A Sociedade de Endocrinologia destacou, numa nova Declaração Científica, que os benefícios do tratamento da obesidade devem incluem, para além da perda de peso, melhorias na saúde em geral bem como a redução do risco de doenças, nomeadamente doenças cardíacas, apneia do sono e doenças hepáticas.
A obesidade é uma doença crónica complexa influenciada por fatores biológicos, genéticos, metabólicos, cerebrais e ambientais. Uma doença que afeta mais de 40% dos adultos, nos EUA, e com encargos anuais de mais de 173 mil milhões de dólares só em custos médicos. Em Portugal, os dados do INE indicam que mais de metade da população residente em Portugal com 18 ou mais anos tinha excesso de peso ou obesidade em 2022.
“Esta Declaração destaca os principais avanços na ciência da obesidade e descreve as áreas de pesquisa necessárias para melhorar nossa compreensão da doença, otimizar o tratamento, personalizar o atendimento e melhorar os resultados de saúde a longo prazo para pessoas que vivem com obesidade”, disse, citado em comunicado da Sociedade, Daniel J. Drucker, do Hospital Mount Sinai em Toronto, Ontário, Canadá, que é autor principal do grupo de redação da Declaração Científica.
O especialista acrescentou: “A rápida adoção de medicamentos altamente eficazes para obesidade mudou o cenário do tratamento, mas questões importantes permanecem sobre seu uso a longo prazo, estratégias de tratamento individualizadas, efeitos colaterais e as melhores maneiras de mensurar os resultados do tratamento.”
A declaração da Sociedade de Endocrinologia descreve o que os investigadores já conhecem sobre a doença, mas sobretudo o que ainda precisam conhecer e onde as investigações futuras a desenvolver sobre obesidade se devem concentrar.
Constata-se que a semaglutida, a tirzepatida e outras terapias baseadas em GLP-1 permitiram transformar o tratamento da obesidade e ajudaram a entender melhor a doença. Estas terapias são agora usadas, não apenas para o tratamento do sobrepeso e da obesidade, mas também para melhorar comorbidades, incluindo doenças cardíacas, apneia do sono, doenças renais e hepáticas, e estão ser investigadadas para outras doenças, como cancro, transtornos por uso de substâncias, artrite e infertilidade.
A obesidade quando não tratada pode causar problemas metabólicos e de saúde mental, além de uma capacidade reduzida de realizar as tarefas e movimentos físicos básicos necessários para a vida diária.
No entanto, existem considerações de segurança relacionadas aos GLP-1, incluindo os efeitos diretos dos medicamentos, as consequências da perda de peso rápida e muito desconhecimento sobre riscos e resultados a longo prazo.
As investigações comprovam que a obesidade é uma doença crónica que requer tratamento a longo prazo. As pessoas com obesidade que interrompem o tratamento após atingirem o peso ideal, voltam frequentemente o recuperar o peso e apresentam e pioram outros problemas de saúde, como pressão arterial, colesterol e níveis de açúcar no sangue.
Os estudos também mostram que as pessoas podem manter grande parte da perda de peso ao fazer a transição para terapias com doses mais baixas ou medicamentos diferentes após o tratamento inicial.
A Declaração Cientifica “Ciência da Obesidade, Lacunas na Investigação e Oportunidades na Nova Era dos Medicamentos para Obesidade” da Sociedade de Endocrinologia e já publicada online na revista online “Endocrine Reviews” identifica algumas questões e prioridades principais para futuras investigações sobre obesidade:
■ Como o corpo regula e armazena gordura.
■ A obesidade manifesta-se de forma diferente em cada indivíduo e como isso afeta o tratamento.
■ Como redefinir os objetivos do tratamento para além da perda de peso.
■ Como o corpo reage aos medicamentos para obesidade ao longo do tempo.
■ Resultados de saúde com medicamentos anti obesidade.
■ Que grau de segurança oferecem os novos medicamentos anti obesidade para uso a longo prazo?
“Avançar na investigação nestas seis áreas prioritárias ajudará a transformar o tratamento da obesidade, aprofundará na compreensão da biologia da doença, melhorará a precisão do tratamento, definirá resultados clínicos significativos e otimizando o uso seguro e eficaz de terapias emergentes”, disse Daniel J. Drucker. “Precisamos de estudos maiores, mais longos e mais diversificados, bem como de maior uso de dados do mundo real para entender os resultados do tratamento.”















