Uma maior proporção de alimentos ultraprocessados na dieta está geralmente associada a uma pior qualidade alimentar e, entre adultos, a uma prevalência maior de sobrepeso e obesidade. Uma associação que é mostrada por um estudo que também examina criticamente o conceito de alimentos ultraprocessados.
O estudo foi conduzido pela Universidade de Gotemburgo em colaboração com a Agência Sueca de Alimentos, que utilizou dados dos inquéritos dietéticos nacionais da agência. A população do estudo incluiu adultos, dos 18 aos 80 anos, adolescentes dos 11 àos 17 anos e crianças pequenas dos 1,5 a 4 anos.
O objetivo era determinar qual a parcela da ingestão energética da população que provém de alimentos ultraprocessados, destacando também os desafios associados à forma como estes alimentos são definidos no sistema de classificação internacionalmente estabelecido, o NOVA.
O sistema NOVA classifica como ultraprocessados os alimentos que contêm aditivos, bem como certos produtos industrializados, independentemente do seu conteúdo nutricional. Consequentemente, esta categoria abrange uma vasta gama de produtos, desde refrigerantes e carnes curadas a cereais de pequeno-almoço e pão integral industrializado.
Os resultados do estudo mostram uma variação significativa dependendo se foi aplicada uma definição ampla ou restrita, dentro da estrutura do sistema de classificação NOVA. De acordo com uma das classificações, os alimentos ultraprocessados representaram, em média, 45% da ingestão energética entre adultos, 52% entre adolescentes e 46% entre crianças pequenas.
Segundo uma classificação mais rigorosa baseada no NOVA, em que os alimentos com status ambíguo não eram contabilizados como ultraprocessados, as estimativas variavam entre 23 e 29% da ingestão total de energia.
“Os alimentos ultraprocessados têm recebido muita atenção nos últimos anos, mas o próprio conceito é alvo de debate. Há uma discussão em curso sobre os desafios de classificar os alimentos como ultraprocessados e quais aspectos da dieta de uma pessoa essa classificação realmente abrange”, afirmou Linnea Bärebring, nutricionista e professora associada de nutrição clínica na Universidade de Gotemburgo.
O que fica claro, no entanto, é que adultos com uma ingestão relativamente alta de energia proveniente de alimentos classificados como ultraprocessados apresentavam uma dieta nutricionalmente menos adequada. Uma alta proporção de alimentos ultraprocessados também foi associada a um IMC ligeiramente maior em adultos, uma tendência não observada nos grupos etários mais jovens.
“Observamos que aqueles que obtinham uma maior parte de sua energia de alimentos ultraprocessados também tinham uma dieta com significativamente mais açúcar adicionado, mas menos fibras e grãos integrais. Este é um padrão alimentar conhecido por estar associado a um risco aumentado de doenças como as cardiovasculares”, afirma Torsten Sällström, nutricionista e doutorando da Universidade de Gotemburgo.
Adolescentes com alta ingestão de energia proveniente de alimentos ultraprocessados também apresentaram uma dieta com menor valor nutricional. Em contrapartida, em crianças pequenas, a ingestão de ferro e vitamina E foi maior entre aquelas com alto consumo de alimentos ultraprocessados. Uma explicação para isso é que produtos prontos para consumo fortificados com ferro para crianças, como mingau e papa de cereais, são classificados como ultraprocessados.
Na Suécia, limitar o consumo de alimentos pobres em nutrientes e ricos em energia, como refrigerantes, doces, produtos de panificação, batatas fritas e carnes processadas, é uma recomendação dietética antiga. No entanto, a Agência Sueca de Alimentos não desaconselha especificamente tudo o que possa ser definido como ultraprocessado, já que essa categoria também pode incluir alimentos ricos em nutrientes.















