Tuberculose pode ser combatida com medicamentos contra o cancro

Medicamentos considerados promissores no combate ao cancro podem vir a constituir uma nova abordagem no tratamento da tuberculose. O estudo é do Texas Biomedical Research Institute que procedeu a testes em laboratório.

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Eusondia Arnett e Larry Schlesinger, investigadores de TB da Texas Biomed.
Eusondia Arnett e Larry Schlesinger, investigadores de TB da Texas Biomed. Foto: © Texas Biomed

Medicamentos experimentais de quimioterapia considerados promissores no combate ao cancro podem ajudar a eliminar a tuberculose, outra doença que ameaça a vida. Um novo estudo realizado por cientistas do Texas Biomedical Research Institute (Texas Biomed), em San Antonio, EUA, aponta que um mecanismo de regulação da morte celular, ou apoptose, é um potencial alvo para ajudar a controlar a infeção bacteriana da tuberculose, a Mycobacterium tuberculosis ou M.tb, que causa a doença pulmonar.

Eusondia Arnett, cientista e autora principal do estudo já publicado, na edição de 21 de junho de 2018, da revista PLOS Pathogens, e equipa de investigadores do Texas Biomed, têm vindo a testar os medicamentos há cerca de dois anos.

A equipa do Texas Biomed usou células imunológicas humanas chamadas macrófagos que foram infetadas com M.tb em laboratório. Os cientistas foram capazes de testar a teoria de que as vias reguladas por um regulador mestre de expressão génica, uma proteína hospedeira chamada PPAR, são um bom alvo de intervenção para deter a progressão da doença.

Os cientistas trataram macrófagos infetados por M.tb com inibidores de Mcl-1 que têm como alvo essa importante via de apoptose, e verificaram uma redução de 80% no crescimento da tuberculose.

A cada minuto, cerca de 20 pessoas desenvolvem tuberculose e quatro pessoas morrem da doença, num qualquer lugar do mundo. A tuberculose é hoje a doença infeciosa mais mortal do mundo, superando a VIH/SIDA.

“Se pudermos estimular a apoptose em células infetadas por M.tb, então podemos reduzir o crescimento da tuberculose”, explicou Eusondia Arnett, e acrescentou:” A indução da apoptose e subsequente redução no crescimento de M.tb deve resultar em menos inflamação e danos nos pulmões e aumento do controle da TB”.

A infeção por tuberculose também cria granulomas nos pulmões, ou seja, estruturas celulares densas que são a tentativa do corpo de impedir uma infeção que é incapaz de eliminar. No entanto, os granulomas também fornecem um lugar para a bactéria se tornar recalcitrante aos antibióticos.

O estudo da equipa do Texas Biomed mostrou que os medicamentos experimentais também reduziram o crescimento de M. tb em granulomas usando um promissor modelo de granuloma humano e modelos animais.

Os medicamentos contra o cancro semelhantes aos usados no estudo já estão na Fase II dos estudos clínicos da Food and Drug Administration (FDA). O próximo passo é testar os medicamentos para combater a TB para descobrir a eficácia da terapia num modelo de rato e, finalmente, num primata não-humano antes de passar para testes em humanos.

Para Eusondia Arnett dados que os medicamentos tem passado por muitos testes em humanos isso pode se capitalizado para pode acelerar o tempo necessário para obter um novo tratamento para pacientes com tuberculose.

Este estudo é um ótimo exemplo que mostra que a investigação científica básica é muito importante, indicou Larry Schlesinger, presidente e diretor executivo do Texas Biomed. O cientista indicou ainda que o conhecimento atual pode ser usado para criar novas estratégias terapêuticas junto com antibióticos para combater a tuberculose.

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