Baixos níveis de educação dos jovens podem ser um problema para a competitividade e democracia na União Europeia

Baixos níveis de educação dos jovens podem ser um problema para a competitividade e democracia na União Europeia
Baixos níveis de educação dos jovens podem ser um problema para a competitividade e democracia na União Europeia

“A Europa está a viver uma transformação que definirá as gerações vindouras”, afirmou Roxana Mînzatu, Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia para os Direitos Sociais e Competências, Empregos de Qualidade e Preparação. Roxana Mînzatu acrescentou que “a inteligência artificial está a mudar a forma como trabalhamos e aprendemos”, e “a desinformação está a pôr à prova as nossas democracias.”

Às transformações de que fala este membro da Comissão Europeia está associado “o envelhecimento da força de trabalho” que considera estar a pressionar a economia e os serviços públicos.

Mas, a preocupação maior talvez esteja com os mais jovens, dado que “neste momento, um em cada três jovens europeus de 15 anos tem um desempenho abaixo do esperado em leitura e matemática”, que, para além de ser um problema na educação “é um problema para a nossa competitividade, democracia e até para a nossa preparação.”

Partindo do velho conceito de que a Europa era o continente do conhecimento, a educação não tem sido um tema central nas políticas da União Europeia. Mas, agora num contexto em que mundo apresenta desafios, antes não pensados, a Comissão Europeia pretende educação no topo da agenda, e lançou o Pacote de Educação e Competências com quatro prioridades, que a Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia apresentou e define.

Primeira prioridade

Fornecer às escolas as ferramentas digitais que podem utilizar em segurança.

Desenvolver um trabalho em conjunto no Consórcio Europeu de Infraestruturas Digitais para a Educação.

Os países participantes deverão reunir recursos para construir, testar e implementar ferramentas digitais europeias para as escolas.

As escolas deverão poder armazenar e partilhar materiais didáticos em segurança na nuvem – seguros e concebidos na Europa.

Os professores deverão poder receber formação conjunta em ferramentas de IA que protegem os dados dos alunos.

Os países devem poder definir os mesmos requisitos, testar as ferramentas em conjunto e, se assim o desejarem, adquiri-las em conjunto.

Uma empresa europeia poderá oferecer a mesma ferramenta a escolas de vários países.

Para além da Lei EU KIDS, os alunos devem saber quando usar um ecran, quando o devem abandonar e como verificar o que veem online.

A partir do próximo ano letivo, será implementado um projeto-piloto de um certificado de literacia em IA.

Os alunos poderão demonstrar, por exemplo, que conseguem identificar um erro numa resposta de IA e explicar como a verificaram.

Segunda prioridade

Ajudar os jovens a recuperar o atraso na leitura, matemática e outras competências básicas.

A proposta de Recomendação do Conselho pede aos países que façam das competências básicas uma prioridade nacional.

As Alianças Escolares Europeias reunirão escolas de dois ou três países, as suas autoridades escolares e um especialista independente.

Escolher uma competência, definir um objetivo mensurável e acompanhar o progresso.

O financiamento da UE poderá custear tutores de leitura, aulas extra de matemática, formação de professores e visitas a escolas parceiras.

As autoridades deverão partilhar as suas experiências positivas com outras escolas.

Terceira prioridade

Fazer do ensino uma carreira que as pessoas queiram seguir e na qual queiram permanecer.

Apenas 8% dos professores têm menos de 30 anos, enquanto cerca de 40% têm 50 ou mais anos.

A maioria dos sistemas educativos da UE já enfrenta escassez de professores.

A Agenda Europeia para os Professores pede aos países para reduzirem a burocracia, melhorem as condições de trabalho, proporcionem aos professores percursos mais claros para progredirem nas carreiras e apoiem na decisão sobre quando a IA é útil em sala de aula.

São propostas discussões europeias regulares em que os sindicatos de professores e as entidades patronais possam reunir com as autoridades de educação para debater a carga de trabalho, as perspetivas de carreira e as reformas planeadas.

Quarta prioridade

Tornar o ensino profissional e técnico numa primeira opção.

Quase 70% das profissões com maior escassez de mão-de-obra dependem fortemente de competências profissionais, incluindo na construção, saúde, indústria transformadora e energia.

Oito em cada dez pequenas e médias empresas têm dificuldades em encontrar trabalhadores qualificados.

Através das Parcerias Empresariais para o Ensino Profissional e Técnico, as empresas e os prestadores de formação poderão conceber cursos em conjunto.

As empresas ajudarão a financiar centros de formação partilhados, especializados numa tecnologia específica, dando às pequenas empresas acesso a equipamentos que não conseguiriam adquirir sozinhas.

A partir de 2028, o Fundo Europeu para a Competitividade poderá, pela primeira vez, apoiar a formação profissional.

A partir do início de 2027, os Núcleos Setoriais de Aprendizagem vão reunir entidades empregadoras, instituições de formação e aprendizes do mesmo setor.

As pequenas empresas poderão partilhar formadores, organizar estágios no estrangeiro e testar formas de os aprendizes praticarem tarefas com recurso à inteligência artificial e à realidade virtual.

A importância da cursos profissionais parece evidente, dado que como referiu Roxana Mînzatu, “oito em cada dez recém-licenciados em cursos profissionais estão empregados”. Assim, “os jovens que escolhem o que estudar devem poder ver a que tipo de emprego conduz um curso profissional e escolher esse caminho com confiança.”