Percevejo asiático: um invasor a combater, alertam investigadores de Coimbra

Investigadores da Universidade de Coimbra alertam para mais um invasor, o percevejo asiático. O inseto foi já intercetado na região do Pombal preveniente de Itália. Os investigadores lançam campanha para localizar os percevejos.

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Percevejo asiático: um invasor a combater alertam investigadores de Coimbra
Percevejo asiático: um invasor a combater alertam investigadores de Coimbra. Da esquerda para a direita, os investigadores: Hugo Gaspar, Sílvia Castro, João Loureiro e Joana Costa. Foto: DR

Quando são várias as brigadas que por todo o país estão envolvidas no combate à vespa asiática ou vespa velutina, investigadores da Universidade de Coimbra alertam para um novo exército de invasores, o percevejo asiático ou halyomorpha halys.

Uma equipa do Centre for Functional Ecology (FLOWer Lab), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que estuda o inseto lançou uma campanha de sensibilização sobre a problemática da praga do percevejo asiático para sensibilizar a população em geral, e os produtores agrícolas em particular para a identificação do invasor.

A campanha, que é inserida no projeto i9Kiwi, inclui vários materiais de divulgação, entre os quais panfletos acerca do percevejo asiático, difundidos em formato físico ou através das redes sociais, bem como a realização de comunicações públicas e publicações técnicas, alertando para a problemática deste inseto.

Os investigadores do FLOWer Lab apelam à participação de todos os cidadãos para partilharem no grupo de Facebook “Percevejo asiático (Halyomorpha halys) PT”, ou enviando para o e-mail: h.halys.i9k@gmail.com, fotografias de possíveis avistamentos do inseto.

O percevejo asiático é nativo do oeste asiático, mas foi introduzido acidentalmente nos continentes americano, nos EUA em 2001 e no Chile em 2017, no continente europeu é conhecida a sua presença na Suíça em 2004, e a partir daí tem-se indo a expandir e já invadiu 22 países.

Na Catalunha, em Espanha, encontram-se populações estabelecidas desde 2016, e no início de 2019, o percevejo asiático foi intercetado em Portugal na região de Pombal, introduzido num equipamento agrícola importado de Itália, de acordo com informação da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). A Itália é país europeu onde o percevejo está a causar maiores prejuízos económicos.

João Loureiro, investigador do FLOWer Lab, citado em comunicado da UC, referiu: “O estabelecimento de mais uma praga agrícola no nosso país, especialmente de um inseto picador-sugador capaz de se alimentar em mais de 300 espécies de plantas nas suas diferentes estruturas (frutos, folhas, rebentos…), incluindo inúmeras plantas de interesse agrícola, poderá ter efeitos muito negativos para a agricultura”.

O investigador acrescentou: “É durante o período de atividade em que se alimenta (de abril a novembro) que inviabiliza comercialmente os produtos agrícolas (provocando cicatrizes, depressões, descolorações, deformações e/ou queda). As perdas a este nível podem chegar a 90% de produção, e culturas agrícolas como o tomate, milho, pera, uva, e laranja, tão relevantes no contexto nacional, podem vir a ser severamente afetadas, sem que haja ainda uma forma eficaz de controlo”.

Ao nível de saúde pública, “a procura do inseto por abrigos, nomeadamente no interior de casas e barracões, para a fase de diapausa (hibernação) durante os meses frios (Dezembro-Março), leva uma concentração elevada de organismos – na ordem dos milhares de insetos- agravada pela libertação de odores nefastos quando perturbados”, concluiu João Loureiro.

Hugo Gaspar, investigador do FLOWer Lab responsável pela produção dos materiais de divulgação e pela identificação dos avistamentos suspeitos, indicou: “O clima favorável em Portugal, a rápida progressão observada e os danos agrícolas e de saúde pública com difícil combate, e a intersecção verificada em Portugal no início do ano, tornam imperativo trazer o conhecimento ao público e assim tentar evitar a expansão silenciosa. O estado de alerta é a melhor medida que podemos tomar neste momento e a ajuda de todos é essencial, principalmente através da participação ativa dos produtores agrícolas”.

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