Teste da evolução do cancro pode salvar vidas

Novo teste permite avaliar a progressão do cancro de um paciente e o tratamento necessário, e pode ser usado no caso de cancros do ovário, útero e próstata, entre outros. O desenvolvimento do teste foi feito por investigadores de Oslo, Noruega.

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Håvard E. Danielsen, Hospital Universitário de Oslo, autor principal do estudo
Håvard E. Danielsen, Hospital Universitário de Oslo, autor principal do estudo. Foto: DR

Investigadores do Instituto de Genética e Informática do Cancro do Hospital Universitário de Oslo, Noruega, desenvolveram um método que pode avaliar a gravidade do cancro de um paciente e o tratamento necessário. O estudo ‘Chromatin organisation and cancer prognosis: a pan-cancer study’ já se encontra publicado na revista ‘The Lancet Oncology

Atualmente não existe um teste genérico para diagnosticar e prever o cancro. Em vez disso, existe uma variedade de testes e métodos que são usados ​​para diferentes tipos de cancro, mas são poucos os que podem fornecer uma resposta sobre o desenvolvimento do cancro.

A ausência de previsão da evolução do cancro torna difícil distinguir quais os pacientes que precisam de mais tratamento após uma situação de cirurgia daqueles que não precisam de nenhum tratamento. Esta falta de avaliação leva a que os pacientes recebam muito tratamento desnecessário, que pode leva a efeitos colaterais, danos sérios para a saúde, e até à sua própria morte.

Os investigadores consideraram inicialmente que o método era particularmente útil para o diagnóstico de pacientes com cancro intestinal de estágio II, que poderiam precisar de mais tratamento após a cirurgia, geralmente quimioterapia. Mas após experiências puderam verificar que o método também pode ser usado para o diagnóstico dos cancros do ovário, do útero e da próstata.

Os novos resultados da investigação agora divulgada baseiam-se em mais de 20 anos de estudo e colaboração entre o Departamento de Genética do Cancro e Informática do Hospital Universitário de Oslo e o Departamento de Informática da Universidade de Oslo.

Estudo envolveu análise de grande quantidade de dados

Os investigadores procederam à análise da cromatina de 461mil imagens digitais de células cancerígenas com ADN de 390 pacientes do Hospital Universitário de Oslo, todos tratados ao cancro intestinal em estágio I ou II.

O mesmo método analítico foi aplicado a amostras de seis grupos de pacientes independentes de diferentes países, principalmente da Noruega e do Reino Unido. Um dos grupos envolveu pacientes com cancro do cólon do Reino Unido e correspondente ao grupo da Noruega. Os investigadores verificaram que em todos os grupos os pacientes que tiveram muitas células cancerígenas com alta heterogeneidade cromossómica morreram do cancro.

Investigação da desordem no ADN

Os diferentes tipos de cancro têm características diferentes, mas os investigadores indicam que existem algumas características que são comuns, e que podem ser usadas na compreensão da gravidade e da necessidade do tratamento. Uma destas características é a lesão no ADN, por onde geralmente o cancro tem início, e que o corpo não consegue reparar.

Os investigadores esclarecem que o ADN humano contém cerca de 23 mil genes, além das áreas que controlam a atividade génica. O ADN é formado como um fio duplo helicoidal onde os genes estão em linha, um com o outro. Quando a divisão celular ocorre, as moléculas de ADN aninham-se em torno de proteínas e designam-se cromossomos.

Os cientistas sabem há muito tempo que uma organização heterogênea é um sinal de muito mau prognóstico para o paciente. No entanto, até agora, os cientistas não tinham conseguido transformar esse conhecimento num método de prognóstico do cancro.

O método agora desenvolvido pelos investigadores de Oslo baseia-se na tecnologia de análise automatizada de imagens. As imagens de amostras de células e tecidos são transferidas para o computador a partir do microscópio, e estudadas bit a bit. O Instituto de Genética e Informática do Cancro designou o método por ‘nucleotyping’.

Os resultados do estudo indicam que o ‘nucleotyping’ fornece uma base sólida para avaliar se o cancro vai continuar a desenvolver-se.

Investigação prossegue com mais computação e imagens microscópicas

Os investigadores incluíram os resultados do estudo no projeto de investigação ‘DoMore’, que vai usar novas tecnologias para resolver os desafios do excesso ou insuficiência do tratamento do cancro.

Para os investigadores o desenvolvimento tecnológico dos últimos anos abriu oportunidades para poderem ser obtidas mais informações sobre o que ocorre num tumor. Vão ser usados métodos e ferramentas envolvendo grandes quantidades de dados, imagens microscópicas e capacidades cognitivas de computação.

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