Músicos de sopro estão sujeitos a pressão intraocular – o alerta é de investigadores das Universidades do Minho e de Santiago de Compostela.

Músicos de sopro estão sujeitos a pressão intraocular – o alerta é de investigadores das Universidades do Minho e de Santiago de Compostela
Músicos de sopro estão sujeitos a pressão intraocular – o alerta é de investigadores das Universidades do Minho e de Santiago de Compostela

Tocar instrumentos de sopro provoca aumento temporário da pressão intraocular, sobretudo na execução de notas agudas. A conclusão é de um estudo de investigadores da Universidade do Minho (UMinho) e da Universidade de Santiago de Compostela.

O estudo já publicado na revista “Ophthalmology” revela que as oscilações não variam consoante a resistência ao fluxo de ar do instrumento nem resultam de tentar expirar involuntariamente com a boca e o nariz fechados durante a performance (manobra de Valsalva).

“Os resultados clarificam os efeitos da prática musical na saúde ocular e podem ter implicações na avaliação e prevenção de problemas oculares em músicos”, referiu, citada em comunicado pela UMinho, a investigadora Madalena Lira, do Centro de Física da Escola de Ciências da Universidade.

O estudo é assinado por Madalena Lira, Filipe da Silva, Ângelo Martingo e Vítor Matos do Centro de Estudos Humanísticos da UMinho, além de Verónica Noya-Padin e Hugo Pena-Verdeal do IDIS/Universidade de Santiago de Compostela.

Como referiu a UMinho, no estudo participaram 63 jovens músicos profissionais de vários instrumentos, que mostrou que apenas os intérpretes de sopro registaram um aumento significativo da pressão ocular durante a execução, independentemente da exigência (resistência ao fluxo de ar) do instrumento utilizado.

Os músicos de sopro que começaram a tocar mais tarde apresentaram uma pressão ocular basal ligeiramente superior. Os investigadores não detetaram relação clara entre variações da pressão ocular e outros fatores demográficos ou ambientais, como idade, sexo ou horas de treino, o que, no entender dos investigadores, sugere a existência de mecanismos fisiológicos ainda por esclarecer.