Ajuda internacional fragmentada por diversas agências aumenta a corrupção em países em desenvolvimento

Ajuda internacional fragmentada por diversas agências aumenta a corrupção em países em desenvolvimento
Ajuda internacional fragmentada por diversas agências aumenta a corrupção em países em desenvolvimento

Na situação em que diversas agências internacionais de ajuda operam simultaneamente numa mesma região, condição designada por “fragmentação da ajuda”, esta pode agravar a corrupção administrativa em países em desenvolvimento. A conclusão é de um estudo desenvolvido pela Universidade Sungkyunkwan, da Coreia do Sul.

A fragmentação da ajuda refere-se a uma situação em que diversas agências e organizações de ajuda entram simultaneamente numa mesma região de um país em desenvolvimento, cada uma executando os seus próprios projetos.

A comunidade internacional já há muito tempo manifestava preocupação com fragmentação da ajuda, ou seja, com a entrada simultânea de diversas agências e organizações de ajuda, num país em desenvolvimento, em que cada uma executa os seus próprios projetos. Uma sobreposição em que o estudo veio mostrar, que pode comprometer a eficácia da ajuda, e potenciar a corrupção a nível local.

O estudo conduzido por Travers B. Child da Universidade Sungkyunkwan em conjunto com Austin L. Wright, da Universidade de Chicago, e Yun Xiao, da Universidade de Gotemburgo, procedeu a uma análise rigorosa, combinando dados de mais de 30.000 projetos de ajuda humanitária realizados em 330 distritos do Afeganistão, com dados de investigação em larga escala recolhidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A análise mostrou que, quando uma única agência de ajuda fornecia apoio concentrado, a corrupção local diminuía significativamente. O que é um efeito claramente positivo. No entanto, quando operavam na mesma região várias agências de ajuda, as falhas na supervisão e a diluição da responsabilidade permitiam que a ajuda se tornasse um canal para a corrupção.

Os investigadores também verificaram que o efeito da ajuda varia completamente dependendo do “volume da ajuda” e do “tipo de projeto”. Quando a escala da ajuda era moderada, várias agências ao operar em conjunto tendiam a desempenhar um papel positivo, compartilhando ideias inovadoras entre si. Por outro lado, quando o financiamento da ajuda fluía em níveis elevados, os efeitos negativos da fragmentação eram amplificados, impulsionando um aumento acentuado da corrupção.

Os resultados do estudo já publicados em “The Review of Economics and Statistics (REStat)” mostram que a corrupção ocorre com muito mais frequência em “projetos de infraestrutura física” visíveis, como construção de estradas e pontes e entrega de suprimentos, e com menos frequência em serviços não físicos, como educação ou assistência social.