Um padrão irregular e níveis consistentemente mais altos de uma hormona do stress, o cortisol, encontrados na saliva, foram associados ao declínio cognitivo nas pessoas idosas. Os resultados são de um estudo já publicados na “JAMA Network Open” que mostram que os indivíduos de raça caucasiana apresentaram níveis gerais mais altos e variáveis ao longo do dia em comparação com os indivíduos de raça negra.
“Analisamos o cortisol salivar, pois ele circula ativamente no corpo e interage com órgãos, incluindo o cérebro”, disse Ted KS Ng, autor do estudo e gerontólogo translacional e neurocientista do Rush University Medical Center. “O desenho do estudo mostra que existem diferenças raciais nos padrões de cortisol, o que pode refletir a exposição regular ao stress e o seu impacto duradouro em comunidades que enfrentam condições sociais e económicas adversas.”
Ao longo de um período de 24 horas, o cortisol foi medido em três momentos do dia: manhã, tarde e noite.
“Os padrões de cortisol diferiram entre os participantes negros e brancos”, disse Ted KS Ng. “Os participantes negros apresentaram níveis gerais mais baixos, menos variações ao longo do dia e um padrão mais estável da manhã à noite. Mas, mesmo com essas diferenças, os padrões de cortisol foram associados ao declínio cognitivo de maneiras semelhantes em ambos os grupos. Pessoas com maior variação ao longo do dia apresentaram declínio cognitivo mais lento, enquanto aquelas com os níveis gerais de cortisol mais altos apresentaram declínio mais rápido.”
O estudo acompanhou 3.895 pessoas com idade média de 76,7 anos. Os participantes foram provenientes do Projeto de Saúde e Envelhecimento de Chicago (CHAP), sendo 2.503 negros e 1.392 brancos. Os participantes do CHAP, neste estudo, eram de quatro bairros da zona sul de Chicago e foram acompanhados por um período de até 11 anos.
“Um ponto forte deste estudo é que mais de 60% dos participantes eram idosos negros”, disse Ted KS Ng. “Muitos estudos foram conduzidos principalmente em populações brancas. Isso dá-nos a oportunidade de examinar as diferenças nos níveis de cortisol na saliva entre diferentes grupos raciais, ao mesmo tempo que analisamos como os padrões de cortisol afetam o declínio cognitivo.”
A liberação da harmona cortisol é a forma natural do corpo responder ao stress. O cortisol atravessa a barreira hematoencefálica e liga-se a recetores em áreas do cérebro responsáveis pela cognição. Esta investigação destaca os potenciais efeitos a longo prazo do stress sobre a função cerebral.
“Estas descobertas sugerem que este biomarcador relacionado ao stress pode um dia identificar pessoas com maior risco de declínio cognitivo”, disse Ted KS Ng. “Existem algumas desvantagens em estudos que examinam os níveis de cortisol, portanto, seriam necessários mais estudos para examinar o que acontece ao longo de um período mais longo, a fim de encontrar novas maneiras de promover um envelhecimento cognitivo saudável.”
O estudo não constatou que os padrões de cortisol previssem quem desenvolveria a doença de Alzheimer durante o período de acompanhamento.















