Ciberespionagem por grupo norte coreano usa malware gerado por IA para atacar programadores

Ciberespionagem por grupo norte coreano usa malware gerado por IA para atacar programadores
Ciberespionagem por grupo norte coreano usa malware gerado por IA para atacar programadores. Foto: Rosa Pinto

Uma nova campanha de ciberespionagem conduzida pelo grupo KONNI, associado à Coreia do Norte, recorre a malware gerado por Inteligência Artificial para comprometer programadores e equipas de engenharia, em particular ligadas a projetos de blockchain e criptomoedas, alertou a empresa de cibersegurança Check Point.

Dados da Check Point Research, a campanha representa uma mudança clara na estratégia do grupo, historicamente focado em alvos políticos, diplomáticos e académicos na Coreia do Sul, mas que nesta nova fase procuram obter acesso privilegiado a ambientes de desenvolvimento e infraestruturas tecnológicas críticas, com potencial impacto financeiro e operacional elevado.

Como indicam os especialistas da Check Point a campanha de ciberespionagem distingue-se por dois fatores principais, a expansão geográfica da atividade, com indícios de ataques na região Ásia Pacífico, incluindo Japão, Austrália e Índia, e a utilização de uma backdoor em PowerShell gerada com recurso a Inteligência Artificial (IA). Isto vem demonstrar que a IA deixou de ser experimental e passou a ter um papel operacional nas cadeias de ataque conduzidas por atores estatais.

A estratégia de ataque é dirigida a programadores

A Check Point Research indica que ao contrário das campanhas anteriores do grupo KONNI, que se baseavam em temas geopolíticos, a nova operação utiliza técnicas de engenharia social adaptadas a perfis técnicos. As mensagens de phishing simulam documentação legítima de projetos de software, incluindo requisitos técnicos, roadmaps e propostas de colaboração, formatos comuns nos fluxos de trabalho de desenvolvimento.

Ao comprometer um único programador, os ciberatacantes podem obter acesso indireto a ativos de elevado valor, como repositórios de código, credenciais cloud, APIs e infraestruturas associadas a ativos digitais. Uma abordagem que reflete uma tendência crescente entre grupos ligados à Coreia do Norte, que privilegiam ecossistemas tecnológicos e ativos digitais em detrimento do espionagem política tradicional.

Malware gerado por IA acelera e amplia o impacto

Mas um dos elementos mais relevantes desta campanha é o uso de uma backdoor em PowerShell criada com apoio de Inteligência Artificial. Embora não introduza técnicas totalmente novas, a IA permite acelerar o desenvolvimento do malware, facilitar a sua personalização e aumentar a capacidade de evasão face a mecanismos tradicionais de deteção baseados em assinaturas.

Os especialistas chamam a atenção que para as organizações, o impacto é prático e imediato, e que o Malware assistido por IA pode evoluir mais rapidamente, dificultando a identificação precoce e aumentando a janela de exploração dos atacantes.

O que muda para as organizações

A nova campanha vem demonstrar como atores de ameaça experientes conseguem evoluir sem abandonar métodos comprovados. Apesar de os vetores de ataque se manterem familiares, o foco no acesso a ambientes de desenvolvimento e o recurso a IA aumentam significativamente o risco associado a uma eventual intrusão.

Em face do atual cenário a Check Point vem recomendar que os ambientes de desenvolvimento sejam tratados como alvos de alto valor, uma vez que o comprometimento de contas técnicas pode originar efeitos em cascata sobre múltiplos sistemas, aplicações e serviços.

Recomendações de segurança

Deve ser adotada uma abordagem de prevenção em camadas, aconselha a Check Point. Uma abordagem que inclua:

  • Reforço da proteção contra phishing em ferramentas de colaboração e fluxos de trabalho de desenvolvimento
  • Controlo rigoroso de acessos e monitorização contínua de ambientes cloud e de desenvolvimento
  • Adoção de soluções de prevenção de ameaças baseadas em IA, capazes de bloquear malware desconhecido nas fases iniciais do ataque

A Check Point Research anunciou que continuará a monitorizar a atividade do grupo KONNI e a evolução do uso de Inteligência Artificial por parte de atores estatais e grupos alinhados, apoiando as organizações na antecipação de novas ameaças.