento para conter surtos, manter serviços essenciais de saúde e proteger as comunidades deslocadas.















