Organizações em Portugal enfrentaram em julho 2390 ciberataques por semana

Organizações em Portugal enfrentaram em julho 2390 ciberataques por semana
Organizações em Portugal enfrentaram em julho 2390 ciberataques por semana

As organizações em Portugal enfrentaram, em julho de 2026, uma média de 2.390 ciberataques por semana, mais 15% do que no mesmo período de 2025, revelou a empresa especializada em soluções de cibersegurança, Check Point. Um número que de ciberataques acima da média europeia que foi de 2.051 ciberataques semanais por organização, e mesmo acima da média mundial, que foi de 2.336.

Entretanto, a nível global, a pressão continua a aumentar, com o número de ciberataques a crescer 16% num ano e as vítimas reportadas de ransomware a subirem 87%.

Os dados do Global Threat Intelligence Report de julho de 2026 mostraram um cenário de risco cada vez mais distribuído por diferentes vetores. Para além do crescimento dos ataques tradicionais, o ransomware voltou a acelerar de forma significativa e a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa está a criar novos riscos relacionados com a exposição de informação sensível dentro das organizações.

Por setores, a Educação mantém em Portugal na primeira posição entre os mais atacados, seguida pela Administração Pública. Em ambos os casos, o nível de ciberataques fica acima da referência global do respetivo setor. As Telecomunicações ocupam a terceira posição com a súbita de um lugar em julho, seguindo-se os Serviços Financeiros, Serviços Empresariais, Bens e Serviços de Consumo e Indústria Transformadora.

O cenário nacional acompanha uma tendência europeia. A Europa registou uma média de 2.051 ciberataques semanais por organização, mais 18% do que há em 2025.

Ciberataques continuam a aumentar em todo o mundo

A nível global, as organizações enfrentaram em julho uma média de 2.336 ciberataques por semana, mais 3% do que em junho e mais 16% do que em julho de 2025.

A Educação manteve se como o setor mais atacado a nível mundial, com uma média de 4.848 ataques semanais por organização, mais 14% num ano. A Administração Pública surge em segundo lugar, com 3.044 ataques, seguida pelas Telecomunicações, com 2.927. Energia e Utilities registaram 2.759 ataques semanais, mais 20%, enquanto Hotelaria, Viagens e Lazer entrou no grupo dos cinco setores mais atacados, com 2.614 ataques por organização e um crescimento de 28%.

Em termos regionais, a América Latina continua a apresentar o maior volume de ataques, com uma média de 3.561 por organização e por semana, mais 19% num ano. A região Ásia Pacífico registou 3.316 ataques, África 3.237, a Europa 2.051 e a América do Norte 1.613.

“Os dados de julho mostram que o risco cibernético se acumula simultaneamente em várias frentes. O volume de ataques continua a aumentar, o ransomware acelerou de forma muito significativa e a exposição associada à Inteligência Artificial Generativa já faz parte da atividade diária das empresas. As organizações precisam de uma segurança baseada em prevenção e suportada por Inteligência Artificial, capaz de proteger redes, utilizadores, dados e fluxos de trabalho de IA antes de os ataques conseguirem causar impacto”, afirmou, citado em comunicado, Omer Dembinsky, Data Research Manager da Check Point Research.

Ransomware dispara 87% num ano

De acordo com a Check Point Research, o ransomware representa uma das evoluções mais expressivas observadas em julho. Tendo sido identificadas 964 vítimas reportadas, mais 49% do que em junho e mais 87% do que em julho de 2025, pelos investigadores da empresa.

O crescimento rompe com a relativa estabilidade observada durante o primeiro semestre de 2026, período em que a atividade de ransomware se situou numa média mensal de aproximadamente 672 incidentes. Com os Serviços Empresariais a ser o setor mais afetado, com 32,5% das vítimas reportadas, seguidos pela Indústria Transformadora, com 14,4%, e pelos Bens e Serviços de Consumo, com 13,4%.

A América do Norte concentrou 45% dos incidentes reportados, seguida pela Europa, com 28% das vítimas de ransomware, e pela região Ásia Pacífico, com 17%. Os Estados Unidos representaram 39,4% das vítimas identificadas, seguindo-se a Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália.

Entre os grupos de ransomware, The Gentlemen e Qilin foram os mais ativos em julho, cada um responsável por 14% dos ciberataques. O grupo DeadLock surgiu em terceiro lugar, com 10% e 97 vítimas reportadas.

Inteligência Artificial Generativa já representa um risco diário para os dados empresariais

Para a Check Point a utilização crescente de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa está também a transformar o perfil de risco das organizações. Em julho, um em cada 36 prompts enviados a partir de redes empresariais apresentou elevado risco de fuga de informação sensível. Cerca de 88% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de GenAI foram afetadas por atividade de elevado risco, enquanto 22% dos prompts analisados continham informação potencialmente sensível.

Em média, cada organização utilizou oito ferramentas diferentes de GenAI e cada utilizador gerou aproximadamente 95 prompts durante o mês. Os dados pessoais foram a categoria de informação sensível mais frequentemente identificada, presente em 70% das organizações. Seguiram se informação financeira e dados relacionados com redes e infraestrutura de TI, ambos presentes em 68%, informação jurídica e regulamentar, em 63%, e dados de colaboradores e Recursos Humanos, em 62%.

Por setor, os Serviços Empresariais registaram o maior risco, com 3,7% dos prompts classificados como de elevado risco, o equivalente a um em cada 27. Seguiram se Saúde, Tecnologias de Informação, Administração Pública e Serviços Financeiros.

Email continua a ser uma das principais portas de entrada

Apesar do aparecimento de novas superfícies de ataque, o email, refere a Check Point, continua a desempenhar um papel central na atividade cibercriminosa. Em julho, um em cada 128 emails, correspondente a 0,78%, foi classificado como phishing, enquanto outros 20% foram identificados como mensagens indesejadas ou de risco, incluindo spam, mensagens suspeitas e graymail.

África apresentou a maior incidência de phishing, com um em cada 106 emails, seguida pela América do Norte, com um em cada 117. Na Europa, a taxa foi de 0,55%, equivalente a um email de phishing em cada 181.

Para a Check Point Research, estes dados reforçam a necessidade de uma abordagem de segurança assente na prevenção e numa proteção coordenada entre rede, cloud, postos de trabalho, email, dados e utilização de Inteligência Artificial. Num cenário em que várias categorias de risco evoluem em simultâneo, a capacidade de antecipar ataques e proteger informação sensível antes de ocorrer um incidente torna se cada vez mais determinante.