O surto da doença de Ébola pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) está numa fase de intensa transmissão, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). É o maior surto de Ébola desde sempre reportado na RDC e está a expandir-se mais rapidamente do que qualquer surto anterior.
A doença é cada vez mais caracterizada pela transmissão sustentada em aglomerados geográficos interligados. Inicialmente a transmissão estava confinada à zona sanitária de Mongbwalu, na província de Ituri, entretanto o surto expandiu-se já a 54 zonas sanitárias em seis províncias, nomeadamente, Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Tshopo e Bas-Uélé.
A província de Bas-Uélé, é a mais recentemente a ser afetada, tendo, de acordo com a OMS, sido registado um caso confirmado na zona de saúde de Buta, com histórico de viagem para Haut-Uélé e início dos sintomas a 4 de agosto.
Dados da OMS indicam que a 12 de agosto de 2026, foram notificados 4.665 casos confirmados, incluindo 2.184 óbitos, correspondendo a uma taxa bruta de letalidade de 46,8%. Este aumento contínuo de casos, a disseminação geográfica mais ampla e a elevada mortalidade persistente demonstram a rápida evolução desta emergência de saúde pública de importância internacional.
Na RDC, a crise humanitária em curso é agravada pela insegurança, pela deslocação e mobilidade populacional e pelos movimentos transfronteiriços. Uma situação que continua a representar desafios significativos para os esforços de resposta e aumenta o risco de uma maior disseminação geográfica.
A OMS relata que as autoridades nacionais da República Democrática do Congo continuam a implementar amplas medidas de resposta. As medidas estão a ser implementadas em colaboração com a OMS e com organizações parceiras de apoio humanitário. Para conter o surto está em curso um aumento substancial das atividades de resposta.
Está em curso a expansão do número de centros de tratamento, abrangendo mais áreas, a par da formação dos profissionais de saúde e dos prestadores de cuidados que irão trabalhar nesses centros.
Entretanto, a OMS refere que a França não reportou qualquer transmissão secundária após um caso importado detetado a 24 de junho de 2026. A 14 de agosto, tinham passado 41 dias desde a alta do doente a 4 de julho, sem que fossem reportados novos casos confirmados.
No Uganda, o caso importado mais recente recebeu alta de um centro de tratamento a 16 de julho, e o período de monitorização reforçado de 42 dias terminará a 27 de agosto. Mas, refere a OMS, o Uganda continua em risco de reintrodução do vírus devido à transmissão contínua na vizinha RDC e está, por isso, a realizar atividades intensas de vigilância, dada a contínua movimentação populacional e o risco de transmissão transfronteiriça.















