Como reduzir os riscos da COVID-19 numa viagem de férias

Viajar de avião, comboio ou automóvel? Quais as questões que se devem colocar para reduzir os riscos de infeção de COVID-19 ao viajar neste verão? Especialistas do Centro de Ciência da Saúde da Universidade do Texas, EUA, definem as opções para minimizar riscos.

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Como reduzir os riscos da COVID-19 numa viagem de férias
Como reduzir os riscos da COVID-19 numa viagem de férias. Foto: © Rosa Pinto

Depois de mais de dois meses em quarentena, as empresas e os serviços públicos estão a reabrir. A vontade de viajar começa a fazer-se sentir, tendo em conta que se aproxima o período de férias de verão. Mas será seguro viajar com a ameaça da COVID-19 ainda a persistir? Especialistas da UT Physicians e do Centro de Ciência da Saúde da Universidade do Texas, em Houston, EUA, avaliam formas de reduzir os riscos de viajar e tomar decisões com a saúde quanto é feito o planeamento do verão.

“O mais importante a lembrar é que ainda estamos no meio de uma pandemia”, referiu Luis Ostrosky, especialista em doenças infeciosas da UT Physicians e professor de doenças infeciosas na Faculdade de Medicina McGovern da Universidade do Texas. “Não é uma decisão como a que tem sido sempre feita, agora cada pessoa precisa de avaliar os próprios riscos antes de viajar.”

Para os especialistas não há forma de evitar todos os riscos durante a viagem, mas uma preparação cuidadosa e uma dose saudável de cautela podem ajudar as pessoas a ponderar seus próprios riscos e a tomar decisões informadas.

Quais são os riscos de viajar?

O risco pessoal depende da idade, saúde e da família

“A primeira pergunta a que se deve responder é se possui uma condição de saúde que aumente o risco de desenvolver COVID-19 ou tem um membro da família com uma condição que aumenta o risco de desenvolver COVID-19”, referiu Michael L. Chang, especialista em doenças pediátricas da UT Physicians e professor assistente de pediatria da Faculdade de Medicina McGovern.

De entre as pessoas com maior risco de desenvolver formas graves de COVID-19 estão as com 65 anos ou mais, e pessoas com condições médicas subjacentes – principalmente se não forem bem controladas. As pessoas com estas condições, ou que tenham um membro da família com essas condições, devem evitar viagens ou tomar maiores precauções para minimizar o risco de transmissão.

“Outra coisa a considerar é a prevalência do vírus no local de destino da viagem, e se será capaz de aderir às medidas de prevenção, como o distanciamento social, durante as atividades ou nas excursões planeadas”, referiu Michael L. Chang.

Deve ser verificada a propagação do COVID-19 no local para onde vai viagar recorrendo à informação fornecida pelo sistema de saúde. Também devem ser verificadas as diretrizes publicadas pelos governos locais, porque muitas áreas continuam a restringir atividades ou têm regras específicas.

“Antes de viajar, também deve ser considerada cuidadosamente se uma eventual quarentena pode afetar a vida pessoal”, referiu Michael L. Chang. “Viajar para um destino que é ou se torne num ponto de acesso para a COVID-19 pode exigir que fique em quarentena durante duas ou mais semanas depois do regresso. Considere se será capaz de trabalhar ou apoiar os familiares se for necessário ficar em quarentena.”

Que questões devem ser colocadas ao viajar com uma criança?

Os adultos compõem a maioria dos casos da COVID-19 e as crianças geralmente apresentam sintomas mais leves. No entanto, as mesmas precauções sociais de distanciamento e higiene aplicam-se a pessoas de todas as idades.

Uma preocupação crescente é o surgimento da síndrome inflamatória multissistémica em crianças (MIS-C) associada à COVID-19. O MIS-C pode causar inflamação em todo o corpo potencialmente fatal, inclusive no coração, pulmões, cérebro e outros órgãos. Embora a causa seja desconhecida, muitas crianças com MIS-C deram positivas ao teste ao vírus que causa o COVID-19 ou estavam com alguém com a COVID-19.

“Embora bebés e crianças pareçam ser mais resistentes à COVID-19 e menos propensas a sofrer de formas graves da doença, deve considerar-se se há acesso a cuidados pediátricos avançados no destino da viagem”, referiu Michael L. Chang.

Há meios de transporte que apresentem menores riscos?

“Nenhum meio de transporte é completamente livre de riscos, mas pode ajudar a atenuar os riscos escolhendo meios de transporte onde possa ter mais controlo sobre o ambiente e as pessoas com quem viaja”, referiu Luis Ostrosky.

Algumas questões devem ser colocadas sobre as opções de transporte:

Por estrada: automóveis estão entre as melhores opções de viagem porque é capaz de minimizar o contato com pessoas. Pode evitar áreas de repouso cheias e minimizar o número de paragens. Para reduzir ainda mais o risco, usar máscara nas paragens e praticar o distanciamento social e a boa higiene das mãos. Depois de lavar as mãos numa área de repouso, use um desinfetante para as mãos antes de entrar novamente no veículo. Use um desinfetante para as mãos depois de tocar nas bombas de combustível e nos sistemas de pagamento.

Por via aérea: viajar de avião obriga a ficar próximo a outros, terminais de aeroportos e no voo, aumentando o risco de exposição ao vírus. Quando possível, manter distância física, usar uma máscara e evitar tocar nas superfícies. A maioria dos vírus não se espalha facilmente pela ventilação do ar nos voos, devido à forma como os aviões filtram o ar circulante.

De comboio e autocarro: viajar de comboio e autocarro envolver estar sentado ou em pé perto de outras pessoas durante longos períodos de tempo. Usar uma máscara, evitar tocar nas superfícies e manter distância de outros passageiros quando possível.

Há locais e atividades que apresentam menos riscos?

“Tente concentrar-se em locais ao ar livre e em atividades nas quais possa manter com segurança os protocolos de distanciamento social”, referiu luis Ostrosky.

Escolher áreas onde há mais espaço e menos pessoas. Visitar praias ou piscinas públicas pode oferecer boas opções se conseguir manter pelo menos um metro e meio de distância a outras pessoas. Atividades como caminhar ou explorar parques nacionais também podem ser boas opções, mas verifique o estado com antecedência para garantir que o parque está aberto.

Como avaliar os riscos das opções de hospedagem?

“Se os planos de viagem exigem uma pernoite num hotel ou Airbnb, fique atento ao distanciamento social e tente revisar os procedimentos de limpeza do alojamento para garantir que os quartos estão a ser completamente desinfetados”, referiu Luis Ostrosky. “Também pode procurar acomodações que estejam criando desfasamento de ocupação até três dias entre os hóspedes.”

Embora procedimentos de limpeza melhorados possam ajudar a reduzir o risco de transmissão, também pode fazer com que o desinfetante limpe as superfícies comuns, como mesas, puxadores, interruptores de luz e controlos remotos.

É seguro viajar de novo?

Até que uma vacina esteja disponível para erradicar o COVID-19, haverá riscos associados à viagem.

“Provavelmente teremos de viver com esta doença no futuro próximo”, referiu Michael L. Chang. “Mas se cada pessoa avaliar seu próprio risco e seguir as diretrizes apropriadas para reduzir a transmissão e a exposição, podemos tomar decisões ponderadas para viajar com segurança”.

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