Tubarão anequim enfrenta ameaça de extinção

Estudo de equipa de investigadores portugueses conclui que tubarão anequim enfrenta ameaça de extinção. Investigadores defendem que a pesca da espécie deve parar por completo em janeiro de 2018, para eventuais sinais de recuperação em 2040.

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Instituto Politécnico de Leiria
Instituto Politécnico de Leiria. Foto: DR

Uma equipa de investigadores portugueses concluiu que o tubarão anequim está em risco de vir a desaparecer dos nossos mares, caso não sejam proibidas as capturas da espécie no Atlântico. Portugal, Marrocos e Espanha, são os maiores pescadores de tubarão anequim, e os investigadores verificaram que sofreu uma diminuição mais drástica em lota, em Portugal.

Pesca do tubarão anequim deve parar em 2018

Os investigadores consideram que caso a pesca do tubarão anequim não seja reduzida a zero já no próximo ano, a espécie não irá recuperar. O relatório mais recente do International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas (ICCAT) indica que a população de anequins do Atlântico Norte terá cerca de 50% de hipóteses de apresentar sinais de recuperação em 2040 se as capturas parrarem por completo a partir de 2018.

O estudo envolve investigadores do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), da Universidade de Lisboa (UL) e da Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação de Elasmobrânquios (APECE). Os investigadores recolheram e analisaram os dados da última década de descargas de tubarões e raias em Portugal, e os resultados do trabalho foram apresentados na última conferência da European Elasmobranch Association, em Amesterdão.

Estudos confirmam receios da comunidade científica

Os resultados da investigação vêm suportar e confirmar os receios da comunidade científica internacional, que há anos vem alertando os governos para os perigos da sobrepesca de tubarões e raias no Atlântico. O estudo ilustra o preocupante declínio das populações de tubarões e por consequência uma clara necessidade de melhores medidas de gestão da pesca.

Luís Alves, investigador no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Politécnico de Leiria (MARE/IPLeiria) e presidente da APECE, explicou, citado em comunicado do IPLeiria que “os valores de pesca de tubarão têm sido os mais baixos alguma vez registados, e, sendo Portugal um dos países que mais pesca tubarões, não podemos passar ao lado dos dados que, reiteradamente, a comunidade científica internacional tem vindo a apresentar”.

O investigador explicou que “a realidade é que a pesca de tubarões e raias tem sido alvo de medidas de gestão e conservação insuficientes. Estes animais, de vida longa e maturações tardias, são particularmente suscetíveis a esforços de pesca intensos”, e acrescentou: “Queremos com estes dados reais, que apontam para a sobrepesca na costa portuguesa, alertar para os perigos da ausência de regulação da pesca no Atlântico, e para os potenciais impactos nestes animais, que são vitais para a regulação da saúde e diversidade dos oceanos.”

Portugal não tem medidas para proteger o tubarão anequim

Os investigadores lembram que o tubarão anequim é uma das espécies mais procuradas em Portugal, pela sua carne, atingindo em lota valores semelhantes aos do espadarte. Mas Portugal, à semelhança de outros países que pescam a espécie, continua sem impor quaisquer quotas ou tamanhos mínimos de captura.

O investigador do MARE/IPLeiria referiu: “O que recomendamos é, a par de cientistas associados à ICCAT, a proibição total e imediata de capturas de anequins no Atlântico Norte.”

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