
O Tudriqev (vusolimogene oderparepvec-wtpg), uma terapia viral oncolítica geneticamente modificada foi aprovado nos EUA, pela Agência de Medicamentos (conhecida pela sigla FDA), para o tratamento de melanoma avançado e refratário.
O medicamento Tudriqev é indicado em combinação com nivolumabe para o tratamento de pacientes adultos com melanoma cutâneo avançado irressecável que apresentaram progressão da doença com um regime terapêutico baseado em anticorpo bloqueador do recetor de morte programada 1 (PD-1).
A FDA aprovou a terapia tendo por base dados de um ensaio clínico que demonstraram que um em cada quatro pacientes respondeu ao tratamento, com respostas que duraram uma mediana de quase 14 meses. Neste caso oferece aos médicos uma nova ferramenta significativa para essa população de pacientes. Para a decisão, a FDA indicou que também considerou a opinião de especialistas clínicos e defensores de pacientes que enfatizaram a necessidade urgente de opções eficazes para essa população refratária.
“Para pacientes com melanoma avançado que parou de responder à terapia de bloqueio de PD-1, o prognóstico costuma ser devastador e as opções têm sido muito limitadas. Os médicos que tratam esses pacientes conhecem essa urgência em primeira mão”, disse, citado pela FDA, Karim Mikhail, Diretor Interino do Centro de Avaliação e Investigação de Produtos Biológicos, da FDA. “O importante marco oferece aos oncologistas uma significativa nova ferramenta, e a mais pacientes uma possibilidade de lutar.”
O melanoma refratário ao anti-PD-1 é um cancro de pele avançado que deixou de responder a uma classe amplamente utilizada de medicamentos imunoterápicos. Apesar do tratamento, o cancro pode continuar a crescer devido a mecanismos desenvolvidos para se evadir da capacidade do sistema imunológico de o detetar e destruir.
A terapia viral oncolítica Tudriqev é baseada num vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1) modificado, projetado para atingir e destruir seletivamente as células cancerígenas. Uma vez dentro do tumor, o vírus replica-se e destrói as células cancerígenas, enquanto simultaneamente estimula o sistema imunológico do corpo a reconhecer e atacar o cancro.
Quando usado em combinação com nivolumabe, uma imunoterapia anti-PD-1, o Tudriqev pode ajudar a restaurar a resposta imune antitumoral em pacientes em que cancro deixou de responder à imunoterapia.
O Tudriqev é injetado diretamente nos tumores a cada duas semanas, durante oito doses consecutivas, com a dosagem a ser determinada pelo tamanho do tumor. Uma concentração menor é utilizada na primeira dose, seguida por uma concentração maior nas doses seguintes. Um segundo medicamento, o nivolumabe, é administrado por via intravenosa a partir da terceira semana de tratamento.
“Para pacientes com melanoma avançado que já esgotaram as opções de imunoterapia, esta aprovação oferece um significativo novo caminho a seguir, baseado em evidências iniciais e respaldado pela responsabilidade que a aprovação acelerada exige”, disse, citada pela FDA, Megha Kaushal, Diretora Adjunta Interina do Gabinete de Produtos Terapêuticos do Centro de Avaliação e Investigação de Produtos Biológicos, da FDA.
A FDA esclareceu que a segurança e a eficácia de Tudriqev foram avaliadas num estudo aberto, multirregional e de braço único, que incluiu 140 pacientes adultos com melanoma avançado irressecável em estágios IIIB, IIIC ou IV, que apresentaram progressão da doença após pelo menos oito semanas consecutivas de terapia prévia com anti-PD-1. No estudo, 91 pacientes foram avaliados e 24% deles obtiveram resposta objetiva. A duração mediana das respostas foi de 14,1 meses.
As reações adversas mais comuns relatadas em mais de 10% dos pacientes foram fadiga, febre (pirexia), infeções, calafrios, dor musculoesquelética, náuseas, diarreia, reação no local da injeção, cefaleia, tosse, síndrome gripal, erupção cutânea, vómitos, prurido, artralgia, constipação, diminuição do apetite, tontura, dispneia, hemorragia, edema e dor abdominal.
A FDA indicou também que entre os avisos importantes de segurança estão o risco de transmissão acidental da infeção por herpes para pessoas próximas, a possibilidade de desenvolvimento ou reativação da infeção por herpes no paciente e complicações relacionadas ao procedimento de injeção.
A aprovação do Tudriqev foi atribuida pela FDA à farmacêutica Replimune. Uma aprovação concedida sob o processo de aprovação acelerada da FDA, com base na taxa de resposta objetiva e na duração da resposta. Assim, como condição para a aprovação acelerada, a Replimune ficou obrigada a conduzir ensaios clínicos pós-aprovação para verificar e descrever o benefício clínico do Tudriqev. Esta aprovação contínua pode estar condicionada à verificação do benefício clínico em ensaios clínicos confirmatórios.














