Populações de Trás-os-Montes expostas a risco elevados de Radão

Estudo sobre o gás Radão na região de Trás-os-Montes e Alto Douro conclui que algumas populações estão sujeitas níveis que ultrapassam as recomendações comunitárias. O estudo do gás em rochas, solos e habitações envolveu a UTAD e UC.

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Equipa de investigadores faz medições de Radão no solo
Equipa de investigadores faz medições de Radão no solo. Foto: DR

Um estudo envolvendo a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Universidade de Coimbra (UC), no âmbito de uma tese de doutoramento, mediu e avaliou a presença de radão na Região de Trás-os-Montes. O estudo concluiu haver habitações onde se registam valores muito superiores aos limites indicados na diretiva da União Europeia, 2013/59/EURATOM.

O radão é um gás incolor, inodoro e insípido sendo “considerado um importante fator de risco para a saúde humana, também reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como a segunda causa de cancro do pulmão na população depois do tabaco e a primeira para não fumadores”, indica a UTAD.

A área envolvida no estudo radiológico abrangeu uma grande variedade de rochas distribuídas pelos concelhos de Vila Real, Sabrosa, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas, Chaves, Valpaços, Murça, Alijó e Carrazeda de Ansiães.

Lisa Maria Martins, autora da tese de doutoramento, indicou, que se trata de um estudo pioneiro em Portugal “porque estuda a origem do radão”, tendo o trabalho envolvido uma avaliação do fundo radiométrico, das atividades de rádio e radão, emanação e produção de radão em rochas, da concentração de radão nos solos e na atmosfera interior em 269 edifícios.

O estudo com o título ‘Controlo geológico e mineralógico da radioatividade natural: um estudo na região de Trás-os-Montes e Alto Douro’ desenvolvido por Lisa Maria Martins e orientado pelos professores Elisa Preto Gomes da UTAD, e Alcides Pereira e Luís Figueiredo Neves da UC, foi feito no âmbito do doutoramento em Geologia.

A investigadora procedeu à recolha de dados por medição do radão em habitações durante o inverno, dado que é quando se verifica uma maior concentração de calor em espaços confinados, devido ao aquecimento artificial dos edifícios. Para as medições utilizou detetores do Laboratório de Radioatividade Natural da Universidade de Coimbra, onde também foram realizadas as análises.

A UTAD refere que “numa primeira aproximação”, e com base nos dados recolhidos, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, pode classificar-se com um “grau de risco ao radão em baixo a moderado para os metassedimentos e um risco moderado a elevado nos granitos”.

O estudo conclui que os “edifícios mais recentes apresentam concentrações de radão mais elevadas. No período de inverno, foram detetados 157 edifícios com concentrações de radão superiores a 300 Bq.m-3, em quatro situações, com valores 10 vezes superiores com o máximo de 7066 Bq.m-3”, indicado como limite na diretiva comunitária.

O trabalho de Lisa Maria Martins permitiu verificar que “as concentrações de radão mais elevadas se encontram na envolvência de falhas geológicas e carreamentos, e em áreas de substrato granítico dos concelhos de Vila Real, Alijó, Vila Pouca de Aguiar e Chaves e que a concentração média anual de radão em edifícios situados em zonas graníticas excede o limite de 300 Bq.m-3 da diretiva comunitária 2013/59/EURATOM”.

O radão está presente em rochas, solos e habitações, em grandes extensões no país, e não é “possível fugir-lhe”, pelo que “temos de aprender a conviver com ele, tomando medidas para reduzir o seu impacto junto das populações”, e por isso são importantes “campanhas de sensibilização e a fiscalização” referiu a autora do estudo.

O radão é “um agente silencioso e prejudicial à saúde das populações”, por isso é importante tomar algumas medidas simples para prevenir o efeito do radão, “como o aumento da ventilação natural no interior dos edifícios já construídos, ou através de extratores que transportam o radão para a atmosfera exterior e, a implementação de novas técnicas construtivas que salvaguardem o licenciamento das novas construções em zonas graníticas, como a da região em estudo”.

A UTAD lembra que a Diretiva Europeia de 2013 ainda não foi transcrita para a legislação nacional, sendo obrigatório que aconteça até 2018, pelo que o estudo agora realizado pode contribuir para um maior conhecimento sobre a distribuição das concentrações do radão nos solos, e dos fatores que lhe estão associados, como a geração, migração e transporte, e sobre a transferência para os espaços confinados.

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