
As estimativas mais recentes do Global Cancer Observatory apontam que em 2022 terão sido diagnosticados cerca de 5.400 novos casos de cancro do pulmão em Portugal, cobrindo ambos os sexos e todas as faixas etárias.
Daniela Madama e Joana Catarata, da Comissão de Trabalho de Pneumologia Oncológica da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), indicam, citadas pela SPP, que “estes dados sublinham a magnitude do cancro do pulmão como um problema de saúde pública no nosso país e reforçam a urgência de medidas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e acesso equitativo a cuidados especializados, de modo a reduzir o impacto desta doença na população”.
As especialistas refém que uma das principais razões apontadas para a elevada mortalidade associada ao cancro do pulmão é “a ausência de programas de rastreio populacional amplamente implementados em Portugal, o que contribui para diagnósticos tardios e limita as possibilidades de tratamento curativo“.
As médicas pneumologistas também salientam que o diagnóstico precoce é determinante no cancro do pulmão, uma vez que, “quando a doença é identificada em fases iniciais, existem opções terapêuticas com intenção curativa, como a cirurgia, associadas a melhores taxas de sobrevivência. A identificação precoce permite ainda tratamentos menos agressivos, melhor tolerados e mais eficazes”.
A elevada mortalidade é ainda agravada pelo facto de o cancro do pulmão ser “uma doença frequentemente silenciosa nas fases iniciais, sem sintomas específicos que alertem precocemente para a sua presença. Quando surgem manifestações clínicas, estas são muitas vezes inespecíficas ou já indicativas de doença avançada. Além disso, apresenta regularmente um comportamento biológico agressivo e uma elevada capacidade de disseminação precoce, principalmente nos doentes mais jovens”.
Os sintomas do cancro do pulmão podem ser variados e não específicos, no entanto, as pneumologistas indicam que existem sinais de alerta que não devem ser ignorados, nomeadamente:
■ Tosse persistente ou alteração do padrão habitual da tosse;
■ Tosse com expetoração com evidência de sangue;
■ Falta de ar ou agravamento progressivo da dispneia;
■ Dor torácica persistente;
■ Rouquidão;
■ Perda de peso inexplicada, cansaço extremo ou infeções respiratórias recorrentes.
Nos principais fatores de risco para o cancro do pulmão está o tabagismo que é o responsável pela grande maioria dos casos. No entanto, as pneumologistas indicam que “não é uma doença exclusiva dos fumadores, e pode surgir em pessoas sem historial tabágico”. Outros fatores relevantes para o desenvolvimento de cancro do pulmão incluem:
■ Exposição ao fumo passivo, que aumenta significativamente o risco em não fumadores;
■ Poluição do ar, sobretudo em ambientes urbanos, hoje reconhecida como um fator carcinogénico;
■ Exposição ocupacional a substâncias como asbesto, sílica, radão e outros agentes químicos;
■ História familiar e fatores genéticos, que podem aumentar a suscetibilidade individual.
Sobre o tratamento, Daniela Madama e Joana Catarata verificaram-se “avanços muito significativos” registados nas últimas décadas, onde se destaca que “a identificação de alterações moleculares específicas permitiu o desenvolvimento de terapias alvo, altamente eficazes em subgrupos de doentes. A imunoterapia revolucionou o tratamento de muitos casos, permitindo respostas duradouras e melhoria da sobrevivência. Paralelamente, houve progressos nas técnicas cirúrgicas, na radioterapia e no diagnóstico molecular, tornando os tratamentos mais personalizados e eficazes. Estes avanços demonstram que o prognóstico do cancro do pulmão está a mudar, embora o acesso equitativo continue a ser um desafio”.
As pneumologistas Daniela Madama e Joana Catarata concluem que assinalar o Dia Mundial do Cancro “constitui uma oportunidade fundamental para sensibilizar a população para os fatores de risco, promover comportamentos preventivos e reforçar a necessidade de políticas públicas eficazes, nomeadamente no controlo do tabagismo e da poluição ambiental. Trata-se, igualmente, de uma oportunidade essencial para reforçar a importância da prevenção e da implementação do rastreio”.













