
O Travel Trends Report 2026 do Mastercard Economics Institute indica que os viajantes estão a adaptar-se e a redefinir os seus destinos, os meios de transporte que utilizam e as prioridades que orientam as suas decisões. Na Europa os dados do relatório apontam para um mercado de turismo maduro e resiliente, que está a evoluir para uma fase de crescimento mais normalizada e orientada para a procura de valor.
O relatório analisa as principais tendências globais de consumo associadas ao setor das viagens e aponta que apesar de um contexto global desafiante, a Europa continua a afirmar-se como uma referência mundial para o turismo cultural, gastronómico e centrado na experiência da viagem.
Com base numa análise de dados agregados e anónimos de transações, complementada por fontes de dados externas, o relatório identifica os principais fatores que estão atualmente a influenciar as escolhas dos viajantes num contexto de persistente incerteza económica e geopolítica.
Europa continua a ser um centro global do turismo cultural e baseado em experiências
Nos últimos tempos as perturbações nas cadeias de abastecimento energético e as restrições em algumas rotas aéreas levaram ao reajuste de ligações e ao surgimento de novos corredores aéreos no continente europeu.
A análise das reservas de lugares previstas entre junho e setembro apontam que seis dos dez destinos globais com maior crescimento são europeus, o que mostra um desempenho sólido em crescimento face a 2025. O relatório aponta Paris a liderar o crescimento e a reforçar o estatuto de um dos principais destinos internacionais. Amesterdão e Bruxelas seguem a mesma tendência, enquanto Barcelona, Madrid e Frankfurt também registam aumentos significativos na procura internacional.
Principais cidades mantêm o dinamismo
Os diferentes padrões de consumo evidenciam o papel da Europa enquanto destino diversificado e rico em experiências. Em França, por exemplo, os turistas suíços concentram grande parte das despesas em compras, sobretudo em Paris. Já os visitantes britânicos e neerlandeses privilegiam experiências gastronómicas e de restauração, enquanto os turistas alemães tendem a gastar mais em supermercados.
Em Espanha, a vida noturna continua a desempenhar um papel importante na economia do turismo, especialmente entre os visitantes britânicos, cujas despesas em bares superam em 32% a média dos turistas internacionais.
Acessibilidade financeira continua a ser um fator-chave da economia do turismo
Os custos da energia e dos combustíveis continua a pressionar os preços do transporte e do alojamento, enquanto a volatilidade dos mercados de câmbio e as diferenças no crescimento dos rendimentos influenciam a escolha dos destinos e a frequência das viagens.
Estas pressões têm conduzido a comportamentos de viagem mais seletivos e a uma procura turística internacional mais moderada em algumas regiões do mundo, embora a procura global se mantenha resiliente, apoiada por mercados de trabalho robustos e por um consumo sustentado em experiências. Os europeus continuam a dar prioridade às viagens, com uma maior atenção ao valor, ao momento da viagem e à qualidade da experiência.
Alguns destinos portugueses destacam-se entre as principais recomendações da IA
A utilização de agentes de Inteligência Artificial (IA) está a transformar a forma como os consumidores pesquisam, descobrem e planeiam as suas férias, incentivando a procura de “tesouros escondidos” e de alternativas mais exclusivas.
O relatório da Mastercard identifica alguns destinos portugueses que estão a captar a atenção deste novo perfil de viajante:
- Peso da Régua: As pesquisas realizadas através de IA posicionam a cidade como um dos destinos vínicos de vale fluvial mais atrativos da Europa, com paisagens de grande impacto cénico. A gastronomia surge como principal destaque, frequentemente associada a vinhas e a cenários ribeirinhos ou de colinas. Ponto Forte: cruzeiros vínicos e paisagens do Douro.
- Peniche: Surf, snorkelling, acesso a ilhas e pores do sol são alguns dos principais atrativos destacados pela IA. As vistas sobre o mar e a gastronomia baseada em peixei e marisco costumam ser os grandes destaques. Ponto forte: praias e gastronomia do mar.
- Loulé: Uma base mais autêntica do que os grandes empreendimentos turísticos costeiros para quem pretende descobrir o Algarve com mais carácter. Destaca-se sobretudo juntos dos viajantes que procuram autenticidade e vida de bairro, em vez de atrações turísticas mais mediáticas. Ponto forte: mercados e cerâmica.
As viagens de comboio ganham dinamismo na Europa
A despesa turística em viagens de comboio têm vindo a aumentar entre 2022 e 2025, o que mostra uma mudança gradual, mas significativa, nos comportamentos de viagem, com uma crescente valorização da experiência proporcionada pelo percurso. Na Europa, os viajantes espanhóis lideram a utilização do transporte ferroviário, com uma quota de 2,7%, face a 1,8% em 2022, seguidos pelos neerlandeses com 2,2%, face a 1,3% em 2022 e pelos viajantes belgas e britânicos, ambos com 2,1%.
A Europa é o epicentro do crescimento do turismo ferroviário, devido ao impacto da Estratégia para uma Mobilidade Sustentável e Inteligente da União Europeia, que tem o objetivo de duplicar o tráfego ferroviário de alta velocidade até 2030, e tornar o comboio uma opção de mobilidade de baixo carbono cada vez mais acessível.
As viagens de luxo em comboio também estão a registar um crescimento expressivo, representando atualmente cerca de 20% da despesa mundial com viagens ferroviárias. A procura europeia é mais forte entre os viajantes provenientes de Itália, Espanha e Reino Unido. Os viajantes italianos, em particular, destinam mais de 50% da sua despesa total em transporte ferroviário a experiências de luxo em comboio.
“Apesar da atual incerteza geopolítica, o setor das viagens e do turismo na Europa tem demonstrado uma forte capacidade de adaptação. À medida que os padrões de consumo estabilizam, os viajantes europeus valorizam cada vez mais a relação entre preço, qualidade e experiência. Os dados mostram que a Europa continua a desempenhar um papel central no turismo global, mesmo num contexto em que fatores económicos e geopolíticos influenciam de forma crescente as decisões de viagem”, afirmou, citada em comunicado, Natalia Lechmanova, Chief Economist, Europe, do Mastercard Economics Institute.














