Os sucessivos períodos de temperaturas elevadas, sobretudo nos meses de verão, aumenta o risco de golpe de calor também nos animais de companhia. Os profissionais em medicina veterinária alertam que um golpe de calor é uma emergência médico-veterinária potencialmente grave. No entanto, muitos cuidadores continuam a associá-lo ao colapso do animal, e desconhecem que os primeiros sinais surgem muito antes que a identificação precoce seja clara.
É conhecido que os cães e gatos têm uma capacidade mais limitada para regular a temperatura corporal em comparação com os humanos, o que torna estes animais de companhia particularmente vulneráveis ao calor. Os profissionais em medicina veterinária da AniCura alertam para a importância da prevenção e do reconhecimento atempado dos sinais de alerta, possibilitando uma intervenção rápida antes que a situação evolua para uma emergência.
“Muitos casos de golpe de calor podiam ser evitados se os primeiros sinais fossem reconhecidos mais cedo. Quando um animal começa a ofegar de forma intensa, a ficar apático ou desorientado, já está em dificuldade, e é nesse momento que devemos agir, não esperar pelo colapso”, afirmou, citado em comunicado, Rafael Martins, médico veterinário do AniCura Algarve Hospital Veterinário.
Primeiros sinais nem sempre são valorizados
O golpe de calor não se manifesta apenas quando o animal perde a consciência, mas antes, podem surgir sinais como respiração ofegante intensa e persistente, salivação excessiva, fraqueza, desorientação, dificuldade em caminhar, inquietação ou uma procura constante por locais frescos e sombra.
Se a temperatura corporal continuar a aumentar, podem surgir outros sinais que são de mais graves, como vómitos, diarreia, alterações neurológicas, perda de consciência ou colapso, situações que exigem assistência médico-veterinária imediata.
Alguns animais apresentam um risco acrescido, nomeadamente os cães e gatos braquicefálicos, como Bulldogs Franceses ou Pugs, bem como animais idosos, obesos ou com doenças cardíacas e respiratórias, nestes casos a capacidade de dissipar o calor é ainda mais reduzida.
Pequenos erros podem ter consequências graves
Continuam a verificar-se comportamentos que potenciam o risco de golpe de calor. Entre os mais frequentes estão os passeios nas horas de maior calor, o exercício físico intenso, a permanência em veículos estacionados, mesmo por curtos períodos, e o contacto com pavimentos demasiado quentes.
Os profissionais da AniCura lembram que nesta altura do ano, em que muitas famílias viajam com os seus animais de companhia, é igualmente importante planear as deslocações. Sempre que possível, as viagens devem ser realizadas nas horas mais frescas do dia, mantendo o veículo bem ventilado e com uma temperatura confortável para o animal. Durante o percurso, devem ainda ser evitadas situações de stress e realizadas pausas sempre que necessário, contribuindo para reduzir o risco de sobreaquecimento.
“Mesmo quando a temperatura ambiente não parece extrema, existem vários fatores que podem aumentar significativamente o risco de golpe de calor, como a humidade, a exposição solar direta, a falta de ventilação ou o exercício físico. Estas situações dificultam a capacidade do animal para dissipar o calor e podem levar a uma subida perigosa da temperatura corporal. A boa notícia é que, na maioria dos casos, estamos a falar de situações do dia-a-dia que podem ser evitadas com medidas simples de prevenção e maior atenção por parte dos cuidadores”, acrescentou Rafael Martins.
O que fazer quando se suspeita de risco
No caso de suspeita de golpe de calor, o animal deve ser imediatamente retirado da fonte de calor e colocado num local fresco e ventilado. Pode iniciar-se um arrefecimento gradual com água fresca (nunca gelada), privilegiando zonas como o abdómen, as patas e as axilas, enquanto se contacta o mais rápido possível um médico-veterinário. A utilização de gelo ou água muito fria deve ser evitada, uma vez que pode dificultar a dissipação do calor.
Mesmo que o animal aparente recuperar após o arrefecimento inicial, deve ser observado por um médico-veterinário, uma vez que podem surgir complicações nas horas seguintes.
Como prevenir o golpe de calor
Para reduzir o risco durante os períodos de temperaturas elevadas, os veterinários da a AniCura recomendam:
- Passear os animais nas horas mais frescas do dia, evitando o período entre o final da manhã e o final da tarde;
- Garantir acesso permanente a água fresca e limpa;
- Disponibilizar locais com sombra e boa ventilação;
- Evitar exercício físico intenso durante os dias de maior calor;
- Durante as viagens, manter o veículo fresco e bem ventilado, evitar situações de stress e, sempre que possível, viajar nas horas mais frescas do dia;
- Nunca deixar cães ou gatos sozinhos dentro de veículos estacionados, mesmo por curtos períodos;
- Procurar aconselhamento médico-veterinário perante qualquer sinal de mal-estar ou alteração do comportamento.
Os cuidadores devem ter presente que com a chegada das ondas de calor, é importante reforçar que a prevenção e a identificação precoce dos sinais de alerta continuam a ser as medidas mais eficazes para proteger os animais de companhia. Pequenos gestos no dia-a-dia podem evitar emergências e garantir um verão mais seguro para toda a família.














