
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) refere que as novas formas de consumo de nicotina entre os adolescentes constituem uma preocupação para a comunidade médica, dado o potencial que têm para captar novos consumidores que nunca iniciaram o consumo da nicotina através do tabaco convencional (efeito gateway).
Os médicos pneumologistas alertam que “existe uma elevada preocupação com o aumento da experimentação precoce, com a capacidade aditiva da nicotina nos cérebros ainda em desenvolvimento dos adolescentes, bem como com o potencial de doença respiratória aguda em jovens consumidores de vaping”.
Em face desta realidade que envolve os jovens que a SPP defende a implementação de um pacote de medidas robusto, sustentado por evidência de eficácia no controlo do consumo, que incluindo “o aumento da carga tributária sobre todos os produtos de tabaco e nicotina, a completa proibição de sabores, uma forte regulação da publicidade nas redes sociais e do comércio online destes produtos, bem como o acesso universal a apoio especializado para a cessação tabágica ”.
Os médicos pneumologistas defendem como essenciais, campanhas de sensibilização e educação dirigidas aos mais jovens, orientadas, sobretudo, para desconstruir mitos, nomeadamente a ideia de que os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido têm um papel como ferramenta de cessação. “O vaping não é inofensivo. Não há dados que demonstrem quaisquer benefícios para a saúde. Além disso, existe o risco de algumas pessoas usarem ao mesmo tempo cigarros eletrónicos e tabaco tradicional, o que aumenta e prolonga a exposição a substâncias nocivas”, sublinham os pneumologistas.
“Há evidência consistente que sugere que os cigarros eletrónicos podem ser carcinogénicos, com base em três principais aspetos: 1) os cigarros eletrónicos expõem o organismo a substâncias nocivas, como químicos e metais associados ao desenvolvimento de cancro, 2) podem causar danos nas células, como inflamação e alterações no DNA e 3) alguns estudos em animais identificaram lesões associadas ao desenvolvimento de cancro. Por isso, a ideia de que vapear é uma alternativa totalmente segura não é sustentada pela evidência científica”, destacam os especialistas Daniel Coutinho e Inês Sucena, da Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP.
Como refere a SPP, é conhecido que o tabagismo continua a ser um dos principais determinantes evitáveis de doença respiratória e morte prematura em Portugal, e a cessação tabágica é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de doença respiratória, cardiovascular e mortalidade.
Quando se assinala o Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, a SPP reforça a mensagem de que “a dependência nicotínica é uma doença crónica tratável, sendo comprovadamente mais eficaz a combinação de apoio comportamental com terapêutica farmacológica. A substituição por dispositivos eletrónicos, porém, não é uma estratégia terapêutica reconhecida, podendo perpetuar a dependência”.
A Organização Mundial da Saúde definiu para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco de 2026 o mote: “desmascarar o apelo – combater a dependência da nicotina e do tabaco”, e a que a SPP se associa e como referem os pneumologistas Daniel Coutinho e Inês Sucena, “é importante alertar para a estratégia da indústria tabaqueira que recorre a marketing agressivo, sabores e designs apelativos para captar jovens para o consumo de produtos com nicotina”.













